3 Problemas de Viajar Sozinho e Como Resolvê-los
Por Katrinka Nadworny, do blog Katrinka Abroad.
A primeira vez que viajei sozinha foi por teimosia.
Eu estava decidida a viajar por um mês inteiro depois que meu programa de estudos no exterior terminasse. Quando a amiga que deveria se juntar a mim na última metade desistiu, decidi seguir sozinha.
O começo não foi nada bom.
Problema nº 1 de quem viaja sozinha: ficar doente
Solução: Cuide de si mesma e vá com calma
Passei as duas primeiras semanas em Istambul e, depois de muitas noites em claro e um voo às 2 da manhã para Bratislava, meu corpo estava exausto. Eu planejava pegar um ônibus para Budapeste, mas descobri que o próximo só chegaria daqui a sete horas.
Quando finalmente cheguei a Budapeste, estava tão doente que tinha perdido a voz.
Não foi o começo mais auspicioso para minha primeira viagem sozinha.
Mas algo mágico aconteceu. Apesar de minha voz soar como a de um cavalo moribundo durante minha semana em Budapeste, consegui fazer amigos mesmo estando doente. O pessoal maravilhoso do meu albergue cuidou muito de mim quando entrei cambaleando, delirante, na primeira noite, e, depois de descansar um pouco, acabei me sentindo bem o suficiente para sair e explorar os pubs em ruínas de Budapeste com eles. Fiz amigos durante aquela semana de doença na Hungria com quem ainda mantenho contato, quase seis anos depois.
As coisas podem dar errado a qualquer momento quando se viaja, mas há um desafio específico quando se viaja sozinha. Parece que fico doente com frequência quando viajo, mas, quando estou com um amigo, sei que há alguém para cuidar de mim. Mas ficar doente durante aquela primeira aventura sozinha em Budapeste me ensinou a cuidar de mim mesma… e a tirar o melhor proveito de uma situação ruim.
Foi uma lição que aproveitei quando fiquei doente neste verão em Montenegro — cinco anos depois da minha primeira viagem sozinha em Budapeste. Acabei presa em Kotor, uma linda cidade murada que rapidamente se tornou entediante quando percebi que estava doente demais para ir a qualquer lugar. Mas, mesmo tendo passado a maior parte do tempo em Kotor tentando desesperadamente dormir para me recuperar do resfriado, ainda assim jantei com as pessoas que estavam hospedadas no meu albergue e conversei com todo mundo no meu dormitório.
E, apesar da doença, fiz muitos amigos incríveis com quem mantenho contato próximo, alguns dos quais já vieram me visitar em Istambul. Diminuir o ritmo pode parecer algo horrível quando você está viajando e ansioso para ver tudo, mas cuidar de si mesmo é importante — e você ainda pode fazer amigos!
Problema nº 2 de quem viaja sozinho: deixar que suas inibições e o medo dos outros tomem conta de você
Solução: converse com as pessoas antes de desistir por causa dos seus pensamentos
Viajar sozinho é uma maneira incrível de aprender a lidar com dificuldades pequenas e grandes. Isso pode transformar pequenos inconvenientes em grandes problemas. Pode fazer com que pequenos contratempos pareçam catástrofes enormes. Normalmente, porém, é apenas uma questão de como você percebe a situação.
Por exemplo, neste verão, viajei da Geórgia para a Armênia e a experiência não foi das melhores. Eu planejava pegar um marshrutka, ou táxi compartilhado, para atravessar a fronteira e me garantiram que a viagem não levaria mais de cinco horas. Também me disseram que os marshrutkas entre Tbilisi e Yerevan partiam com frequência. Então, tomei um café da manhã demorado com um amigo do albergue e fui para o ponto de marshrutka à tarde.
Quando cheguei às 15h, alguns homens tentaram negociar o preço da corrida e eu não estava nem um pouco preparada. Fiquei convencida de que estavam tentando me enganar (não estavam, mas só descobri isso muito mais tarde). Então descobri que o marshrutka só partiria às 17h. Passei as duas horas frustrada comigo mesma e tentando evitar o armênio esquisito que tentava puxar conversa de forma desconfortável comigo.
Logo depois que a marshrutka lotada partiu, senti fome, mas tudo o que eu tinha na minha mochila era um ovo cozido. Todo mundo falava russo e armênio, e eu presumi que ninguém falasse inglês (exceto aquele armênio esquisito). Eu estava nervosa demais para tentar falar com alguém e com muita raiva de mim mesma para conseguir relaxar. A viagem durou oito horas e meia. Eu estava me sentindo péssima.
Mas algo interessante aconteceu por volta da sexta hora, quando eu estava morrendo de fome e começando a acreditar seriamente que nunca chegaríamos a Yerevan: as pessoas no marshrutka começaram a falar comigo. Elas falavam inglês e ficaram encantadas em conversar com uma americana. Ofereceram-me pequenos lanches que tinham em suas mochilas. Contaram-me de onde eram, em todos os lugares da diáspora, e mencionaram todas as pessoas famosas com raízes armênias. Quando chegamos a Yerevan à 1 da manhã, eles pagaram meu táxi e se certificaram de que eu chegasse ao meu albergue.
Nessa situação, esqueci uma das coisas mais importantes sobre viajar sozinha: você nunca está realmente sozinha. Viajar sozinho te obriga a se aproximar das pessoas ao seu redor, a conversar com elas, a aprender com elas. Pode ser assustador falar com estranhos ou pedir ajuda a alguém que talvez nem fale o seu idioma. Mas a recompensa compensa qualquer desconforto inicial.
Problema nº 3 de quem viaja sozinho: ser enganado
Solução: Planeje com antecedência e se prepare
Embora o marshrutka com destino a Yerevan não tenha me cobrado a mais, não consegui sair do Cáucaso sem ser enganado. Eu precisava ir de Tbilisi, na Geórgia, até Kars, na Turquia; embora soubesse que a viagem era possível, não sabia exatamente como chegar de uma cidade à outra. Achei que meu albergue poderia me ajudar.
Mas, apesar da proximidade das cidades, ninguém parecia saber como chegar a Kars. O albergue me deu algumas orientações iniciais e garantiu que, assim que eu chegasse ao terminal de ônibus, alguém lá saberia como chegar a Kars.
Ninguém sabia. Ou, pelo menos, acho que ninguém sabia — quase ninguém naquele pequeno ponto de ônibus na Geórgia falava inglês.
Quando um motorista de táxi se ofereceu para me levar a um lugar onde eu pudesse pegar um ônibus, aceitei na hora. Mas não foi bem isso que aconteceu.
Em vez disso, ele me levou a um posto de gasolina bem perto da fronteira entre a Geórgia e a Turquia, onde não tive escolha a não ser pagar mais do que deveria a um amigo motorista de táxi dele, e esse cara me levou para o outro lado da fronteira — nem mesmo para Kars, mas para uma cidade perto de Kars.
Foi uma grande confusão.
Se eu tivesse pesquisado com antecedência e realmente descoberto a melhor maneira de ir de uma cidade à outra, não teria me encontrado naquele posto de gasolina na fronteira, me xingando por ter me metido nessa situação por burrice. Confiei que outra pessoa saberia como chegar lá… Eu precisava me preparar!
Vale a pena viajar sozinha? SIM!
Já passei por tantas situações que foram mais difíceis por estar sozinha — meus sapatos se desfazendo nos arredores de uma cidade desconhecida, me perder de forma absurda, lidar com a companhia aérea que perdeu minha reserva e não me deixou embarcar no avião. Lidei com todas essas situações mantendo uma perspectiva positiva e um espírito de aventura. A vida pode te apresentar muitas situações malucas, e quando você está viajando sozinho, elas podem parecer muito mais difíceis.
Mas, no fim das contas, são essas experiências que se transformam nas melhores histórias e te ajudam a se tornar um viajante mais confiante. Porque quando você fica doente em um país estrangeiro pela segunda vez… ou pela terceira… ou pela quarta… você sabe o que fazer.
Que problemas você já enfrentou ao viajar sozinho e como conseguiu resolvê-los? Conte para a gente nos comentários…
Fotos 2, 3 e 4 c. Katrinka Nadworny


