Histórias de Sustentabilidade: Dia da Terra – O que a Casa en el Agua nos ensina sobre a sustentabilidade no dia a dia
Ações diárias. Escolhas conscientes. Impacto duradouro.
No Dia da Terra, é fácil concentrarmo-nos em grandes promessas e compromissos ousados. Mas, durante a nossa recente conversa informal com a Casa en el Agua, surgiu uma mensagem simples, mas poderosa: a sustentabilidade constrói-se através da intenção, da consistência e das ações do dia a dia.
A Casa en el Agua é um albergue construído, literalmente, no meio do Mar das Caraíbas. E o que mais marcou não foi apenas a inovação — desde a energia solar e a água dessalinizada até às casas de banho secas e à restauração dos mangais —, mas sim a forma comoessas decisões foram tomadas.
A sustentabilidade na Casa en el Agua não começou com um plano ou uma estratégia a longo prazo. Começou com uma ideia ousada e a vontade de ouvir a comunidade local, o ambiente e o que era realisticamente possível.
Como o cofundador Ronald Hurtado tão bem disse: «A sustentabilidadenão precisa de ser perfeita; só precisa de ser intencional.»E seja em casa ou em viagem, as pequenas escolhas conscientes fazem realmente a diferença.
Um albergue construído com base na escuta

Localizada a cerca de duas horas de barco de Cartagena, a Casa en el Agua situa-se no arquipélago das Ilhas de San Bernardo, na Colômbia. Antes de se tornar um hostel, era simplesmente uma casa a flutuar sobre o mar. Quando o cofundador Ronald Hurtado e os seus sócios a descobriram pela primeira vez, o objetivo não era a sustentabilidade, mas sim a sobrevivência.
«Não sabíamos como viver no meio do oceano», partilhou Ronald. «A comunidade local sabia. Por isso, foi por aí que começámos: por ouvir.»”
A comunidade local, principalmente a do Islote Santa Cruz, vive do mar há centenas de anos. Construir confiança e aprender com eles moldou todas as decisões que se seguiram, desde o abastecimento alimentar e a gestão de resíduos até à energia, à água e ao emprego.
A sustentabilidade na Casa en el Agua não foi imposta; foi aprendida com aqueles que já lá estavam.
Redefinir as operações «normais»
Viver sobre o mar deixa pouca margem para atalhos ou para as operações tradicionais de um albergue. Desde cedo, a equipa percebeu que o que funciona em terra simplesmente não funcionaria aqui.
Os desafios incluíam:
,”469777803″:”left”,”469777804″:””,”469777815″:”hybridMultilevel”}” data-aria-posinset=”1″ data-aria-level=”1″>Sanitas com autoclismo que enviam resíduos diretamente para o oceano[8226]
,”469777803″:”left”,”469777804″:””,”469777815″:”hybridMultilevel”}” data-aria-posinset=”2″ data-aria-level=”1″>Geradores a gasóleo a causar ruído e poluição constantes[8226]
,”469777803″:”left”,”469777804″:””,”469777815″:”hybridMultilevel”}” data-aria-posinset=”3″ data-aria-level=”1″>Água potável comprada e cuidadosamente racionada com baldes[8226]
As soluções práticas incluíram:
,”469777803″:”left”,”469777804″:””,”469777815″:”hybridMultilevel”}” data-aria-posinset=”4″ data-aria-level=”1″>Sanitários secos (inspirados em sistemas da costa do Pacífico da Colômbia) que impediam que os resíduos chegassem ao mar.[8226]
,”469777803″:”left”,”469777804″:””,”469777815″:”hybridMultilevel”}” data-aria-posinset=”5″ data-aria-level=”1″>Os geradores a gasóleo foram substituídos por energia solar, permitindo que o albergue funcionasse de forma silenciosa e limpa.[8226]
,”469777803″:”left”,”469777804″:””,”469777815″:”hybridMultilevel”}” data-aria-posinset=”6″ data-aria-level=”1″>Mais tarde, foi instalado um sistema de dessalinização para converter água do mar em água potável, não só para os hóspedes, mas também para os funcionários e as suas famílias.[8226]
Aescolha, embora pouco familiar ou mesmo desconfortável, era clara: proteger o ecossistema que consideram o seu lar ou arriscar perdê-lo por completo.
Proteger o que está a desaparecer
Um dos momentos mais marcantes da conversa à lareira ocorreu quando Ronald falou sobre as ilhas vizinhas que já desapareceram devido à erosão e às alterações climáticas, que afetam sobretudo as marés.
O que outrora era um arquipélago com mais de uma dúzia de pequenas ilhas encolheu drasticamente. Os mangais que outrora estabilizavam o solo desapareceram, e as aves migratórias têm menos locais seguros para descansar.
Em resposta, a Casa en el Agua lançou umainiciativa de plantação de mangais na ilha vizinha deMangle, trabalhando em conjunto com as comunidades locais, os hóspedes e os parceiros.
O progresso é lento e deliberado. «Isto não é algo que possamos resolver num fim de semana», disse Ronald. «Mas se não começarmos, a ilha deixará de existir.»
Hóspedes como participantes conscientes

A Casa en el Agua não espera que os hóspedes sejam especialistas em sustentabilidade, nem que sacrifiquem o prazer. Os hóspedes estão lá para relaxar, desligar-se e viver uma experiência especial.
O que se espera é consciência.
Cada estadia começa com uma explicação sobre o motivo pelo qual as coisas funcionam de forma diferente, horários marcados para o duche, separação de resíduos e cuidados rigorosos com o ambiente circundante. Não se trata de regras, trata-se de respeito.
Muitos hóspedes levam estas lições para casa, gastando menos água e estando mais atentos ao seu impacto. Outros resistem no início, mas acabam por mudar de perspetiva mais tarde.
«Aqui somos todos hóspedes», lembrou-nos Ronald. «Não só no albergue, mas no planeta.»
A lição MAIS importante: comece aos poucos, comece em casa
Quando questionado sobre que mudança pequena e realista qualquer pessoa poderia fazer para além do Dia da Terra, a resposta de Ronald foi simples: comece em casa.
Tome banhos mais curtos, lave a roupa com menos frequência, feche as torneiras que estejam a pingar, ande a pé sempre que possível e faça o que puder para reciclar corretamente, mesmo quando for inconveniente. Depois, leve essa mesma mentalidade consigo quando viajar.
A sustentabilidadenãopõe as férias em pausa; pelo contrário, viajar muitas vezes amplifica o impacto. O que faz com que as escolhas conscientes sejam ainda mais importantes.
«A sua sustentabilidade não precisa de ser perfeita», disse Ronald. «Só precisa de ser intencional.»
Um lembrete que vale a pena levar consigo
A Casa en el Agua mostra o que é possível quando a sustentabilidade, a criatividade e a comunidade se unem. Não como uma campanha ou mensagem de marketing, mas como um modo de vida e de funcionamento.
Ao refletirmos sobre o Dia da Terra, a história deles oferece algo que nos dá base:
Um impacto significativo não começa com noções de grandiosidade. Começa com decisões do dia a dia, tomadas de forma ponderada, consistente e com cuidado pelas pessoas e pelos lugares à nossa volta.
Todos os dias podem ser o Dia da Terra, se assim o quisermos. 🌱
