Como evitar o turismo excessivo e ser um viajante responsável

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Todos nós temos uma lista de destinos fantásticos que queremos visitar, mas também nos preocupamos com o impacto das nossas viagens e com a forma de evitar o turismo excessivo. Provavelmente, conhece bem esta situação: acaba de chegar ao seu destino de sonho, depois de planear e poupar muito, e dirige-se ao seu primeiro local, a atração mais famosa da cidade. Quando chega, encontra-se num lugar extremamente superlotado, com muitas pessoas a lutar pelo melhor lugar para tirar uma selfie.

Quando pensamos em lugares como o Coliseu, em Roma, ou o Salar de Uyuni, na Bolívia, todos sabemos que vão estar cheios. Quando um lugar se torna famoso entre os viajantes, eles tendem a desenvolver novas instalações para receber um grande número de pessoas e o destino começa a mudar. As ruas ficam lotadas, surgem lojas de souvenirs e começam a aparecer muitas fotos no Instagram. Os problemas começam quando a quantidade de visitantes se torna muito maior do que a cidade ou atração pode suportar.

how to avoid overtourism, crowd of people walking down the street in asia

O que é overtourism?

Um grupo de investigadores descreveu-o como:

“O sobreturismo descreve a situação em que o impacto do turismo em determinados momentos e locais excede os limites físicos, ecológicos, sociais, económicos, psicológicos e/ou políticos.”

O facto de um local estar cheio não significa que sofra de overtourism. Pode tratar-se apenas de aglomeração, o que significa que há muitas pessoas em relação ao espaço disponível. Pense na Torre Eiffel no verão, ou em Times Square em Nova Iorque. O overtourism só acontece quando a presença maciça de turistas ameaça a cultura, a economia e a natureza de um destino.

Os habitantes locais gostam de turistas?

Há muito tempo que os turistas mal comportados incomodam os habitantes locais. Nos anos 60, o sociólogo americano Dean MacCannell descreveu os turistas como criaturas tolas, atraídas por “pseudo-eventos” e “autenticidade encenada” Para ele, os turistas chegam, entusiasmam-se com tudo e vão-se embora, de volta à sua realidade, sem nunca pensarem na realidade do outro. É por isso que somos todos mochileiros cultural e ambientalmente conscientes… certo?

Hoje em dia, cidades como Barcelona, Berlim e Lisboa têm de lutar contra o avanço dos sites de aluguer de casas, que aumentaram os preços das rendas e tornaram as cidades inabitáveis para alguns habitantes locais. No entanto, criticar ou proibir os viajantes é contraproducente, especialmente porque estas cidades obtêm grande parte das suas receitas do turismo.

Julgar os viajantes como culpados não é a solução – antes de mais, precisamos de compreender o problema e de saber como evitar o turismo excessivo.

Como o Instagram contribui para o turismo excessivo

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📷@francineito

Basicamente, os locais com muita gente não são necessariamente locais ameaçados. No entanto, com o surgimento de novas formas de comunicação e a mudança na forma como viajamos, temos de colocar outro elemento na equação: o fator Instagram. Quando os influenciadores visitam um local, é provável que os seus seguidores queiram repetir a fotografia.

Um exemplo bem conhecido é o Heaven’s Gate, em Bali. O local ficou tão famoso no Instagram que, hoje em dia, há uma fila de viajantes à espera da sua vez para repetir a fotografia. Mas não se imagina o que está por perto e não aparece na foto. O Templo de Lempuyang, que abriga o famoso portão, é sagrado para os balineses e merece uma visita mais respeitosa. O overtourism acontece quando a vida dos habitantes locais tem que mudar por causa do comportamento dos turistas. Quando milhares de pessoas tratam um local sagrado como uma oportunidade para o Instagram, os habitantes locais vêem os seus trajes desrespeitados e as suas vidas perturbadas. Obviamente, este não é o único problema que Bali está a enfrentar, com o número de turistas a aumentar todos os anos. A ilha também tem sofrido com praias cheias de plástico deixado pelos viajantes, congestionamentos e falta de água.

Paraísos ameaçados

Não são apenas os locais ultra-fotografados que sofrem com o excesso de turismo – este não ameaça as grandes cidades e os seus habitantes, mas sim as pequenas cidades rurais e o ambiente que as rodeia.

Em suma, quando a Sagrada Família em Barcelona está cheia, isso é apenas aglomeração. Mas quando o governo da Tailândia decide encerrar a Maya Bay, a sua praia mais famosa, até 2021, é porque a natureza já não se pode defender dos danos causados pelo turismo. É nesta altura que devemos começar a repensar a forma como escolhemos os nossos destinos de sonho, como regulamos as nossas viagens e como podemos evitar o turismo excessivo.

As consequências mais perigosas do turismo excessivo

Quando fora de controlo, o excesso de turismo pode destruir locais históricos, espécies nativas e culturas antigas. A pressão que milhares de visitantes exercem sobre um local é muito maior do que podemos imaginar. Os viajantes deixam muito dinheiro onde quer que vão, mas também podem deixar imensas quantidades de lixo.

Pense numa pequena cidade que tem um sistema de esgotos concebido para os seus 10.000 habitantes. Quando o governo decide organizar um evento internacional que vai receber 2.000 pessoas, calcula quanto dinheiro os visitantes trazem, mas nem sempre pensa nos dejectos diários que sobrecarregam o sistema. Sim, estamos a falar de xixi e cocó.

Um simples erro de projeção pode romper um cano, interromper o abastecimento de água na cidade, contaminar o lençol freático e os rios e, por fim, uma cidade inteira! Parece um exagero? Pois bem, essa é uma história comum em algumas cidades da América do Sul quando acontecem grandes eventos como o Rally Dakar.

Leis de proteção do sobreturismo

Então, como é que resolvemos o problema? Deixar de viajar? Fechamo-nos em casa e choramos baixinho a pensar nos sítios que nunca veremos? Não cabe a nós, mochileiros, resolver os problemas de infra-estruturas de cidades inteiras. Mas cabe-nos a nós respeitar as regras, não ser um fardo, pensar em como evitar o turismo excessivo e não desperdiçar os recursos naturais.

Um exemplo de sucesso é o sítio sagrado de Machu Picchu, no Peru. Há anos que ouvíamos rumores de que Machu Picchu estava em risco de fechar devido aos danos causados pelo excesso de turismo. Este risco foi combatido com a introdução de um limite ao número de viajantes que podem visitar as ruínas diariamente, graças à pressão do comité da UNESCO que protege os sítios do Património Mundial. A iniciativa resultou e agora Machu Picchu vai abrir os braços aos visitantes durante muito tempo. Viajar de forma responsável é possível, e podemos fazer grandes mudanças quando trabalhamos todos juntos!

Como não ser um viajante irresponsável

Nós, mochileiros, gostamos de pensar que sabemos viajar melhor do que o turista comum. Isto porque normalmente temos mais liberdade nas nossas aventuras, passamos mais tempo num só lugar e abraçamos as experiências locais. Isto é um facto, mas há mais factores a considerar.

Respeitar os costumes locais parece ser senso comum, mas é difícil ver as nuances culturais que diferem dos nossos anfitriões se não prestarmos atenção suficiente. Pesquise os costumes antes de viajar, faça perguntas, ouça e observe. Você e os seus amigos estão muito entusiasmados por irem de comboio de uma grande cidade para outra no Egipto, mas para os outros passageiros é provavelmente apenas mais uma viagem de ida e volta. Respeite o silêncio deles! Basicamente, tenha em atenção as pessoas que estão no mesmo espaço que você, apenas a viver a sua vida quotidiana.

Formas sustentáveis de viajar

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As formas sustentáveis de viajar já existem e, provavelmente, faz muitas delas sem sequer se aperceber. Ficar num hostel é uma óptima maneira de viajar de forma mais consciente, pois pode trocar de alojamento por trabalho ou partilhar um dormitório que ocupa muito menos espaço do que uma cama king size num hotel de cinco estrelas. Além disso, pode cozinhar para si próprio e evitar produzir montes de lixo em restaurantes de comida rápida. Podes até dar um passo em frente e ficar num hostel ecológico.

Ao viajar a um ritmo mais lento e ao permanecer mais tempo nos locais, reduz a sua pegada de carbono, conhece os habitantes locais e compreende como é realmente viver nesses locais.

7 maneiras de evitar o turismo excessivo

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📷@leonorsousa

Não penses que o excesso de turismo é inevitável e que não há nada que possas fazer. De facto, é o oposto! Aqui estão algumas dicas super simples que pode experimentar na sua próxima viagem, ajudando a aliviar a pressão que o overtourism coloca nos destinos e permitindo que mais pessoas os visitem no futuro.

  1. Sempre que possível, opte por viajar de comboio ou autocarro em vez de apanhar um avião.
  2. Leve a sua garrafa de água e talheres reutilizáveis para todo o lado.
  3. Pesquise o local para onde vai e opte por viajar na época baixa.
  4. “Em Roma, faça como os romanos”. Isso significa agir como um local – e comer como um local também, incentivando pequenas empresas familiares em vez de cadeias multinacionais.
  5. Escolha bem as suas recordações para evitar contribuir para as indústrias predadoras (nada de penas de aves, pedras preciosas, pedaços de sítios arqueológicos).
  6. Não visite atracções que utilizem animais para entretenimento humano, como os passeios de elefante.
  7. Nunca deixe o seu lixo em qualquer lugar, especialmente quando visitar reservas naturais.

Para obter ajuda para encontrar o seu hostel perfeito, descarregue a aplicação Hostelworld e prepare-se para conhecer o mundo!


sobre o Autor 📚

Jornalista e tradutora freelancer que vive em Berlim, mãe de família teuto-brasileira e colecionadora de plantas tropicais. Nas horas vagas, está fazendo um doutorado em sociologia do turismo, onde pesquisa mochileiros na América do Sul e conflitos culturais. Pode encontrar alguns dos seus artigos no blogue Travel Praxis.

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