{"id":61881,"date":"2018-03-08T13:03:21","date_gmt":"2018-03-08T13:03:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.hostelworld.com\/blog\/?p=61881"},"modified":"2021-04-15T08:09:17","modified_gmt":"2021-04-15T08:09:17","slug":"o-poder-feminino-na-construcao-da-primeira-rede-colaborativa-de-mulheres-viajantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hostelworld.com\/blog\/br\/o-poder-feminino-na-construcao-da-primeira-rede-colaborativa-de-mulheres-viajantes\/","title":{"rendered":"O poder do feminino na constru\u00e7\u00e3o da primeira Rede Colaborativa de Mulheres Viajantes"},"content":{"rendered":"<h2>O qu\u00e3o longe somos capazes de chegar mesmo sem perceber o nosso potencial por completo?<\/h2>\n<p>Durante muitos anos, viajar foi tido como \u201cartigo de luxo\u201d, algo que s\u00f3 as pessoas com muita grana poderiam fazer com frequ\u00eancia. Ao longo do tempo, isso foi se desmistificando e a ideia de que viajar era \u201chobby de rico\u201d ficou para tr\u00e1s. Hoje, as mulheres ocupam a maior parte da m\u00e3o de obra em diversas \u00e1reas e destaco aqui o turismo, onde quase 60% dessa m\u00e3o de obra se concentra na Am\u00e9rica Latina. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio indicam que no Brasil n\u00f3s temos 103,5 milh\u00f5es de mulheres, n\u00famero superior \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de 180 pa\u00edses. Essas mulheres representam 51,4% da popula\u00e7\u00e3o e est\u00e3o conquistando cada vez mais espa\u00e7os, construindo e descobrindo suas for\u00e7as.<\/p>\n<p>Quando a ideia de<a href=\"https:\/\/www.brazilian.hostelworld.com\/blog\/mitos-e-verdades-sobre-viajar-sozinha\/?lang=pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"post links\"> \u201cviajar sozinha\u201d<\/a> come\u00e7ou a se popularizar, muitas mulheres sentiram muito medo, medo por todos os \u201c\u00e9 perigoso demais para uma garota\u201d que ouviram a vida toda. E esse medo n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil de se dissipar, para uma mulher viajar ela precisa quebrar diversas barreiras, barreiras essas que se imp\u00f5e a cada etapa do planejamento da viagem de forma absurdamente assustadora. Dentre os maiores desafios que uma mulher enfrenta ao planejar uma viagem, o principal \u00e9 a cultura machista que permeia cada lugar e cada situa\u00e7\u00e3o e que as acompanha por onde quer que elas forem.<\/p>\n<p>Apesar de todo esse medo, as pesquisas mostram que as mulheres est\u00e3o na contram\u00e3o do que a sociedade tenta lhes impor. Um estudo feito pelo Minist\u00e9rio do Turismo e a Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, mostra que 17,8% das mulheres que pretendem viajar nos pr\u00f3ximos seis meses, dever\u00e3o faz\u00ea-lo sozinhas, um n\u00famero que apesar de pequeno \u00e9 muito significativo se levarmos em considera\u00e7\u00e3o todos os obst\u00e1culos que tivemos que ultrapassar.<\/p>\n<p>Ler hist\u00f3rias de mulheres que superaram seus medos e limites, que seguiram em busca de seus sonhos e acompanhar esses estudos e pesquisas \u2013 que poderiam ser melhor desenvolvidos \u2013 me faz acreditar que existe uma for\u00e7a dentro de cada uma de n\u00f3s que nos impulsiona a seguir sempre em frente, sempre em dire\u00e7\u00e3o aos nossos sonhos, por mais contram\u00e3o que seja, essa for\u00e7a n\u00e3o nos deixa desistir. Como diria Emicida: \u201c<em>Voc\u00ea \u00e9 o \u00fanico representante do seu sonho na terra, se isso n\u00e3o fizer voc\u00ea correr, chapa. Eu n\u00e3o sei o que vai\u201d<\/em>. Essa for\u00e7a nos modifica e nos torna mais corajosas, destemidas, ousadas\u2026 E foi essa for\u00e7a que provocou em minha vida uma profunda transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-61888 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.hostelworld.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_20180305_152344_575.jpg\" alt=\"\" width=\"875\" height=\"619\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"https:\/\/www.brazilian.hostelworld.com\/hosteldetails.php\/Frida-Hostel\/Cabo-Frio\/277622\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"post links\">Frida Hostel am Cabo Frio<\/a><\/p>\n<h2>O Come\u00e7o<\/h2>\n<p>Em mar\u00e7o de 2014, eu recebi uma not\u00edcia que abalou todas as minhas estruturas. Eu havia perdido uma das pessoas mais importantes da minha vida, a minha querida av\u00f3, Edna Brito. A pessoa que havia trocado minha fralda, me ensinado a comer legumes, que me acolheu em sua casa enquanto minha m\u00e3e trabalhava havia partido e levado com ela todos os meus sonhos. Na \u00e9poca eu estava muito animada com o 1\u00b0 per\u00edodo da faculdade de jornalismo e com o meu site de livros, chamado <em>\u201cSonhos entre Pontinhos \u2013 onde os sonhos n\u00e3o t\u00eam fim\u201d<\/em>, ele tinha acabado de completar 04 anos e eu estava cheia de expectativas por largar um emprego fixo para me dedicar mais aos livros, que eram a minha paix\u00e3o, quando eu perdi o brilho nos olhos que tinha quando cheirava ou lia um livro novo. Foi uma fase muito dif\u00edcil, eu j\u00e1 havia perdido pessoas antes, mas a dor nunca tinha sido t\u00e3o excruciante como daquela vez e nada mais fazia sentido. Algum tempo depois eu reencontrei um antigo amor de escola e apesar de a dor continuar l\u00e1, latente, potente, visceral come\u00e7ou a faiscar em mim uma centelha de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Tudo come\u00e7ou com um inesperado convite\u2026<\/em><\/p>\n<p>Meu anivers\u00e1rio se aproximava e eu continuava muito triste quando recebi um convite para conhecer Sana das \u00c1guas, um lugarejo entre as montanhas da Serra Macaense no Rio de Janeiro, conhecido por mim, como o lugar que mudou toda a minha perspectiva de vida. Quando cheguei em Sana rapidamente me encantei com as belas paisagens, era uma experi\u00eancia totalmente nova, eu estava indo acampar pela primeira vez, mas a saudade continuava l\u00e1 no fundo, insistente. A primeira coisa que me fez perceber a mudan\u00e7a de paradigma foi que eu estava em um lugar totalmente incomunic\u00e1vel. No meio da mata, o telefone n\u00e3o pegava de jeito nenhum e apesar de ficar preocupada com o que minha m\u00e3e pensaria eu decidi aproveitar aquela oportunidade, e ent\u00e3o quatro dias se transformaram em um m\u00eas, ou, pelo menos, essa era a sensa\u00e7\u00e3o que eu tinha. No Sana os dias n\u00e3o passavam, dormir com o barulho do rio Sana que por vezes eu confundia com o barulho da chuva me trazia uma paz inexplic\u00e1vel. Olhar o c\u00e9u estrelado, respirar aquele ar puro, tomar banho de chuveir\u00e3o gelad\u00edssimo, ir a uma cachoeira pela primeira vez, tudo isso me levou a enxergar a vida de outra forma. Minha av\u00f3 havia partido, mas eu ainda estava aqui, viva\u2026 Respirando&#8230;<\/p>\n<p><em>O in\u00edcio de uma nova era\u2026<\/em><\/p>\n<p>Antes de sair do Sana eu me fiz uma promessa, eu queria continuar me sentindo viva como me senti durante aqueles quatro dias, eu devia isso \u00e0 minha av\u00f3, eu tinha certeza que ela sorriria pra mim de onde quer que estivesse quando me visse sorrindo, vivendo, ent\u00e3o eu prometi que viajaria pelo menos uma vez por ano para experimentar mais um pouco daquela sensa\u00e7\u00e3o maravilhosa de entorpecimento que a viagem me trouxe, mas eu n\u00e3o contava com a surpresa que o destino havia me preparado.<\/p>\n<p>Em Outubro de 2014, eu recebi outra not\u00edcia, mas que dessa vez n\u00e3o era de morte, mas sim de vida, eu soube no momento em que o m\u00e9dico me disse que eu gerava uma vida dentro de mim que nada mais seria como antes. Eu pensei nos sonhos que um dia eu ousei sonhar, pensei na promessa que me fiz de viajar mais, pensei em toda a tristeza que eu carregava comigo h\u00e1 tempos e foi dif\u00edcil digerir todas essas informa\u00e7\u00f5es. Eu surtei, pirei, quis gritar, respirei, mas voltei a mim e entendi que n\u00e3o era o fim, mas um recome\u00e7o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-61909 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.hostelworld.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Brumadinho-Cachoeira-dos-Carrapatos.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"1024\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><em>Brumadinho Cachoeira dos Carrapatos<\/em><\/p>\n<h2>Rede Colaborativa Na Estrada Com As Minas<\/h2>\n<p>O <a href=\"http:\/\/naestradacomasminas.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"post links\">Na Estrada com as Minas<\/a> surgiu nessa \u00e9poca, a primeira rede colaborativa de mulheres viajantes nasceu como um perfil nas redes sociais para compartilhar as aventuras que eu tinha me proposto a viver. Eu tinha uma promessa e uma irresist\u00edvel paix\u00e3o por escrever e acreditava que daria muito certo. E quando a Clara nasceu em Junho de 2015 eu tive uma grande decep\u00e7\u00e3o, percebi que mesmo que eu quisesse muito me dedicar a esse projeto eu n\u00e3o conseguiria, estava envolvida demais com as fraldas e os len\u00e7os umedecidos para pensar em qualquer outra coisa. Foi frustrante, eu chorei e esperneei por n\u00e3o aceitar estar t\u00e3o restrita, t\u00e3o fechada, eu tinha o sonho de conquistar o mundo, mas eu sentia que o mundo n\u00e3o estava pronto para mim, tudo o que eu consegui pensar era de quantas em quantas horas eu precisaria me alimentar para alimentar a beb\u00ea. \u00c0s vezes eu chorava por me achar a pior m\u00e3e do mundo por pensar em qualquer outra coisa que n\u00e3o fosse relacionada a\u00a0 maternidade e me sentia ego\u00edsta por achar que em algum momento eu seria capaz de me desafogar do<em> \u201cmundo maternidade\u201d, <\/em>mundo esse que em determinados momentos pode ser muito cruel para as mulheres que trilham essa estrada sozinha.<\/p>\n<p>Quando a Clara completou 04 meses, em Novembro de 2015, eu pedi para ser desligada do emprego que estava para cuidar s\u00f3 dela, nessa \u00e9poca eu me sentia um pouco melhor com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maternidade por entender exatamente a dor de cada processo, nesse momento eu cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que era injusto demais eu estar t\u00e3o triste, eu havia acabado de ganhar um grande\u00a0 presente, uma d\u00e1diva do universo, eu ganhei a chance de ser m\u00e3e e fazer tudo diferente, mas eu tamb\u00e9m entendi que foi preciso <em>\u201csentir essa dor\u201d<\/em>, o que muitas pessoas n\u00e3o entendem \u00e9 que quando <em>\u201cnasce uma m\u00e3e, morre uma mulher\u201d<\/em>, n\u00e3o de forma literal, mas tudo o que voc\u00ea fora antes do nascimento daquele beb\u00ea \u00e9 perdido no espa\u00e7o e no tempo, a partir da chegada desse novo ser, nos transformamos em outras pessoas, seja para o bem ou para o mal e entender toda essa transforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, e mais dif\u00edcil ainda \u00e9 entender que a vida n\u00e3o acaba na maternidade, ser m\u00e3e n\u00e3o significa que voc\u00ea n\u00e3o possa voltar a ser estudante, profissional, mulher! E quando me dei conta disso foi como se um mundo de novas possibilidades se abrisse para mim, eu poderia ser quem eu quisesse, ainda que eu fosse m\u00e3e da Clara, eu poderia ir al\u00e9m.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-61891 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.hostelworld.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Mapa-Anhembi-Hostel-Na-Estrada-com-as-Minas-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"\/\/www.brazilian.hostelworld.com\/hosteldetails.php\/Anhembi-Hostel\/Sao-Paulo\/76474\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"post links\">Anhembi Hostel Em S\u00e3o Paulo\u00a0<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Decidida a mudar minha perspectiva, peguei todas as minhas economias e investi em uma boa mochila cargueira, na \u00e9poca eu participava de um grupo chamado Couchsurfing das Minas, onde as mulheres se conectavam para trocar experi\u00eancias, oferecer e solicitar Couch \u2013 para quem n\u00e3o sabe, Couchsurfing \u00e9 um servi\u00e7o de hospitalidade, o dom\u00ednio foi registrado por Casey Fenton em 1999 e at\u00e9 hoje o site \u00e9 utilizado para busca e oferta de hospedagem de forma gratuita, proporcionando aos viajantes uma experi\u00eancia como morador local\u00a0 &#8211; nesse grupo eu li uma postagem de uma mina que vinha de Campo Grande\/MS, passar seu anivers\u00e1rio no Rio e ela convidava outras mulheres a passarem um final de semana em B\u00fazios, ela tinha uma amiga que trabalhava em hostel em Gerib\u00e1. E l\u00e1 fui eu, com uma beb\u00ea de quatro meses pendurada no canguru, uma mochila de 50L viajar, com uma mulher que eu tinha conhecido na internet. Minha m\u00e3e no inicio n\u00e3o acreditou que eu realmente fosse, para ela isso era um absurdo, e para mim, durante um tempo, tamb\u00e9m foi. Eu lembro que fiquei t\u00e3o nervosa com essa viagem que entupi a mochila com as coisas da beb\u00ea, levei roupas e mantas extras e quando eu cheguei em B\u00fazios lembrei de todas as minhas coisas que eu tinha esquecido. Fui viajar sem toalha, sem chinelo, sem pijamas e sem repelente para adultos. Ainda bem que eu tinha uma grana guardada e pude comprar alguns desses itens, mas fiquei pensando e <em>\u201cse eu\u00a0 n\u00e3o tivesse?\u201d<\/em>. Al\u00e9m de tudo isso que \u00e9 b\u00e1sico, em um primeiro momento eu fiquei aterrorizada com a chance de acontecer qualquer coisa com a minha beb\u00ea, mas com o passar do tempo esse medo foi se dissipando e se transformando em uma vitalidade que eu n\u00e3o sabia de onde vinha. E foi incr\u00edvel, viver a experi\u00eancia de pegar um \u00f4nibus com uma crian\u00e7a de colo e uma mochila, e me preocupar com certid\u00e3o, fralda e len\u00e7o em vez de canga e biqu\u00edni foi uma experi\u00eancia que sem d\u00favidas eu nunca vou me esquecer. Eu nunca tinha ficado em um hostel na vida e morri de medo de algu\u00e9m roubar a Clara durante a viagem, no \u00f4nibus e no pr\u00f3prio hostel \u2013 at\u00e9 hoje eu tenho esse medo \u2013 mas eu fui com a cara e a coragem, contra tudo o que as pessoas acham que uma m\u00e3e deve fazer. Eu fui transgressora, fui ousada e dessa loucura toda a li\u00e7\u00e3o que tirei foi que eu queria mais, queria me sentir mais corajosa, queria ver o sorriso da minha filha mais vezes ao descobrir um lugar ou viver uma experi\u00eancia nova, n\u00f3s duas merec\u00edamos construir uma hist\u00f3ria feliz e esquecer todas as l\u00e1grimas que foram derrubadas durante uma gravidez solit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Durante esse tempo eu percebi que o Na Estrada n\u00e3o estava maduro o suficiente para renascer, eu precisava me acertar primeiro com a maternidade e comigo mesmo, antes de dar qualquer passo rumo a um futuro incerto, eu lembro de me sentir muito perdida e me desesperar \u00e0s vezes, ent\u00e3o eu precisei desacelerar o ritmo, acalmar o cora\u00e7\u00e3o e focar no que era importante. Eu vivi os primeiros meses da maternidade intensamente, e aproveitei para ler o m\u00e1ximo que podia sobre autoconhecimento, autoestima, movimentos sociais, foi uma imers\u00e3o extremamente necess\u00e1ria e enriquecedora. Acredito que foi um divisor de \u00e1guas para o renascimento da mulher que h\u00e1 tempos eu havia esquecido.<\/p>\n<p>E a certeza de que o Na Estrada com as Minas estava pronto e maduro para <em>\u201crenascer\u201d<\/em> de uma forma muito bonita veio quando depois da nossa segunda viagem, em fevereiro de 2016 para Arraial do Cabo eu recebi v\u00e1rias mensagens de mulheres que falavam o quanto eu era corajosa e o quanto algumas delas gostariam de ter s\u00f3 um pouquinho dessa coragem, algumas delas tinham filhos e ficavam impressionadas com a forma tranquila e divertida que eu e Clarinha lev\u00e1vamos a viagem.\u00a0 Outras n\u00e3o tinham filhos, mas se surpreendiam ainda assim com a capacidade da Clara de absorver o ambiente de forma positiva e aproveitar ao m\u00e1ximo, mesmo sendo t\u00e3o nova. E cada palava que elas diziam a respeito do nosso incans\u00e1vel desejo de desbravar o mundo fez com que a chama reacendesse no peito e foi quando eu percebi que o Na Estrada com as Minas n\u00e3o era apenas sobre mim ou sobre as viagens que eu fazia e faria com a minha filha. O Na Estrada com as Minas tinha e ainda tem um pedacinho de todas as mulheres que cruzaram o nosso caminho e foram gentis, foram am\u00e1veis, sinceras, e simp\u00e1ticas. Quebrando todo o estigma que existe a respeito da rivalidade feminina. Engravidar e criar um projeto focado nas mulheres me fez perceber que n\u00f3s n\u00e3o somos inimigas, muito pelo contr\u00e1rio. N\u00f3s somos amigas, somos companheiras, somos fi\u00e9is, somos prestativas, n\u00f3s, mulheres, somos tudo aquilo que a sociedade diz que n\u00e3o podemos ser, principalmente umas com as outras e acima de tudo, n\u00f3s temos bravura! Empatia! E uma for\u00e7a que vem de cada a\u00e7\u00e3o transgressora que uma mulher<em> \u201ccomete\u201d<\/em> e impulsiona todas as outras a sa\u00edrem da sua zona de conforto.<\/p>\n<p>Em Outubro de 2016, com a maior simplicidade do mundo, eu criei um post \u2013 que na \u00e9poca eu achava que \u201cfloparia\u201d &#8211; falando a respeito da ideia de criar uma rede onde as mulheres pudessem trocar experi\u00eancias, aquelas que j\u00e1 tinham ido longe demais poderiam\u00a0 dar uma palavra de incentivo para quem ainda se sentia insegura de sair da sua pr\u00f3pria casa. E nessa \u00e9poca eu j\u00e1 pensava em ser muito al\u00e9m do que s\u00f3 um site de viagens, muitas pessoas enviavam mensagens dizendo que tinham vontade de conhecer v\u00e1rios lugares na cidade, mas nunca tiverem oportunidade, ou que os passeios oferecidos eram caros demais ou em hor\u00e1rios incompat\u00edveis com a realidade do trabalhador carioca. E para minha surpresa, desse post, mais de 50 mulheres comentaram sobre o interesse de colaborar, inclusive uma Guia de Turismo credenciada pela Cadastur. Ent\u00e3o o projeto al\u00e9m de iniciar os trabalhos com uma equipe de mulheres cariocas incr\u00edveis, come\u00e7ou com a proposta de debater o turismo no Rio de Janeiro de uma forma mais democr\u00e1tica, e como far\u00edamos isso? Tornando-o mais acess\u00edvel.<\/p>\n<p>Hoje, o Na Estrada com as Minas conta com uma equipe incr\u00edvel de seis mulheres cariocas, que superam todos os obst\u00e1culos \u2013 principalmente financeiro, pois n\u00e3o temos patrocinadores para promover esses eventos de forma gratuita, para manter o projeto \u2013 e se desdobram em mil para fazer dar certo. Hoje, n\u00f3s contamos principalmente com uma fant\u00e1stica rede de apoio e parceiros que est\u00e3o sempre dispostos a nos ajudar na realiza\u00e7\u00e3o efetiva do projeto e que nos ajudam assim a alcan\u00e7ar cada vez mais mulheres.<\/p>\n<p>Alguns anos depois de come\u00e7ar essa jornada, eu me vejo muito mais madura e confiante. Mais respons\u00e1vel e entendo cada vez mais a import\u00e2ncia dessa rede de mulheres que cresce progressivamente. Perceber que as mulheres est\u00e3o engajadas a dialogarem mais sobre suas demandas no Brasil e no mundo me deixa muito feliz, compreender que elas tinham uma car\u00eancia nessa quest\u00e3o trouxe um novo prisma para o Projeto Na Estrada com as Minas. E acreditar na for\u00e7a e no poder do feminino e na capacidade que n\u00f3s temos de nos reunir e nos ajudar \u00e9 o que me d\u00e1 mais \u00e2nimo para prosseguir.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-61900 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.hostelworld.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/IMG_2216.jpg\" alt=\"\" width=\"875\" height=\"656\" \/><\/p>\n<p>E ap\u00f3s realizar a minha 6\u00b0 viagem com a Clarinha e ver a felicidade dela ao visitar pela primeira vez um Quilombo e uma cachoeira meu cora\u00e7\u00e3o se encheu de satisfa\u00e7\u00e3o \u2013 e sim, eu estou conseguindo cumprir a promessa de viajar uma vez por ano, em 2017 n\u00f3s fizemos tr\u00eas viagens, uma em julho para B\u00fazios, o lugar onde tudo come\u00e7ou, uma para Penedo, e uma viagem muito significativa para S\u00e3o Paulo, onde pude conhecer grandes amigos virtuais que a maternidade e a viagem me proporcionou. Agora em 2018 eu fiz a minha primeira viagem sem a Clara e nossa, que experi\u00eancia! Foi um choque de realidade, nessa viagem eu percebi o quanto eu me negligencio quando viajo com a Clara, seja esquecendo a toalha ou n\u00e3o me importando com a minha seguran\u00e7a de t\u00e3o louca que eu fico pensando na seguran\u00e7a dela. E pela primeira vez eu senti medo real de ser uma mulher viajando sozinha, com medo do meu sotaque me denunciar, medo de errar o caminho, foi surreal, mas, por outro lado, eu me senti muito orgulhosa de conseguir <em>\u201cdesplugar\u201d<\/em> um pouquinho da minha bebezinha, me orgulhei por fazer amigos de forma aleat\u00f3ria, por dormir \u201ctranquila\u201d, me orgulhei por n\u00e3o me preocupar.<\/p>\n<p>Agora quase quatro anos depois de onde toda essa loucura come\u00e7ou, Eu, Clara e toda Equipe do Na Estrada com as Minas seguimos muito mais fortalecidos e buscamos fortificar outras mulheres atrav\u00e9s de nossos relatos e eventos. Todas as mulheres s\u00e3o pot\u00eancia e a nossa proposta \u00e9 faz\u00ea-las enxergar isso atrav\u00e9s de um di\u00e1logo entre amigas, sobre os desafios de ser uma mulher viajante, pois s\u00e3o elas que d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o a essa rede colaborativa e que transformam essa hist\u00f3ria \u00fanica, em uma hist\u00f3ria m\u00faltipla.<\/p>\n<p>Siga o Na Estrada Com As Mina:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.naestradacomasminas.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"post links\">\ud83d\udc49Site<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/naestradacomasminas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"post links\">\ud83d\udc49Instagram<\/a><\/p>\n<p><a href=\"%20facebook.com\/naestradacomasminas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"post links\">\ud83d\udc49Facebook<\/a><\/p>\n<p><a href=\"%20pinterest.com\/naestradacomasminas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" class=\"post links\">\ud83d\udc49Pinterest<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":59,"featured_media":137459,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"hw_related":"[{\"id\":114249,\"score\":0.69899999999999995470290059529361315071582794189453125,\"hook\":\"\"},{\"id\":34034,\"score\":0.709400000000000030553337637684307992458343505859375,\"hook\":\"\"},{\"id\":232771,\"score\":0.73099999999999998312461002569762058556079864501953125,\"hook\":\"\"},{\"id\":232675,\"score\":0.71840000000000003854694341498543508350849151611328125,\"hook\":\"\"},{\"id\":232673,\"score\":0.71840000000000003854694341498543508350849151611328125,\"hook\":\"\"},{\"id\":1286735,\"score\":0.69659999999999999698019337301957421004772186279296875,\"hook\":\"\"}]","footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-61881","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized-pt","wpbf-post"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.6 - 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