Como economizar em uma viagem à Chapada dos Veadeiros

A Chapada dos Veadeiros é o destino perfeito para quem procura dias tranquilos em contato com a natureza. Localizada em Goiás, a região é conhecida por suas paisagens impressionantes que combinam desfiladeiros, cachoeiras e vegetação típica do cerrado. A energia do lugar poderia até ser explicada por todas as forças da mãe natureza, mas o misticismo vai além, já que a Chapada está localizada bem em cima de uma imensa placa de cristal de quartzo e na mesma latitude de Machu Pichu, no Paralelo 14.

Seja qual for o motivo, visitar esse paraíso é altamente recomendável, mas como a maioria dos destinos de beleza natural, visitar a Chapada dos Veadeiros exige um pouco mais das suas finanças. Planejamento na hora de comprar as passagens e se hospedar em uma pousada são o básico do combo de economia, mas podemos ir além dessas estratégias. Por isso, resolvi compartilhar aqui o que aprendi na prática enquanto visitava esse pedaço do paraíso.

Ir de Brasília para a Chapada em transporte compartilhado

Apesar de estar localizado em Goiás, o aeroporto de Brasília é o mais próximo das duas cidades que servem de base para a maioria das pessoas que viajam para a Chapada dos Veadeiros. Os 230 quilômetros até Alto Paraíso podem ser percorridos de carro ou ônibus, mas os 36 quilômetros até o povoado de São Jorge só podem ser feitos de carro. A carona é muito utilizada na região e os motoristas e viajantes podem se encontrar através de grupos no Facebook ou do bom e velho polegar na estrada.

O transporte compartilhado é, sem dúvida, a forma mais barata de chegar à Chapada. O trajeto de ônibus, organizado pela Real Expresso, é feito três vezes ao dia, nos dois sentidos, e custa pouco mais de R$ 100 (ida e volta). De carro, os custos são menores se for em grupo, pois é possível dividir o custo do combustível e do aluguel do carro, se necessário. Por fim, a carona solidária costuma custar ainda menos e dá a oportunidade de conhecer novas pessoas.

Dividir a sua estadia entre Vila de São Jorge e Alto Paraíso

A maioria das trilhas e cachoeiras, incluindo o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, fica mais perto da Vila de São Jorge, mas há atrações imperdíveis mais perto de Alto Paraíso. Quando fui, percebi que dividir a minha estadia seria bom não só para economizar dinheiro com combustível, mas também para economizar tempo. Mesmo que sejam apenas mais 36 quilómetros e 35 minutos de estrada, isso pesa quando se está ao volante depois de horas de condução, por exemplo.

Por isso, planejar os pontos que deseja visitar e dividi-los entre o que fica mais próximo de uma cidade e outra pode ser uma boa estratégia na hora de economizar alguns reais e otimizar seus dias na Chapada.

Vá em (ou pegue um) grupo

Estar com mais pessoas dilui bastante os custos de uma viagem à Chapada dos Veadeiros. Mesmo que você não esteja viajando originalmente em grupo, conhecer pessoas que estão interessadas em ir aos mesmos lugares que você pode representar não só um alívio no seu orçamento, mas também novos companheiros de aventura. Por exemplo, se estiver viajando de carro e ele não estiver cheio, ofereça aquele lugarzinho no banco de trás para alguém que esteja indo para o mesmo lugar que você.

Para além de partilharem o custo da gasolina, podem também partilhar o custo dos serviços do guia. Isso porque em algumas cachoeiras, como a Santa Bárbara, o acesso só é permitido se estiver acompanhado de um profissional credenciado – que cobra cerca de R$ 70 para um grupo de até 10 pessoas. Em outros casos, como a Catarata dos Couros, é altamente recomendável ter a companhia de alguém que conheça a região, pois o caminho até lá é muito mal sinalizado. Nesse caso, os preços começam em R$150, também para um grupo, com o guia no carro.

Os albergues são ótimos lugares para conhecer possíveis companheiros de viagem. Aproveite aqueles momentos nas áreas comuns do local onde está hospedado para conhecer pessoas. Ter o pessoal da receção como aliado também é uma óptima estratégia. Diga-lhes que está à procura de alguém com planos semelhantes e eles terão todo o gosto em fazer de “cupido” nesta situação.

Dê prioridade às atracções gratuitas

A maioria das cachoeiras está localizada em propriedades particulares – o que significa que é cobrada uma taxa de entrada. Os preços variam de R$ 15 a R$ 40 por pessoa e, quando a presença de um guia é obrigatória, esse valor pode aumentar ainda mais. No entanto, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros possui três trilhas e seis cachoeiras com entrada gratuita. Recomenda-se reservar pelo menos dois dias para explorar esses roteiros com tranquilidade.

A única atividade cobrada na reserva ecológica é a Travessia das Sete Quedas, mas percorrer seus 23,5 quilômetros não é tarefa para amadores. Para fazer a trilha, que só fica aberta na época da seca (entre junho e outubro), é preciso fazer reserva e pagar uma taxa de R$ 6 para pernoitar no parque.

Outras opções gratuitas são as Cataratas dos Couros e o trekking Sertão Zen. Embora não seja obrigatório, é recomendável a companhia de um guia credenciado.

Leve lanches na mochila

Algumas cachoeiras possuem uma infraestrutura mais elaborada para receber os visitantes, incluindo bares e restaurantes. Nem é preciso dizer que nesses lugares qualquer lanche será superfaturado, certo? Para evitar gastos desnecessários e não ficar com fome, vale sempre a pena ter um lanchinho na mochila. Frutas fáceis de carregar e comer, sanduíches, biscoitos e água são sempre muito bem-vindos durante e após longas caminhadas.

Apesar de Alto Paraíso ser uma cidade pequena, há supermercados. Eu optei por fazer as compras em Brasília porque tinha tempo para isso e saí com o carro carregado com esses projetos de lancheiras. Vale lembrar também que a mochila deve conter protetor solar, repelente de insetos e uma bolsinha de remédios que podem te salvar em um aperto.

Planear com antecedência para evitar frustrações

Para poupar dinheiro, o planeamento é essencial! Bilhetes comprados e um albergue reservado com antecedência são apenas o começo da viagem. Pesquise as cascatas que pretende visitar e não hesite em pedir a opinião dos habitantes locais.

O seu albergue poderá certamente responder a quaisquer perguntas que possa ter ou dizer-lhe se aquela caminhada que quer mesmo fazer é adequada para a altura do ano em que vai, por exemplo. É sempre bom deixar que a viagem o surpreenda, mas o planeamento ajuda a poupar dinheiro.

Negoceie sempre

Dificilmente você conseguirá negociar o preço do serviço prestado por um guia, mas sempre dá para chorar na entrada das cachoeiras, principalmente se estiver em grupo. É grátis tentar!

Ficar num albergue em Brasília

Como tem o aeroporto mais próximo da Chapada, é provável que voe para Brasília e depois continue a sua viagem. Se acabar passando a noite na capital brasileira, escolha entre os nossos hostels em Brasília. Uma das melhores opções é o Hostel7 Brasília, localizado na Asa Norte.

Hostel7 Brasília

📚 Sobre o autor 📚

Louise Palma é jornalista e está a tirar um mestrado em História da Arte, Património e Cultura Visual no Porto, Portugal. Em 2010, quando fez um programa de intercâmbio em Espanha, teve a oportunidade de viajar pela Europa e, assim que descobriu o prazer de colocar a mochila às costas, nunca mais conseguiu parar. Pode acompanhar as suas aventuras no seu blogue e no Instagram.

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