Como trabalhar em um hostel mudou a minha vida

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Eu já tinha viajado pela Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador e finalmente eu havia chegado no país que eu tanto ouvi fala … a Colômbia. “Espere pra ver” falaram meus novos amigos com sorrisos no seus rostos. “Ah cara, eu quero muito voltar” disseram  outros que estavam  indo em direção oposta. “Não me interpretem mal, outros lugares são ótimos. A Colômbia é apenas melhor”. Eu ouvi isso muitas e muitas vezes.
Anotei as dicas e programei passar cinco semanas no país, pensando que, assim, eu teria tempo suficiente por lá, antes de colocar o pé na estrada para o Brasil e depois para casa, no Reino Unido.
Mas eu levei menos de cinco minutos para me apaixonar pela Colômbia. Então, esse plano voou pela janela … Em uma semana e meia eu estava completamente envolvida. Pelo povo, seus sorrisos, pela atitude, suas prioridades. Pelo calor, pela paisagem, pelo barulho. Em três semanas eu já me senti em casa. O ritmo da vida parecia certo. Um mês por lá e eu já tinha feito amigos que não são daquele tipo que você esbarra na rua e só diz “oi”. Eu não queria ir embora. Ninguém poderia me obrigar a fazer isso. Eu não ia a lugar nenhum. Mas infelizmente, tinha um problema. Como eu poderia ficar se minha grana estava acabando e logo mais eu teria que sobreviver do café da manhã gratuito do hostel e da estranha empanada?
Felizmente um lugar para ficar me apareceu de  forma inesperada. Uma amiga me contou sobre a Casa Elemento, um albergue no topo de uma montanha na cordilheira de Sierra Nevada, comandado por amigos dela que ela queria me levar para conhecer imediatamente. “No topo de uma montanha? Que lindo.” E lá fomos nós.

Para chegar a Casa Elemento você tem que ir de motocicleta ou caminhar na floresta. Optamos por caminhar. Chegamos, suadas e cansadas, mas valeu a pena pela vista. Montanhas com neve acima, floresta e a e cidade abaixo, e o mar do Caribe no horizonte.
Enquanto eu estava encantada com tudo, com a casa na árvore, a piscina, os rostos simpáticos dos proprietários, e o grande destaque – uma rede gigante para umas 20 pessoas se aconchegarem  – Jean, um dos proprietários, ofereceu-me uma xícara de chá … PG Tips (marca de chá inglesa) para ser exata.
Agora, eu estava viajando há 5 meses e nesse tempo eu não tinha sido capaz de encontrar uma xícara de chá decente em nenhum lugar (e olha que eu tentei desesperadamente, viu…). Toneladas de açúcar não adiantavam. Colocar dois saquinhos? Era inútil. Talvez tenha sido a caminhada, talvez fosse o fato de, ao olhar pra baixo, eu conseguia ver as nuvens… Mas eu tive que conter as lágrimas de pura alegria enquanto eu tomava chá naquela caneca de acampamento azul de plástico que tinha uma marca de queimadura do lado. Foi um momento perfeito e eu pensei: “Bem, isto aqui é perfeito, eu vou perguntar se eu posso ficar!”
A galera me acolheu no grupo imediatamente e eu rapidamente entrei na onda do voluntariado. Um dia típico na Casa Elemento começava comigo levantando cedo para uma missão de alta importância: Fazer o café. Apesar de acordar super cedo, este era um momento incrível do dia, por ser a única pessoa acordada.
Depois de colocar o café na urna de café e limpar qualquer destruição causada pelos leitões recém-adquiridos que pareciam capazes de escapar de qualquer lugar que os prendessem , eu aproveitava a oportunidade para dar uma corrida na floresta, ou eu simplesmente sentava e me maravilhava com a vista. Alguns dias, a maioria na verdade, ouvia os gritos dos macacos bugios balançando através da floresta, tucanos faziam visitas  e periquitos davam mergulhos na piscina. Eu nunca estive em um lugar mais bonito ou mais sereno.
Havia tantas coisas ótimas sobre o fato de estar lá fazendo o que eu estava fazendo. Por um lado, depois de meses de não ter nenhum propósito real era bom se sentir útil. Se eu estava pintando, arrumando as camas, cozinhando, servindo cervejas, ou apenas me entrosando com as pessoas, eu nunca sentia como trabalho. Ed, Andrew, Jean e Jack tinham trabalhado duro para fazer Casa Elemento um lar longe do seu lar, e isso é o que senti – como se estivéssemos simplesmente que garantir que os hóspedes em nossa casa estavam confortáveis e felizes.
Nós nunca sabíamos quem ia chegar no dia ou quem iríamos conhecer. Novos amigos chegariam  na garupa da moto, ou apareceriam saindo da floresta, exatamente como tinha acontecido comigo e meu trabalho era recebê-los, oferecer comida, água e conversar um pouco. E sempre havia muita coisa para conversar, tínhamos muito em comum afinal … todos éramos viajantes querendo ver o mundo, ver o sentido das coisas e procurando o que os torna felizes. Descobrir que você tem tanto em comum com estranhos, que eu conhecia dia sim, dia não, faz você se sentir parte de algo. Faz sentido formar amizades rápido com as pessoas que querem experimentar a vida, ver as coisas, visitar lugares, e realmente viver.  O tempo que fiquei por lá, era um ciclo constante de conhecer pessoas legais que faziam coisas legais.

De longe, a melhor coisa sobre o tempo que passei  na Casa Elemento, foi conhecer os proprietários – pessoas que tinham se encontrado na Colômbia, que também não queriam deixa-la e ao invés de aceitar e voltar para uma “vida normal “, decidiram fazer seu sonho acontecer. Eles abraçaram a oportunidade e valeu a pena – trabalharam duro a cada dia e ainda estão trabalhando duro para fazer a Casa Elemento um dos melhores albergues na Colômbia. E eles estão conseguindo. Foi incrível estar perto de pessoas tão empenhadas em fazer o que fosse necessário para tornar este lugar perfeito. Eu sei que soa como uma grande cliché, mas é realmente verdade quando eu digo que o tempo que passei lá me inspirou. Isso me fez sentar e pensar sobre algumas coisas. O que eu me importava na vida tanto quanto as pessoas que eu estava trabalhando para se importavam com o negócio deles? O que eu trabalharia duro e feliz para conquistar? O que eu construiria na minha vida se eu trabalhasse incansavelmente como eles trabalhavam? O período que passei lá me tornou mais focada. Isso me fez perceber a direção que eu queria e precisava apontar quando finalmente deixasse aquela montanha.
Se você não tem o luxo de ter tempo, a sua viagem pode ser uma série cansativa de diferentes paragens. Duas noites aqui, três noites lá, o lugar estranho onde você vai ficar por um pouco mais, mas sempre com um olho na data. Se você puder, faça o tempo parar… especialmente se um lugar fala com você. Escolha um lugar que você quer conhecer. Pense no que você pode oferecer, e estar preparado para mergulhar e se sujar.  Eu não sou particularmente hábil, mas eu era inventiva e rápida e de quebra, pintava uma parede como uma profissional, sei fazer bolos que fazem você chorar lágrimas de emoção e posso  conversar com qualquer um. Era isso. Todo mundo pode fazer coisas. Apenas certifique-se de que se você fizer isso, você está disposto a ajudar a contribuir para o projeto de alguém. Você está ajudando-os a realizar suas ambições, lembre-se e respeite isso.
O voluntariado me deu o tempo necessário para parar o tempo e reunir os meus pensamentos sobre tudo o que tinha vivido antes. Todas as pessoas e lugares que tinham passado no meu caminho, todas as coisas que eu tinha visto, feito e aprendido. Isso me deu a oportunidade de perceber o que eu agora sabia sobre mim mesma depois de ter passado algum tempo, ouvindo de verdade e absorvendo. Me permitiu, finalmente, determinar o que me fazia feliz e o que não fazia. Deu-me o espaço para descobrir como eu queria seguir com a minha vida. Me mostrou o que pode vir como resultado de trabalho duro e inflamou a minha ambição e crença de que eu sou mais do que capaz de alcançar meus sonhos também … E por todas estas razões que eu recomendo: trabalhe em um hostel que você ame, pelo menos uma vez na vida.
 

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