Cozinha vegetariana pelo mundo: dicas para o viajante que não come carne!
Por: Debbie Corrano
Nós superamos as piadinhas da família e as perguntas aleatórias dos amigos. Desbravamos a cozinha vegetariana, criamos os melhores pratos vegetarianos e até algumas receitas vegan. Mas, mesmo depois de tantas boas dicas e conquistas nessa vida, toda vez que pisamos em um país novo surge aquela questão de sempre: será que isso aqui tem carne?
Depois de mais de dez anos como vegetariana, depois de 17 países visitados e há dois anos viajando sem parar por aí, posso dizer que aprendi na marra algumas dicas que ajudam todos os vegetarianos que querem explorar o mundo sem medo de ser feliz – e não sei pra vocês, mas pra mim ser feliz é sinônimo de comer muito bem! Muitas vezes a solução é chegar em um país novo e fica naquela busca básica dos restaurantes vegetarianos legais, mas a minha paixão mesmo é conseguir comer comida boa em absolutamente qualquer lugar, especialmente restaurantes comuns, que os locais costumam frequentar mesmo. E foi assim que eu criei um plano de ação básico para toda vez que chego em uma cidade nova.
Cozinha vegetariana no avião? Pode sim!
Já vamos começar direitinho aqui: logo que comprar sua passagem de avião, vá para o site da companhia aérea e procure pela opção de personalizar sua refeição – em todas as companhias que viajei até hoje que possuem refeição durante o voo, existe a opção de escolher uma refeição diferente da convencional. Em algumas você encontra opções vegetarianas ocidentais, orientais, só ovo-lacto-vegetariana, veganas e também para quem tem diferentes tipos de alergia. Aí é só mudar no site e pronto – nunca me cobraram nada extra para isso! Além de ser um prato diferente, ela chega antes de todo mundo pra você e até eles terminarem de servir os pratos de todo mundo você já até pegou no sono.
Vocabulário da cozinha vegetariana
Junto com “Olá!”, “por favor”, “com licença” e “obrigada”, meu aprendizado obrigatório logo que chego em uma cidade nova é a palavra “vegetariano”. Na hora do desespero, não preciso aprender a falar “Este prato é vegetariano?” em húngaro, porque eu posso simplesmente apontar e perguntar: “vegetariano?”.
Além disso, como eu costumo morar em cada uma das cidades que passo por pelo menos um mês, também aprendo algumas palavras chave sobre comida. Ao invés de aprender o nome de legumes ou pratos típicos, que costumam ter uma variedade enorme, eu me foco justamente no contrário: aprendo o nome dos animais!
Se aparecer ali “csirke” em Budapeste, ou “poulet” em Paris, já sei que o prato tem frango. E isso acaba ajudando para aqueles momentos que a pessoa que está conversando contigo simplesmente não sabe se um vegetariano come frango ou peixe (sabemos que essas situações são bem comuns). As palavras básicas de vocabulário já fazem uma diferença enorme em qualquer menu que pego nas mãos – além de aprender, para sempre, coisas diferentes em uma língua nova.
Outra coisa bem legal quando você aprende o nome dos principais ingredientes que não come é que isso facilita muito na hora de ir ao supermercado – esse lugarzinho mágico cheio de coisas deliciosas e únicas que podemos cozinhar no hostel. Tá na dúvida se alguma coisa tem carne? Cheque os ingredientes procurando pelos nomes do que você não quer e, na dúvida, agarre o Google Tradutor com toda força.
Aplicativos para encontrar restaurantes com pratos vegetarianos
Um dos aplicativos mais famosos para você encontrar restaurantes com pratos vegetarianos é o Happy Cow, que indica não só os melhores restaurantes totalmente vegetarianos ou veganos, mas também àqueles que tenham coisas para nós, vegetarianos, conseguirmos comer.
Eu sempre usei o Foursquare (e, em alguns lugares do mundo, também uso apps que tenham o menu do restaurante lá dentro, como o Zomato em Lisboa) e caçava essas informações nas dicas ou nas fotos que as pessoas deixavam. E recentemente uma coisa mágica aconteceu: o Foursquare fez uma atualização que, depois que você indica que é vegetariano, o app mostra o que outros vegetarianos acharam dos lugares que você está olhando. Mudou a minha vida! Agora se pelo menos um vegetariano curtiu aquele lugar, tenho certeza que alguma coisinha ali vou conseguir comer. Obrigada, Foursquare!
Além desses dois apps, outro que me ajuda bastante é o clássico Google Tradutor. Baixe o dicionário da língua para o seu celular e, sempre que surgir aquela dúvida crucial, recorra a ele. Já perdi a conta de quantas vezes me salvei de joelhos de porco, fígado e outros pratos exóticos por causa dele.

Aprenda a lidar com a cultura de um lugar
Eu já sabia que quando decidi morar no Sul da Espanha iria sofrer com a culinária de Andaluzia. Os restaurantes tradicionais são sempre um grande problema para nós, vegetarianos. Na dúvida, tente a melhor estratégia em qualquer momento difícil: seja simpático! Não adianta ficar bravo porque até a salada tem carne, é simplesmente uma cultura diferente. Tente encontrar alguém que fale a língua que você fala e peça para ele falar com o chefe do restaurante sobre uma adaptação para alguém vegetariano.
Se der certo, perfeito. Você ganha um prato único ali. Se não der certo, é só ir procurar outro restaurante. Mas, caso a sua companhia queira comer naquele lugar, vale sempre a tentativa, né?
A Espanha foi um país especialmente complicado para uma vegetariana viver por seis meses, e por isso eu até criei um guia no Pequenos Monstros, meu blog, com um guia de sobrevivência para vegetarianos no país. Já vale como lição de casa! ?
Isso me lembra uma outra forma muito simples de conseguir comer bem em alguma cidade: procurar guias criados por pessoas que também não comem carne. Mesmo que a pessoa não fale muito sobre vegetarianismo nas suas redes – como é o meu caso – absolutamente todos os lugares onde comer que ela indicar terão opções para nós no cardápio.
Vegetarianos que comem de tudo, uni-vos!
Eu sempre brinco que como absolutamente qualquer coisa – desde que ela não seja nenhum tipo de carne. Como absolutamente qualquer legume, grão, tempero, molho, massa, doce, salgado, queijo, pão… tudo. Isso, é claro, porque eu tenho sorte de não ter alergia a nada, mas também porque me eduquei há muitos anos que já basta ser vegetariana e deixar algumas experiências de lado por conta disso.
A cada limitação que você cria na sua alimentação, mais difícil vai ser para curtir a culinária de um país. E eu acredito muito sobre aquele ditado que diz sobre como a comida é o reflexo de um povo. Minha escolha de ser vegetariana vale a pena por questões que, para mim, vão muito além do sabor. Só que é apenas isso. Eu como quiabo, cebola, alho, molho picante, frutas no prato salgado, arroz na salada e tudo que vier. Cansei de testar coisas novas em restaurantes tendo certeza absoluta que eu iria odiar – e amar! A cozinha vegetariana é extremamente variada e deliciosa, nosso paladar muda o tempo todo, exatamente como nós, então deixe as limitações em casa antes de sair para viajar. Não é como se você fosse conseguir comer aquele prato diferente em qualquer outro dia da sua vida, né?
Cidades veggie-friendly para visitar
Mas calma! A vida de um vegetariano não é difícil em todos os lugares do mundo. Especialmente em cidades grandes, a cozinha vegetariana já é muito bem difundida e muitos restaurantes tem até aquele símbolo mágico no cantinho do cardápio indicando os pratos vegetarianos que faz a gente chorar de emoção. Viajei muito pela Alemanha e, apesar da maioria dos lugares e restaurantes tradicionais só terem salada de batata ou uma saladinha sem graça para o meu prato, Berlim ganhou meu coração justamente por ter milhares de opções vegetarianas em absolutamente qualquer lugar que eu vou. Barcelona e Madrid também são dois outros lugares que me surpreenderam com a cultura vegetariana quem vem crescendo todos os dias. Em compensação, sofri bastante em Lisboa e Paris – na dúvida, falo de novo: procure por blogueiros vegetarianos que passaram por essas cidades e anote suas dicas antes de chegar por lá.
Eu sou fã número um de experimentar comidas diferentes enquanto viajo e, mesmo que ser vegetariana diminua minhas possibilidades, acho extremamente válido fazer uma busca prévia para experimentar um prato novo sem medo de ser feliz. Posso dizer que comer bem é parte importantíssima de todas as minhas viagens e uma das principais formas que eu conheço um país – ser vegetariana, tendo as ferramentas certas em mãos, não atrapalha em nada essa experiência. ?
Sobre a autora:
Há dois anos Debbie Corrano e Felipe Pacheco colocaram a vida em malas de viagem, pegaram seus dois cachorros e foram morar pelo mundo. Eles já chamaram mais de cinco países diferentes de casa, estão sempre viajando e tendo novas experiências enquanto trabalham pela internet. Os dois contam tudo sobre isso no seu blog, o Pequenos Monstros.
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