Passaportes e livros cativantes: os melhores destinos para os amantes de livros
Os livros são os melhores amigos de quem viaja de mochila às costas. Como é que nos daríamos conta dessas viagens de autocarro de 30 horas e dessas escalas entediantes nos aeroportos sem eles? Claro, sabemos que têm os vossos smartphones, mas e quando as baterias ficam descarregadas, a ligação é péssima e há custos de roaming – será que os nossos adorados livros alguma vez nos fariam isto? Além disso, qualquer viajante que seja um rato de biblioteca sabe que os livros são a melhor forma de evadir-se quando não há nenhuma aventura à vista! Para levar a nossa obsessão a um novo nível, reunimos os melhores destinos para os amantes de livros, onde podemos explorar as nossas histórias favoritas na vida real.

📍Santiago, Chile 📷 @leti389
1. Londres, Inglaterra – As Aventuras de Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle
Não há dúvida de que Londres é um dos melhores destinos para os amantes de livros, tendo sido o lar de nomes como Virginia Woolf, Charles Dickens e George Orwell. Mas nenhum endereço é tão famoso como o 221B Baker Street, o apartamento partilhado pelo detetive mais amado do mundo e pelo seu fiel companheiro Watson. Criado já na década de 1880, a popularidade de Sherlock Holmes resistiu ao teste do tempo, com fãs de todo o mundo a dirigirem-se a Londres no encalço do lendário detetive.

📍Londres 📷@diariodeunapseudoviajera
O primeiro local onde deve procurar pistas é a morada real de Sherlock, que agora foi transformada num museu com interiores que correspondem exatamente à descrição de Doyle. Dê um passeio pelo vizinho Langham Hotel, um local que acolheu jantares entre Doyle e Oscar Wilde, os quais resultaram na criação de Dorian Gray. Depois, passe pelo The Sherlock Holmes Pub em Charing Cross, um tradicional pub britânico que tem uma recriação do escritório de Holmes e Watson no andar de cima, repleto de objetos e fotografias que o proprietário vem colecionando desde os anos 50. A British Library é o sonho de qualquer bibliófilo e foi também onde Holmes realizou as suas investigações de detetive, pelo que pode seguir os seus passos enquanto se deleita com uma coleção de livros maravilhosamente organizada. Se procura uma livraria mais discreta, a «Word on the Water» é uma lojinha adorável numa barcaça fluvial com um cão residente. E embora não estejam relacionadas com o Sherlock, nenhum verdadeiro nerd dos livros deve ir a Londres sem visitar o Museu de Charles Dickens ou a Plataforma 9¾de King’s Cross !

📍Word on the Water 📷@astaclivo
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2. Transilvânia, Roménia – Drácula, de Bram Stoker
Basta dizer a palavra «Transilvânia» para que a maioria das pessoas pense imediatamente em vampiros, graças a um dos vilões mais icónicos de todos os tempos: o Drácula de Bram Stoker. Isso porque esta região mística da Roménia serve de cenário ao início do romance, quando o Conde Drácula atrai o pobre e ingênuo Jonathan Harker para o seu castelo e passa a mantê-lo prisioneiro, a banquetear-se com o seu sangue e a ser simplesmente assustador, antes de atravessar o mar para semear o caos em Inglaterra.

📍Castelo de Bran📷@nomadicjulien
Claro que tudo isto não passa de uma história – certo? Mas então o que levou o autor irlandês a escolher a pacata zona rural romena como cenário de um dos contos mais aterrorizantes de sempre? Bem, o Conde foi vagamente inspirado no sanguinário governante romeno do séculoXV, Vlad, o Empalador, cujo nome deriva do facto de o empalamento ser o seu método preferido de execução (*estremece*). Ele nasceu na cidade de Sighișoara, que é tudo menos assustadora, com os seus edifícios coloridos como um arco-íris, a sua cidade fortificada de estilo antigo e as suas ruas de calçada. Pode visitar a casa amarela brilhante onde o verdadeiro Vlad nasceu, que agora funciona tanto como museu como restaurante kitsch dedicado aos vampiros. Na cidade vizinha de Brașov encontra-se o Castelo de Bran, o imponente monumento que alguns consideram ter sido a inspiração para o castelo do Drácula, uma vez que é o único na Roménia que corresponde à descrição de Stoker. Quer acredites ou não, visitar o Castelo de Bran, sentir-te arrepiado nos seus corredores escuros e imaginar que és o Jonathan preso nas suas torres é uma experiência imperdível na Transilvânia.

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3. As Pirâmides de Gizé, Egito – *O Alquimista*, de Paulo Coelho
«O Alquimista» é um romance brasileiro que se tornou um clássico internacional e que acompanha um pastor espanhol chamado Santiago numa viagem espiritual. Ele viaja da sua casa na Andaluzia, atravessa Marrocos passando pela cidade de Tânger, atravessa o Deserto do Saara até ao Egito e segue para o seu destino final: as Pirâmides de Gizé. Hum, olá à nossa rota de mochileiro de sonho! Tal como nós na nossa primeira viagem à volta do mundo, Santiago descobre verdades sobre si mesmo, aprende com as pessoas que encontra e regressa a casa com a mente e a alma enriquecidas. Quem se identifica, levante a mão!

📍Luxor, Egito📷@micaellcgorge
As Pirâmides de Gizé não são apenas um dos melhores destinos para os amantes de livros; estas maravilhas antigas são imperdíveis para qualquer viajante. Podem até seguir os passos do próprio Santiago! Se quiseres começar na Andaluzia, Sevilha é uma cidade tipicamente espanhola que respira tradição, com ruelas de azulejos, arquitetura que parece saída de «Game of Thrones» (literalmente) e uma grande variedade de tapas e sangria no menu. Tânger será a tua porta de entrada para África, uma cidade costeira de edifícios brancos, locais para praticar surf e albergues fantásticos, como o refúgio hippie «The Melting Pot Rooftop Hostel», que oferece vistas espetaculares sobre a medina e a baía. Depois, segue-se para o Deserto do Saara e, a sério, se acampar aqui sob as estrelas não está na tua lista de desejos de viagem, então tem de ser atualizada imediatamente! A última maravilha do mundo antigo ainda existente é um final digno para uma aventura tão épica. Magníficas e misteriosas, ver estes ícones pela primeira vez é um momento que nunca irás esquecer.

📍Pirâmides de Gizé 📷@protonomous
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4. Paris, França – «Os Miseráveis», de Victor Hugo
«Os Miseráveis» é uma das melhores histórias de sempre, um livro gigantesco de 1200 páginas que acompanha a vida do heróico Jean Valjean e de um elenco de outras personagens na França do século XIX, tendo como pano de fundo a pobreza, a rebelião e a revolução — ouves o povo a cantar? Prepara-te para derramar algumas lágrimas e exercitar os bíceps ao levantar este monstro (não contamos a ninguém se optares pelo atalho e vires o filme…)

📍Paris📷 @anafcastro
Paris mudou muito desde os tempos de Hugo — hoje em dia, há mais moda e macarons do que barricadas e tiros de canhão — mas, felizmente, ainda há algumas partes da cidade onde podes dar asas ao teu revolucionário interior. Os bistrôs do Quartier Latin sempre foram um ponto de encontro preferido dos estudantes e não é difícil imaginar o Marius e companhia a conspirar para derrubar as classes altas aqui. Le Marais é um bairro giro, hoje repleto de lojas vintage e cafés, que ocupava um lugar especial no coração do escritor. Aí encontrará a igreja de Saint-Paul-Saint-Louis, que não só foi o local onde Marius e Cosette se casaram, como também onde a própria filha de Hugo se casou — que fofura! Mesmo ao virar da esquina, a Maison de Victor Hugo é a antiga casa do escritor, agora transformada num museu que mostra as obras e as paixões da sua vida. O Musée des Égouts (museu dos esgotos) pode não parecer muito glamoroso, mas oferece um passeio a pé fascinante pelo sistema de túneis subterrâneos. Lembras-te da cena em que Valjean arrasta Marius pelos esgotos para um local seguro? É isso mesmo, mas com menos nojo.

📍 Livraria Shakespeare and Company, Paris📷 @suitcaseonmysleeve
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5. Las Vegas, EUA – «Medo e Delírio em Las Vegas», de Hunter S. Thompson
Se já estiveste em Vegas, é provável que te lembres de mais coisas do que o Raoul e o Gonzo em «Medo e Delírio»… ou talvez não! Este romance bizarro reune as memórias nebulosas de uma aventura alimentada por drogas que envolve acidentes de carro, quartos de hotel destruídos e alucinações insanas, sem qualquer ordem específica. Tal como a maioria das viagens à Cidade do Pecado, é uma aventura louca que não faz muito sentido. O que acontece em Vegas, fica em Vegas – especialmente se não te lembrares!

📍 Las Vegas📷 @daniilvnoutchkov
Já deves ter visto um milhão de fotos de Las Vegas, mas não há comparação com a experiência real. Não é preciso LSD para te sentires psicadélico sob as luzes deslumbrantes da Strip ou no meio da selva de néon que é a Fremont Street. Podes até pensar que estás noutro continente quando avistas a Torre Eiffel de Las Vegas, ou as gôndolas a navegar pelos «canais» do hotel Venetian (super turístico, sim, mas a 16 dólares por viagem são muito mais baratas do que as verdadeiras!) Para explorar o lado de Las Vegas preferido pelos locais, longe dos casinos ostentosos, dirija-se ao Arts District e descubra galerias temporárias, boutiques independentes encantadoras e uma mistura eclética de bares. Por falar em arte, não deixe de visitar as Seven Magic Mountains. Não, não estás a alucinar, são mesmo sete torres de rochas fluorescentes no meio do deserto!

📍 Seven Magic Mountains📷 @jannaonajaunt
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6. Kerala, Índia — «O Deus das Pequenas Coisas», de Arundhati Roy
Muitas pessoas consideram Kerala o estado mais bonito da Índia, e isso salta à vista nas páginas desta história encantadora. A escrita descritiva de Arundhati Roy consegue transportá-lo pelo mundo — as cores vivas dos saris a esvoaçar, os aromas de coco e banana a fritar, o sabor dos caris picantes e o som das ondas a bater nas margens do rio. «O Deus das Pequenas Coisas» é deslumbrante e trágico ao mesmo tempo, uma vez que aborda questões difíceis como a pobreza e o sistema de castas indiano. Não vamos revelar nada, mas se estiver a planear uma viagem à Índia, esta é uma leitura recomendada!

📍 Backwaters de Allepey📷 @kyranlow
Embora se passe numa versão ficcionalizada da aldeia onde a escritora cresceu, há alguns locais reais mencionados no livro que pode visitar. A verdadeira casa da personagem Kari Saipu é guardada por papagaios, martins-pescadores e corvos-marinhos no Santuário de Aves de Kumarakom, e a importantíssima «History House» é um bungalow colonial agora escondido num retiro luxuoso que não é propriamente acessível — bolas! No entanto, há tantas outras coisas fantásticas para fazer em Kerala que são baratas como batatas fritas. Fazer um passeio num barco de arroz pelos canais de Alleppey ou caminhar pelas colinas de Munnar são as nossas principais sugestões para observar a vida selvagem e desfrutar de vistas incríveis. Kovalam é uma pequena vila com um ambiente hippie, repleta de surfistas e com a melhor praia de todo o estado, o que já diz muito. Não partas sem visitar uma quinta de especiarias, ou nunca conseguirás recriar aquele caril de peixe que comeste enquanto admiravas o pôr-do-sol sobre o oceano…

📍 Munnar📷 @thelosthostels
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7. Teerão, Irão – Persépolis, de Marjane Satrapi
Persépolis é uma série de romances gráficos que conta a história da infância da autora Marjane Satrapi, que cresceu no Irão durante a revolução islâmica da década de 1980. Ela e a sua família sofrem com a ascensão do extremismo e ficam devastadas ao ver a sua cidade e o seu país destruídos pela guerra. Na adolescência, Marjane descobre a filosofia e o feminismo, rebela-se faltando à escola e frequentando o mercado negro, antes de se mudar para Viena e, por fim, regressar ao Irão na segunda banda desenhada da série.

📍 Biblioteca Pública de Teerão📷 @omidarmin
A Teerão de hoje está em plena efervescência e assemelha-se à cidade vibrante e emocionante de que os pais de Marjane se lembram. É a região mais progressista e secular do país, que acolhe universidades, museus e locais culturais de nível mundial. A jovem Marji teria ficado encantada ao ver o primeiro hostel do Irão gerido por uma mulher, o HI Tehran Hostel, a abrir na sua cidade! À medida que Teerão se tornou mais liberal, a sua cultura de cafés cresceu, com a cidade repleta de cafés acolhedores, perfeitos para uma tarde de leitura. Os amantes da leitura têm de visitar o Tehran Book Garden, uma das maiores livrarias do mundo, que dispõe de livros de todos os géneros, idiomas e épocas. Tem até um jardim arborizado para leitura no telhado e uma zona de food trucks! Se quiseres conhecer a Teerão retratada no filme «Persépolis», o Museu da Revolução Islâmica e da Defesa Sagrada oferece uma lição imersiva e criativa sobre a história iraniana. Claro que nenhuma visita a Teerão está completa sem se perder no Grande Bazar, um labirinto extenso de bancas de mercado que vendem de tudo, desde tapetes persas a kebabs de borrego. Mesmo que não tenhas intenção de comprar nada, é imperdível apenas para admirar os azulejos coloridos e observar as pessoas a partir de uma casa de chá.

📍Grande Bazarde Teerão📷@omidarmin
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8. Moscovo, Rússia – «Anna Karenina», de Leo Tolstói
Uma lista dos melhores destinos para os amantes de livros que não incluísse a Rússia seria um absurdo. É a terra natal de grandes nomes da literatura: Dostoiévski, Pushkin, Gorki e, claro, Tolstói, autor de «Guerra e Paz» (prometemos que um dia o vamos ler!) e da obra-prima que é «Anna Karenina». «Anna Karenina» é um romance extenso que acompanha a personagem principal entre Moscovo e São Petersburgo, enquanto ela se move no meio da aristocracia russa da década de 1870.

📍Catedral de São Basílio📷@nikolayv
150 anos depois, Moscovo não é nem um pouco menos majestosa do que Tolstói a descreveu. No coração da cidade, a Praça Vermelha parece ter ficado congelada no tempo, e não é difícil imaginar Anna a passear graciosamente por entre as cúpulas mágicas da Catedral de São Basílio. Para um encontro com Tolstói, os amantes da leitura devem visitar a Propriedade-Museu de Tolstói, a casa do escritor onde este escreveu vários romances, bem como o Museu Literário de Tolstói, que tem uma exposição inteira dedicada a «Anna Karenina», além de manuscritos, cartas e fotografias de família da vida de Tolstói. Se quiser seguir os passos da própria Anna, há vários locais do romance que pode visitar na Moscovo de hoje. Há a pista de gelo junto ao Planetário de Moscovo, onde Lenine e Kitty patinam juntos; o comboio entre Moscovo e São Petersburgo, onde Anna viaja frequentemente mergulhada nos seus pensamentos; e, claro, a estação ferroviária de Moscovo, onde a história chega ao seu final comovente (não se preocupe, sem spoilers). Existe até uma adaptação do romance para ballet que pode assistir no mundialmente famoso Teatro Bolshoi de Moscovo — a vida no seu melhor.

📍Mercado Izmailovo de Moscovo📷@okhairani
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9. Cartagena, Colômbia – «O Amor nos Tempos do Cólera», de Gabriel García Márquez
Paris pode ser conhecida como a cidade mais romântica do mundo, mas Cartagena dá-lhe forte concorrência. Casas coloniais coloridas com varandas enfeitadas de flores preenchem a cidade fortificada, onde carroças puxadas por cavalos trotam pelas ruelas estreitas. Os sons da música salsa e o tilintar dos sinos flutuam no ar e, se estiveres na cidade num sábado, poderás avistar um casamento com um vestido branco a sair de uma das igrejas. A sério, é impossível não se apaixonar por esta cidade. Não é de admirar que Cartagena tenha inspirado o escritor colombiano Gabriel García Márquez a escrever o seu épico romântico!

📍Cidade Amurada📷@luisvidal_18
A histórica cidade fortificada de Cartagena é de uma beleza indescritível, mas deve contar com grandes multidões e preços elevados. Para explorar a verdadeira Cartagena, passe algum tempo no bairro de Getsemani, tão querido por García Márquez, a parte da cidade onde ele viveu enquanto jovem escritor. Tem um ambiente boémio, com arte urbana por todo o lado, músicos a tocar e locais a beber ao ar livre na praça, além dos hostels mais fixes da cidade. Não deixes de visitar o Café Havana, um local lendário da vida noturna com ritmos cubanos e alguns dos melhores mojitos que alguma vez provarás. A vizinha Plaza Bolívar é um local onde García Márquez passava muito tempo a pensar e a escrever, já que o revolucionário venezuelano Simón Bolívar era um dos seus heróis. É aqui que se encontra a «Arcada dos Escribas» do romance, o local onde Florentina escrevia cartas de amor para quem não sabia escrever! E se for até à Plaza Fernández de Madrid, também conhecida como Parque dos Evangelistas, poderá avistar a casa de Fermina — a casa branca coberta de trepadeiras, com uma varanda arborizada e uma aldrava em forma de papagaio.

📍Getsemani📷 @gardnerjorge
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A nossa lista dos melhores destinos para os amantes de livros já te fez ir à biblioteca ou procurar voos? Se precisares de nós, estaremos a fazer as duas coisas. Se já alguma vez embarcaste numa aventura inspirada na literatura, queremos saber mais sobre isso nos comentários!
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