Porque é que deve definitivamente tirar uma licença sabática ou um ano sabático


Decidi tirar um ano sabático em outubro de 2014, quando tinha 29 anos. Era algo que queria fazer antes de fazer 30 anos, e tenho a certeza de que já devem estar a adivinhar que foi a experiência mais fantástica da minha vida até agora!
Deixem-me explicar um pouco o cenário. Na altura, tinha um emprego muito bom de que gostava. Preocupava-me que o facto de tirar todo aquele tempo de férias pudesse prejudicar as minhas oportunidades profissionais, mas, na verdade, enriqueceu o meu CV. Lembro-me de quando tive de contar aos RH a minha decisão (estava morta de medo). Mas, em vez de pensar que eu estava louca, o meu representante de RH disse-me que eu era muito corajosa, que ia ser fantástico e que, quando voltasse, seria capaz de arranjar facilmente um novo emprego. Recebi muitas reacções diferentes das pessoas, mas, na verdade, a maioria delas foi positiva.
Não tinha companheiro nem filhos (ao contrário de alguns dos meus amigos que já eram casados e tinham um segundo filho a caminho), por isso não tinha ninguém que me obrigasse a ficar em Lima. Tinha poupado dinheiro suficiente para poder fazer um mochilão durante 1 ano. Quando comecei a pensar no que me iria custar, apercebi-me que na Europa de Leste ou na Ásia gastaria menos do que gasto atualmente na minha cidade natal! Toma lá, pessoal que acha que viajar é demasiado caro! 😉 Para vos dar um valor aproximado, no Sudeste Asiático gastei cerca de 1000 USD por mês em transportes, alojamento e alimentação.
Viajar era a minha paixão! Até essa altura, já tinha viajado por cerca de 20 países, em férias, em trabalho, etc. Mas eu queria desesperadamente mais. Porquê contentar-me com menos?! Por isso, decidi tirar um ano de férias. E sabem o que descobri? Há muuuuita gente a fazer exatamente o mesmo! Havia até viajantes que o faziam em idades muito mais jovens.

Como na maior parte dos sítios, crescer em Lima, no Peru, veio com uma ideia estabelecida de como a vida deveria ser. A escola acaba aos 17 anos e, depois, a vida termina aos 18. A escola termina aos 17 anos, e depois é só universidade e trabalho focado na carreira. Para além de tudo isso, há toda a pressão para casar, ter filhos, manter a vida social em dia. Obrigações a torto e a direito.
Decidi que não ia deixar que nada me atrapalhasse e fui para as Cameron Highlands, na Malásia, em maio de 2015, onde conheci um grupo incrível de alemães, neozelandeses e australianos, todos a fazer o mesmo tipo de viagem. Tinham na sua maioria vinte e poucos anos e, enquanto viajavam de autocarro, explicaram-me que nos seus países era totalmente normal tirar um ano de férias logo a seguir à escola e ir viajar. Não sentiam qualquer pressão para se apressarem a trabalhar nas suas profissões. Alguns deles tinham trabalhado em dois empregos ao mesmo tempo durante o verão, só para poupar dinheiro para as suas viagens.

Sonhava um pouco só de pensar em mim nessa idade e só conseguia pensar que talvez se tivesse começado a preparar-me um pouco mais cedo! Mas, em vez disso, estava concentrada no trabalho em vez de investir numa viagem. Na idade deles, também estava numa relação duradoura e, talvez em parte devido à pressão da sociedade, os meus planos para o futuro envolviam um potencial casamento e filhos, comprar um apartamento juntos, etc. E pensar que estaria a viajar pelo mundo aos 29 anos…? Nunca teria imaginado!
Conversar com aqueles rapazes era fascinante. Eram tão jovens mas tão maduros e fizeram-me perceber que muitas pessoas não têm tempo para parar e aproveitar ao máximo o dia de hoje. Toda a gente está sempre tão ocupada a preocupar-se com a escola, com as poupanças, com os planos para o futuro, etc. E o AGORA? E o AGORA?!
À medida que fui conhecendo estes grandes viajantes, perguntei-lhes porque não estavam sempre a preocupar-se com as suas carreiras. Não tinham medo de encontrar trabalho? Eles, por sua vez, perguntaram-me porque é que era TÃO importante no meu país trabalhar imediatamente nessas coisas. Não me interpretem mal, estes tipos não eram de todo preguiçosos. Estavam simplesmente a aproveitar alguns meses antes de começarem a sua próxima fase da vida. Quanto mais tentava justificar porque é que as pessoas têm tanta pressa em começar as suas carreiras, mais não conseguia. Já não fazia tanto sentido para mim.
Deixei um emprego para ir viajar e agora tenho outro que adoro e, pelo meio, conheci mais de 30 países! Os futuros empregadores não me rotularam de hippie. De facto, em cada entrevista, pude falar sobre como as minhas viagens me ajudaram a desenvolver competências e qualidades que talvez nunca tivessem sido desenvolvidas se tivesse ficado quieto. Além disso, o meu inglês melhorou imenso, pois é frequentemente a língua mais fácil e universal entre os viajantes.


Se és jovem, porque não fazer uma pausa antes de ires para a universidade? Porque não fazer uma pequena pausa? Ou porque não aproveitar um pouco de tempo entre a universidade e o trabalho a tempo inteiro para viajar? Juro que não vais perder nada de vital. Prometo que tudo na tua cidade estará mais ou menos na mesma quando regressares. Além disso, verás que vais viver uma experiência incrível num curto espaço de tempo, que não mudará muito no teu país.
Talvez possas concentrar-te em poupar agora! Trabalhar num restaurante, trabalhar como freelancer e, de um modo geral, fazer alguma coisa para adquirir o hábito de poupar dinheiro durante alguns meses ajudará muito. Algumas pessoas também vão de país em país a trabalhar em albergues (se tiveres dinheiro suficiente para ires de um sítio para outro), por isso é outra forma de esticares a tua viagem. Se, por um segundo que seja, sentires que talvez haja mais para gostar do que apenas pagar contas, então porque não ires atrás desses teus sonhos? 🙂
Como tantas pessoas em todo o mundo tentam fazer, procurem aproveitar o AGORA. É claro que não estou a dizer que estudar e ter uma carreira não é importante. Estou simplesmente a dizer que a vida é demasiado curta para não a misturar um pouco e viver algumas aventuras que mudam a vida.
AnaLucia é peruana, tem 30 anos e, no final de 2014, decidiu sair da sua zona de conforto e ir realizar o seu sonho de dar a volta ao mundo. Já esteve em quase 50 países, mas como o bichinho das viagens é insaciável, agora sonha em ir descobrir o Médio Oriente e África muito em breve.
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