10 coisas super úteis para o mercado de trabalho que você aprende viajando

Se você chegou nesse post esperando dicas de cursos ou faculdades para você estudar no exterior, não vai ser isso que você vai encontrar. Aqui eu vou contar como eu desenvolvi capacidades dignas de competências do linkedin viajando. Este post é para você que não acredita que viajar é só diversão, mas também é aprendizado e amadurecimento 😉 Vem comigo nessa lista!

1. Liderança

 📷@juliazany

Quando o mercado procura um líder, o que as empresas querem é alguém que tome a atitude e que as pessoas ao redor vejam que existe sentido em suas decisões e sugestões e que são para o bem de todos e/ou pensando nas preferências de cada um. Um líder precisa saber se comunicar, ter inteligência emocional e saber superar os desafios. Liderança é a principal atividade que você consegue aprimorar em uma viagem. Seja tomando as decisões do dia-a-dia até mesmo comandando a ida ao bar com o pessoal do hostel. Uma viagem em grupo também pode ser um ótimo exercício para você aflorar a sua liderança (sem ser um chato mandão, hein!).

2. Gestão de Equipes

Na maioria dos casos, gerir equipes é algo que só acontece com alguma experiência de mercado. Mas não precisa ser assim. Além dessas experiências de liderança, a mais importante foi quando eu fui a Jaipur, na Índia, fazer um projeto voluntário com crianças de rua/slums. Eu não conseguia me comunicar facilmente com elas, por conta da língua, mas mesmo assim precisava conter a atenção delas e exercer, junto com uma amiga alemã, as atividades que praticamos ao longo do dia. Quando voltei ao Brasil, estava pronta para coordenar um time, entendendo as forças e fraquezas de cada colaborador, assim como fazia com cada aluno lá na Índia.

3. Inglês Fluente

Sim, inglês fluente é uma realidade. Mesmo se anos de cursinho (ou colégio) ainda não te fizeram ter coragem de colocar no currículo que seu inglês é fluente, pode ter certeza que viajando 1 semana, em países que não falam português e nem entendem seu portunhol, você vai soltar o nativo americano que mora dentro de você. Eu me lembro no retorno da Oktober Fest em Munique, já havia tomado algumas cervejas e resolvi voltar no trem falando com inglês britânico. Usei todo o meu conhecimento de Harry Potter e Downtown Abbey. Não faço ideia se aquilo foi bom ou ruim, mas aquela cerveja me deu uma coragem de explorar o meu british accent.

4. Planejamento Estratégico

📷@guidocarol

Planejar uma viagem de mochileiro não é nada fácil – é preciso calcular distâncias entre lugares, fazer cotação de preços, desenhar estadias, negociar preços e economizar com antecedência (falaremos no próximo tópico). É preciso pesquisar bem e escolher qual a melhor rota a fazer, quais locais consegue otimizar seu tempo e conhecer todos os lugares que deseja.

É preciso estudar a geografia do lugar e fazer sim, um planejamento estratégico, se quiser ter uma viagem perfeita! Quando fiz uma viagem para a Ásia explorando vários países, deixei o planejamento estratégico de lado e acabei gastando 2x mais em passagens aéreas justamente por não ter feito o roteiro com lugares próximos. Fui do Brasil para as Filipinas, depois para India, China, Coreia e a última parada foi em Honk Kong, que fica a 40 minuto das Filipinas (Na dica 8 tem mais uma macaquice que eu fiz na viagem por falta de planejamento estratégico).

Uma dica que você pode descobrir usando o planejamento estratégico é por exemplo no mochilão pela Europa. Você pode adicionar novos destinos a sua viagem pela proximidade ou pelo custo das passagens. Por exemplo: em 2012, em Portugal, só havia voos de uma determinada companhia low cost em Porto. Eu morava em Lisboa e quando queria voar desta companhia, fazia a conta se valeria ir para Porto (com a passagem de avião + ônibus) do que voar de outra companhia por Lisboa. Visitei Porto algumas vezes, hehehe!

Outra descoberta lendo e pesquisando sobre Machu Picchu, é que a ida pode ser combinada com o passeio do Vale Sagrado. Ou seja, ao invés de você fazer o caminho de trem de Cusco para Águas Calientes, você poder fazer o tour para o Vale Sagrado e comprar a passagem de trem de Ollantaytambo (ponto final do passeio do Vale Sagrado) para Águas Calientes e na volta, o retorno de Ollantaytambo Cusco custava 10 reais. Na época era uma economia total de mais de 50 dolares 🙂 (Que renderam mais umas lembrancinhas nessa viagem!)

5. Planejamento Financeiro (Bônus: Redução de Custos)

Apreciando esse anúncio em Jaipur, India, onde um rodízio de comida Italiana com 2 sopas, 3 tipos de pizza, 16 tipos de salada (…) custam 119 rupias, equivalentes a 4 reais 🙂

Planejamento financeiro é essencial se você está fazendo uma viagem com recursos limitados (em um bom corporativês) e a preparação existe no pré, no durante e no pós viagem. No pré é importante olhar seus gastos pessoais e ver aonde você consegue economizar. Seja no barzinho do final de semana, ou naquela roupa que você não resiste em comprar. Economias domésticas como luz também pode ser uma boa opção. Porém mesmo aqueles que não estão com recursos tão limitados, o planejamento financeiro também é super necessário, porque afinal, ninguém tem recursos ilimitados (por maior que ele seja) e sempre é possível fazer mais com o que tem disponível 🙂

Fazendo o planejamento financeiro certo, você pode estipular budgets diários e até mesmo descobrir hacks dos sistemas de compras de passagens. Quando quis conhecer o leste europeu, fazendo muita pesquisa e testes de compra, descobri o seguinte: Existe uma companhia de ônibus na Europa em que as passagens são mais baratas se eu comprar no sentido contrário. Vou explicar melhor – Vamos supor que você queira comprar passagens de Munique para Budapeste. O que você faz para economizar? Entra no site da companhia da Hungria e compra uma passagem Munique-Budapeste. Ao invés de comprar no site alemão. Essa descoberta me rendeu alguns chopes a mais na Oktober Fest 😉

Saber fazer muito com poucos recursos é um motivo de destaque dentro de companhias que operam com orçamento apertado. Aproveite todas as estratégias que criou para se planejar financeiramente e reduzir custos durante a viagem para aplicar no seu dia-a-dia no trabalho (até mesmo na entrevista).

6. Microsoft Excel

Hostel Packing List - A laptop isn't always needed when staying in a hostel

Town House 373 Saigon em Ho Chi Minh

E você achou que não faria as dicas 3 e 4 sem usar ele, o temido, o desafiador, o único programa do pacote office que você não entende: Sim, o Microsoft Excel. Essa é para você, principalmente de humanas, que nunca abriu o Excel depois do dia em que tentou anotar os seus gastos do mês, mas que descobriu que o Excel é a melhor ferramenta para fazer todo o seu planejamento da viagem. Desde anotar as cotações de preço, até fazer o roteiro dia a dia da viagem – o Excel pode te ajudar em tudo. Explore as funções além de =SOMA() e faça o seu planejamento ser eficaz e eterno em uma planilha de excel. Com tudo arrumado, você ainda pode ajudar outras pessoas que querem explorar os mesmos destinos que você 🙂 No final da trip, pode colocar no currículo Microsoft Excel BÁSICO (sem exageros!).

7. Negociação

Aprimorando minha negociação em Wangfujing street market em Pequim!

Quem nunca negociou a compra de um souvenir viajando que atire a primeira pedra. Negociação é a alma do mochileiro que ama quinquilharias. Quando fiz a minha eurotrip eu tinha uma estratégia (olha o planejamento estratégico aí) – só parar em lojas de imigrantes indianos para comprar lembrancinhas. Nada de comprar com os europeus, só com os indianos. Com eles o preço nunca é o que está na etiqueta. Nem na Índia, nem na China, nem no Marrocos. Em algumas cidades eles chegam a ficar ofendido se você não negocia, é como se fosse um ritual. Você sempre DEVE negociar a compra, seja oferecendo 70% a menos do valor, seja indo embora e dizendo que encontrou mais barato em outra loja. Vale tudo para fazer valer um pouco mais as suas economias da viagem (o Planejamento Financeiro agradece \o/).

8. Resolução de Problemas

Essa ‘competência’ parece até boba, mas saber identificar e em seguida resolver problemas de maneira fácil, ágil e econômica pode ser um ótimo diferencial no mercado de trabalho. É claro que é um atributo que você só demonstra na prática.

Viajando, principalmente em viagens longas, com muito deslocamento e com pouco planejamento estratégico (meu caso, rs), é capaz de você enfrentar alguns momentos em que precisa pensar com clareza e de maneira ágil para resolver o problema que surgiu. Como todo bom mochileiro costuma viajar com dinheiro contado, temos sempre que usar a criatividade para resolver o problema de maneira que não afete o orçamento da viagem. E claro, cada problema que acontece por mais intenso que seja no momento, são as melhores histórias para contar quando você voltar de viagem, haha! Viagem sem perrengue não tem graça contar.

Falar sobre essa competência e a próxima da lista (a número 9) poderia me render dias contando todas as histórias que vivi, mas escolhi duas para compartilhar com vocês.

Quando fiz intercâmbio em Lisboa resolvi colocar o meu quarto no aplicativo de compartilhamento de quartos, queria conhecer novas pessoas e retribuir ao mundo por gentilezas que fizeram por mim em viagens (outra história longa, em um dia em que o voo atrasou 4h, perdi uma conexão e conheci uma brasileira no avião que me abrigou na casa dela). Duas alemãs toparam ficar no meu quarto, mas no dia em que elas chegaram o dono da casa em que eu morava proibiu visitas. Eu fiquei arrasada, mas no meio tempo em que elas estavam chegando, eu corri no Hostelworld e encontrei um hostel a 100m da minha casa com preços super atrativos. Encontrei as meninas, levei elas para o hostel, contei o que houve e depois as convidei para uma festa com os meus amigos. Esse movimento rápido que fiz fez com que estabelecemos uma amizade mochileira! Nessa viagem da Oktober Fest, fiquei na casa de um amigo de um amigo delas, já que a cidade estava muito cheia e não conseguimos local para ficar.

Voltando a falar de aviões e conexões, na viagem para a Ásia fiz uma grande besteira: comprei um voo internacional com 1h de diferença da chegada da minha conexão. Ao chegar no aeroporto a aeromoça disse: o voo vai atrasar, sua conexão é para outro país? Você sabe que vai perder o voo, certo? Eu respondi: Não. Eu não vou perder o voo! E assim foi feito. Combinei com a aeromoça que por mais que o voo estivesse cheio, eu iria colocar a minha mala como de bordo e perguntei se estaria tudo bem em sentar na primeira fileira. Por sorte, o assento estava vazio e fui a primeira a sair do avião. Corri até o ponto de táxi e com os meus últimos dinheiros da moeda local, mudei de terminal. Ao chegar no terminal, vi que meu voo não tinha saído! Que sorte! Mas ainda precisava imprimir o cartão de embarque, uma vez que o voo era internacional, só que só lembrei disso quando a segurança do embarque me proibiu de passar pela imigração. Pensei: preciso procurar alguém da companhia aérea, uma vez que o check-in já havia terminado. Achei um segurança, conversei com ele e ai resolvi usar o último artifício: implorar. Ele me deu a mão, passou comigo pela imigração e corremos até o balcão de embarque e sim, eu embarquei! (Com um cartão de embarque feito a mão, mas fui!!!)

9. Resiliência

3 escalas, 33 horas voando, de Hong Kong para o Rio de Janeiro, passando pelos Estados Unidos. Muito cansaço e poucas horas dormidas mas com a incrível experiência de ver o sol se pondo e 4h depois vê-lo nascendo.

Resiliência é a palavra do mercado em momento de crise. É sobre não desistir, ter persistência e controlar a ansiedade. É sobre adaptar-se as mudanças e criar hacks para supera-las. Bom, só de ler a definição já dá para saber que um mochilão é um exercício de resiliência. Você pratica a sua resiliência quando corta todos os gastos supérfluos para economizar para a viagem, quando passa horas a fio pesquisando voos para chegar a uma passagem mais barata, quando erra o caminho 5x mas não desiste de achar aquele marco histórico numa rua estreita, quando respira fundo e tenta descobrir alguma saída quando o mal tempo fez com que o seu voo fosse cancelado. Nem sempre viagens são só como fotos no instagram: perfeição e felicidade. Temos maus momentos, adversidades que precisam ser superadas e saber fazer isso da melhor maneira é a competência exata para acrescentar no seu currículo.

10. Networking

Conheça MUITA gente viajando. Não seja tímido! Fazer amigos viajando além de ser delicioso pode ser super oportuno. Converse com as pessoas no lobby do hostel, nos quartos, adicione no facebook, instagram, mantenha contato com essas pessoas depois! Olha, tenho uma lista quase que infinita de histórias de amizades verdadeiras que conheci viajando. Uma das minhas melhores amigas é uma alemã, de pais portugueses que nos conhecemos em um quarto de hostel em Cusco, Peru, mas essa história completa eu conto em outro post.

Quando fui a Seul, acabei ficando bem sozinha no hostel, era baixa temporada e meu quarto estava vazio. Fiz um post no meu facebook que estava na cidade, logo após a Seojang que dividiu quarto comigo em Madrid em 2015 me mandou uma mensagem: “Julia are you in town? Let’s have dinner!”. Claro que ela me levou em lugares muito divertidos de Seul e fez a minha viagem mais feliz!

Outra história é de quando eu resolvi fazer um tour guiado em Lisboa depois de ter morado 6 meses lá e de ter visitado a cidade outras vezes. Nesse tour tinha uma brasileira da minha idade, conversamos, fomos tomar café, explorar a cidade, ela me contou sobre sua paixão em Londres. Depois disso ela veio ao Rio, cidade que moro, levei ela para conhecer a cidade e hoje estou aqui escrevendo no blog a convite dela 🙂 Obrigada, Laura!

E você, o que aprendeu em suas viagens? Conta aqui pra gente nos comentários! 👇👇👇

📚 Sobre a Autora 📚

Julia Zany é publicitária do Rio de Janeiro e não dispensa um motivo para poder viajar! Acompanhe as viagens dela no seu Instagram @juliazany

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