O melhor itinerário pela África do Sul para mochileiros

«Hamba Kahle»(boa viagem), «vamos fazer um braai» ( churrasco) e «foi tão lekker»(fantástico/bom/saboroso) são apenas algumas das expressões que irá ouvir na mistura de línguas assim que aterrar na África do Sul. Com onze línguas nacionais e grupos culturais a condizer, a África do Sul é um viveiro cultural caótico que o fará cantar com os zulus e fazer um braai com os afrikaaners antes mesmo de a sua viagem terminar. Apelidada de «Nação Arco-íris» pela sua diversidade cultural, a paisagem natural do país é igualmente diversificada, com cenários espetaculares. Desde desertos a florestas, montanhas a pradarias e uma costa longa e variada, um itinerário de duas semanas pela África do Sul vai fazer-te riscar itens da tua lista de desejos mais depressa do que consegues escrevê-los. Vamos lá!

📷@timalanjohnson

Itinerário pela África do Sul – 2 semanas

Dias 1 a 5:Cidade do Cabo

Carinhosamente apelidada pelos locais de «Cidade-Mãe», a Cidade do Cabo é um destino turístico em franca expansão na África do Sul e provavelmente o local mais acessível para os mochileiros se familiarizarem com o país. Embora alugar um carro seja sempre a melhor opção para se deslocar na África do Sul, a Cidade do Cabo dispõe de um sistema de autocarros seguro e prático, chamado MCiTi, que o leva à maioria dos locais de interesse. Caso contrário, o Uber é a sua opção económica e prática, e a melhor escolha para se deslocar à noite. A cidade estende-se em torno da icónica Montanha da Mesa e ao longo da costa atlântica, tendo como pano de fundo a cordilheira Cape Fold Belt. Centenas de trilhos naturais, piscinas naturais cristalinas, desportos aquáticos e atividades de aventura são facilmente acessíveis a partir de qualquer ponto da cidade, tornando-a um paraíso para os amantes da natureza e os viciados em adrenalina.

📷@austindistel

Para quem prefere conhecer um país através da gastronomia e das bebidas, a Cidade do Cabo é o destino ideal. Possui várias quintas vinícolas pitorescas que oferecem degustações económicas de alguns dos melhores vinhos do mundo. As que se situam na Rota do Vinho de Constantia são de tirar o fôlego, com vistas espetaculares e um ambiente descontraído. O autocarro MyCiTi leva-o até lá e, dependendo da quantidade de vinho que beber, pode ir de uma exploração para outra à medida que avança. A Cidade do Cabo também tem imensos mercados ecléticos e uma infinidade de opções gastronómicas económicas para mochileiros com orçamento reduzido. O Old Biscuit Mill Market, em Woodstock, é muito popular, e o bairro está repleto de lojas vintage e cafés artesanais. O Cape Point Vineyards Noordhoek Community Market é um mercado de comida e vinho com vistas panorâmicas do pôr-do-sol sobre os vinhedos e o lago, enquanto o Oranjezicht City Farm Market é um local acolhedor e central para comprar alimentos frescos diretamente da quinta. Para a melhor dose de cafeína, o Truth Coffee é um café de renome mundial que funciona também como uma experiência imersiva de estilo steampunk. Num dia quente, o seu café gelado é imbatível.

Elevando-se sobre a cidade, a Table Mountain é o orgulho dos habitantes da Cidade do Cabo e, embora seja possível vê-la praticamente de qualquer lugar, as vistas a partir do cume são inigualáveis. Não te preocupes se deixaste as tuas botas de caminhada em casa, pois há um teleférico que te leva até ao cume plano e é facilmente acessível com o autocarro MyCiTi. Existem várias rotas para subir a Table Mountain, desde uma subida relativamente fácil por escadas rochosas até uma escalada arriscada pelas falésias. Escolha o trilho que melhor se adequa ao seu nível de aptidão física e ao seu espírito aventureiro! A rota de caminhada mais popular, segura e fácil é a que sobe pelo desfiladeiro de Platteklip, que começa perto da estação do teleférico. Esta trilha é moderadamente fácil, com apenas degraus, e muitas oportunidades para recuperar o fôlego enquanto finges admirar a vista. As vistas panorâmicas e a sensação de bem-estar quando chegas ao topo fazem com que tudo valha a pena.

 📷@renateeriksen

Para mergulhar na cultura malaia do Cabo, visite o histórico e colorido bairro de Bo-Kaap, um conjunto peculiar e alegre de casas que datam da década de 1760, cujas cores do arco-íris poderá reconhecer em muitos feeds do Instagram. Este bairro multicolorido, anteriormente conhecido como o «Bairro Malaio», foi construído como alojamento arrendado para escravos da Malásia, da Indonésia e do resto de África. Estas pessoas eram conhecidas como «Cape Malays» (malaios do Cabo), e dos seus descendentes surgiu uma cultura distinta. As «huurhuisjes» (casas de aluguer) eram brancas quando os escravos lá viviam. Quando conseguiram comprar propriedades, acredita-se que, para celebrar a sua liberdade, pintaram as suas casas com cores vivas. Muitas famílias malaias do Cabo vivem nestas casas há várias gerações e Bo-Kaap é um local de visita obrigatória para começar a compreender o património cultural da África do Sul. Se quiser aprofundar os seus conhecimentos, a Cape Fusion Tours oferece um fantástico curso de culinária de meio dia sobre a gastronomia malaia do Cabo.

 📷@claudiofonte

O centro da cidade é caótico, com vendedores ambulantes a gritar «água mineral para a sua filha» ou «mangas, mangas — onde quer que haja uma mulher, lá vai o homem!» — simplesmente passear por lá já é uma experiência. Dá um passeio pela Long Street, uma zona descolada com arte urbana impressionante, lojas vintage e bares animados com grandes esplanadas, ideais para observar as pessoas. Tem cuidado com os carteiristas nesta zona, pois é uma rua famosa por ser fácil de te roubarem o telemóvel. Dirija-se à Green Market Square para regatear os preços de obras de arte africanas feitas à mão, ou ao V&A Waterfront para um passeio de barco ao pôr-do-sol ou um almoço com vista para o porto. Passe pelo «Yours Truly» na Kloof Street, um café/bar repleto de mochileiros e locais a partir das 17h todas as tardes, para terminar o dia com uma cerveja gelada no terraço ajardinado do andar de cima. Mais adiante fica a Kloof Street House, um mundo de fantasia visual que o fará sentir-se como se tivesse caído pela toca do coelho diretamente para um romance de Lewis Carroll — a comida fantástica é apenas um bónus.

Se alugaste um carro, o circuito da Península do Cabo é uma espetacular mini viagem de carro que pode ser feita num dia e está repleta de pontos turísticos e atividades. Se o tráfego local imprevisível for demasiado intimidante, podes dividir a viagem e usar o Uber para te transportares de um lado para o outro (o autocarro MyCiTi não circula por aqui). Dirija-se à praia de Muizenberg, a primeira paragem do circuito. Aqui pode desfrutar das águas mais quentes e das ondas pequenas, que tornam este local perfeito para surfistas iniciantes — pode alugar fatos de mergulho e pranchas a preços acessíveis e aprender por conta própria, ou marcar algumas aulas. Muizenberg tem um ambiente descontraído e descontraído, em contraste com as outras praias glamorosas nos arredores da Cidade do Cabo. Kalk Bay é a aldeia seguinte e é pitoresca e idílica, repleta de cafés acolhedores, lojas de roupa de praia de marca e o famoso Kalkys — o melhor fish and chips da Cidade do Cabo.

Praia de Muizenberg 📷 @_entreprenerd

A partir de Kalk Bay, dirija-se à Praia de Boulders (R160/£8) e visite os pinguins — não os do Ártico, mas sim os africanos, que cheiram mal mas são incrivelmente fofos. Fica atento também às baleias e aos golfinhos. Se não estiveres a conduzir, termina o teu dia na vizinha Simons Town; caso contrário, a viagem de regresso de Uber pode sair cara. A partir de Boulders Beach, a estrada continua ao longo da costa em direção a Cape Point e ao Cabo da Boa Esperança, passando por uma grande reserva natural (entrada R320/£15) que se estende desde a ponta mais meridional da península até à Table Mountain. O percurso continua passando por uma bela cidade costeira após a outra, com muitas oportunidades para um mergulho gelado no mar e um passeio na praia. Podes regressar à cidade passando por Chapmans Peak, uma estrada costeira elevada com vistas épicas. Se isso ainda não tiver saciado a sua vontade de praia, as quatro praias de Clifton são uma escolha popular tanto entre mochileiros como entre os locais, devido à sua areia branca e enseadas rochosas. A praia de Llandudno é um local fantástico para apreciar os deslumbrantes pores-do-sol africanos.

📷@austindistel

O Cabo Ocidental é o habitat natural da fascinante vegetação Fynbos. Trata-se de um reino floral pequeno, mas diversificado, com dois terços das espécies vegetais a ocorrerem apenas no Cabo Ocidental e no Cabo Oriental. O local perfeito para apreciar o Fynbos é o Jardim Botânico de Kirstenbosch (entrada: 75 rands/3,50 libras). Passeie pelos jardins rochosos, admire as cicadáceas estranhamente belas e caminhe pela maravilha arquitetónica que é a Tree Canopy Walkway. O trilho Skeleton Gorge, que sobe à Table Mountain, começa no jardim e envolve uma subida técnica, mas exequível, por um desfiladeiro sombreado que termina num lago mineral da cor da Coca-Cola, perfeito para um mergulho num dia quente de verão. Se por acaso estiver na Cidade do Cabo no verão, há um concerto no Jardim Botânico de Kirstenbosch quase todos os fins de semana, onde pode apreciar atuações locais ao vivo com a Table Mountain como pano de fundo. Chegue cedo e saiba que são bem-vindas mantas de piquenique e garrafas de vinho!

  • Como chegar à Cidade do Cabo: É melhor começar ou terminar a sua viagem na Cidade do Cabo, uma vez que o aeroporto internacional oferece algumas das melhores tarifas e horários de voos internacionais.
  • Melhor altura para visitar: O final da primavera e o verão (novembro a fevereiro) são a melhor altura para visitar a Cidade do Cabo, uma vez que os invernos são chuvosos e ventosos. O vento vindo do Atlântico traz uma brisa fria mesmo no verão e não é raro passar pelas quatro estações num só dia, por isso certifique-se de que leva roupa para todos os climas!
  • Ideal para: O ambiente cosmopolita da cidade e uma introdução perfeita à África do Sul!

Onde ficar:

A Cidade do Cabo está repleta de hostels fantásticos, e ficar no centro da cidade é a melhor opção. Pode andar em segurança durante o dia no centro e chegar a muitos dos pontos turísticos e bairros de autocarro ou a pé.

UMA VEZ na Cidade do Cabo

Este hostel tem uma localização de sonho mesmo na Kloof Street, no mesmo edifício que o Yours Truly — se tens prestado atenção, isto é uma grande vantagem. Todos os quartos, incluindo os dormitórios, têm casa de banho privativa, e há espaços sociais animados e eventos divertidos. Podes reservar facilmente várias viagens e atividades turísticas na receção.

Never@Home Cape Town

Localizado em Green Point, este hostel tem a vantagem de estar perto da zona ribeirinha, das praias de Clifton e de Camps Bay, com o centro da cidade facilmente acessível. Dispõe de um terraço e de uma piscina, com promoções de happy hour e pingue-pongue sempre disponíveis.

Veja todos os nossos hostels na Cidade do Cabo

Dias 6-9:Garden Route

A Rota dos Jardins é um troço costeiro de 200 km que começa em Mossel Bay, a cerca de 4 horas da Cidade do Cabo. Um paraíso de florestas e natureza selvagem, possui paisagens mágicas e uma beleza etérea que é imperdível no seu itinerário de duas semanas pela África do Sul. Há uma razão pela qual as comunidades hippies decidiram estabelecer-se nas florestas há anos, e muitas pessoas ainda hoje vivem fora da rede nesta zona — a gratidão para com a natureza aqui é forte. Podes optar por seguir até Port Elizabeth, passando de uma «cidade» encantadora para a seguinte, ou estabelecer-te em Knysna e explorar a partir daí. O Baz Bus é fantástico para se deslocar pela Garden Route. Pára em todos os principais destinos, faz recolhas em mais de 200 albergues e é a melhor opção em termos de custo-benefício se não estiver interessado em alugar um carro.

📷@lienvandh

Mossel Bay é o palco de uma atividade totalmente nova, emocionante e recordista: a tirolesa sobre o oceano mais longa do mundo. Prepara-te para um deslize de 1100 m sobre o oceano, atingindo velocidades de até 80 km por hora, com vistas de falésias espetaculares, ondas a rebentar e vida marinha. Se sair da Cidade do Cabo com antecedência suficiente, Mossel Bay será a sua primeira paragem na Garden Route e não há razão para que não possa desfrutar desta tirolesa e ainda seguir para a próxima cidade no mesmo dia. Se pretender ficar, Mossel Bay é um dos melhores locais de surf da região, a par de Plettenberg Bay e Jeffrey’s Bay – sendo esta última famosa por ter algumas das melhores ondas do mundo.

Mossel Bay 📷@zatourist

A joia da Rota dos Jardins — o que é uma afirmação ousada, já que toda a região brilha — é a Floresta de Tsitsikamma, situada no Parque Nacional de Tsitsikamma, entre as montanhas e o mar. Profundos desfiladeiros estão esculpidos na encosta da montanha e rodeados por uma densa floresta nativa que abriga uma árvore gigante com 800 anos, que se ergue imponente acima da copa das árvores. Aventure-se por estes desfiladeiros atravessando pontes suspensas, visite santuários de animais, aventure-se nas profundezas da natureza por uma das muitas trilhas ecológicas, explore a vegetação densa a cavalo ou viaje acima das árvores no passeio pelo dossel.

Montanhas de Tsitsikamma📷@mateuamaia

Se o mar e o sol estiverem a ser demais, a sua queimadura solar precisar de uma pausa e o seu cabelo precisar de uma escovadela, dirija-se para o interior, até Oudtshoorn, para explorar as Grutas de Cango. Uma minúscula «dorpie» no meio do nada, Oudtshoorn é o que os sul-africanos chamariam de «uma cidade de um só cavalo, e o cavalo já morreu». No entanto, as Grutas de Cango mantiveram este pedaço de terra empoeirado no mapa. Podes optar por um passeio histórico, que é informativo e interessante, ou por um passeio de aventura que te levará por escadas íngremes e fendas estreitas, cada vez mais para o interior das cavernas. O passeio histórico é recomendado se a claustrofobia te impedir de rastejar como um comando por espaços apertados rumo ao desconhecido.

Se ainda não tiver tido emoção suficiente para te deixar de cabelos em pé nesta altura, um salto de bungee jump da ponte mais alta de África irá satisfazer os teus desejos de audácia. O Bloukrans Bungee Jump, situado entre Natures Valley e Storms River, é o salto de bungee jump comercial mais alto a partir de uma ponte e o terceiro salto mais alto do mundo — atreves-te? Outras aventuras ativas ao longo do percurso incluem sandboard e surf na cidade de Knysna, e canoagem, parapente e rapel na cidade balnear de Wilderness. Podes até nadar com focas em Plettenberg Bay — sim, isso existe mesmo! As focas-do-cabo são os cães do oceano e a sua natureza sociável e curiosa torna-as companheiras de natação fantásticas.

Para as melhores caminhadas da Garden Route, percorra o Giant Kingfisher Trail em Wilderness, o Robberg Hiking Trail em Plettenberg Bay, os Goukamma Trails em Sedgefield, o Ruiterbos Forest Hiking Trail em Mossel Bay ou o Pass to Pass Trail em George. Muitas destas caminhadas exigem autorizações, que são fáceis de obter e ajudam a garantir que os trilhos não fiquem sobrelotados.

📷@elundini_backpackers

  • Como chegar: A partir da Cidade do Cabo, tem a opção de uma viagem de carro de quatro horas ou de uma viagem um pouco mais longa de autocarro. Estas são as opções mais económicas, mas é possível voar para três aeroportos ao longo do percurso: Plettenberg, Port Elizabeth e George.
  • Melhor altura para visitar: A Rota dos Jardins faz parte da Província do Cabo Ocidental e tem um clima semelhante ao da Cidade do Cabo, pelo que a melhor altura para visitar é entre novembro e fevereiro.
  • Ideal para: Desligar-se do mundo e explorar a natureza!

Onde ficar:

Wild Spirit LodgePlettenberg Bay

Na ponta ocidental da floresta de Tsitsikamma encontra-se este alojamento descontraído e de gestão familiar, no coração da Garden Route. Ecológico e de espírito aberto, o alojamento é um ótimo local para relaxar ou explorar. Oferece uma variedade de opções de alojamento, desde suites familiares a acampamentos fora da rede.

Afrovibe Beach LodgeSedgefield

Situado na tranquila Sedgefield, uma vila costeira entre Wilderness e Knysna, este alojamento proporciona a verdadeira atmosfera de praia. Situado na praia de Myoli, é um paraíso em estado puro com todo o tipo de atividades à sua porta.

Jembjo’s Knysna Lodge and BackpackersKnysna

Knysna é um destino imperdível e uma excelente base para explorar a Garden Route, se preferir ficar num local fixo em vez de andar de cidade em cidade. O Jembjo’s é um hostel com localização central, cozinha comum e pequeno-almoço gratuito — aquelas duas palavras adoradas que fazem os ouvidos de qualquer mochileiro se animarem.

Dias 9-12:Parque Nacional Kruger

A verdadeira essência da África do Sul reside no seu savana e nos seus animais selvagens. Poucas experiências se comparam a um nascer do sol na savana, a molhar bolachas Ouma em chá de rooibos, os tons rosados do nascer do sol a tocar na relva enquanto procura vida selvagem. Avançando no tempo, saboreia uma bebida ao pôr-do-sol enquanto o céu se inflama e elefantes, girafas e outros animais assinalam o fim do teu dia. Existem vários parques nacionais na África do Sul onde pode viver esta experiência, mas o Parque Kruger é o mais popular e diversificado — mais de 90 países do mundo são menores do que o parque, pelo que nunca parece sobrelotado e há muitas oportunidades para avistar criaturas estranhas e maravilhosas. Para os visitantes com tempo limitado, é melhor ficar na zona sul do parque, de modo a minimizar o tempo de deslocação e maximizar o tempo de safari. Há vários acampamentos cercados e com portões à escolha para montar a sua tenda. Os acampamentos recomendados incluem Lower Sabie, Skukuza e Malelane.

📷@mira.kaut

Para viajantes com orçamento limitado, os safaris de carro próprio são a melhor opção. Pode alugar um veículo nas principais cidades nos arredores do parque (Hoedspruit, Nelspruit e Phalaborwa) ou no aeroporto. Conduzir por conta própria dá-lhe a oportunidade de escolher os seus próprios percursos e horários e de seguir ao seu próprio ritmo. Os animais estão mais ativos durante o nascer e o pôr do sol, por isso tente sair do acampamento assim que os portões abrirem (5h30 nos meses de verão, 6h nos meses de inverno). Por volta do meio-dia, o calor é simplesmente insuportável, por isso aproveite para regressar ao seu acampamento ou alojamento, relaxar à beira da piscina, almoçar e, depois, sair novamente à tarde. Tem de regressar do parque ou ao seu acampamento antes da hora de fecho dos portões (18h30 no verão, 18h no inverno); caso contrário, será multado com uma quantia avultada e receberá uma advertência severa.

📷@tobinrogers

Se estiver a conduzir por conta própria, mantenha distância dos elefantes — eles podem ficar irritados se sentirem que estão a ser encurralados pelos carros. O bater das orelhas não é um bom sinal. Conduza devagar, pois é fácil não reparar em coisas e até mesmo atropelar animais que atravessam a estrada. Olhe para cima, nas árvores, para avistar aves, e para baixo, no chão, para ver cobras e animais mais pequenos. Os binóculos são essenciais, e não tenha medo de fazer sinal a outros carros e perguntar-lhes o que avistaram! Descarregue a aplicação do Parque Kruger e fique atento à página do Twitter para conhecer os avistamentos mais recentes. Mas, acima de tudo, seja paciente.

Para quem viaja sozinho ou para os novatos em safaris, os safaris de carro e as caminhadas na savana são uma forma fantástica de participar num safari com um guia que pode partilhar conhecimentos especializados e apresentar-lhe as maravilhas da savana africana.

📷@redcharlie

Os habitantes locais têm muito orgulho nos seus parques nacionais e é o simples respeito pela natureza que rege o parque. Não há polícia a vigiar o teu comportamento e, muitas vezes, pode parecer uma boa ideia contornar as regras. Não deite lixo no parque, não saia do carro, exceto nas áreas designadas e nos observatórios de aves, não se incline pelas janelas ou pelo teto de abrir nem grite com os animais para tentar chamar a atenção deles (isso não funciona de qualquer forma) e, acima de tudo, não tente alimentar nenhum animal — especialmente os macacos atrevidos!

Para além das taxas de alojamento ou de acampamento, os visitantes têm de pagar uma taxa de conservação por cada dia que passarem no parque. Para visitantes internacionais, esta taxa é de 400 rands (20 libras). Pode pagar as taxas ao reservar o seu alojamento ou todas as manhãs.

  • Como chegar ao Parque Nacional Kruger: A forma mais fácil (mas não a mais barata) é apanhar um voo para um dos poucos aeroportos nas proximidades a partir do seu destino final na Garden Route. Estes são o Aeroporto KMI em Nelspruit, o Aeroporto de Hoedspruit ou o Aeroporto Hendrick Van Eck em Phalaborwa. A partir daí, pode alugar um carro ou organizar um serviço de transporte. Para uma opção mais económica, voe para os aeroportos de Lanseria ou OR Thambo, em Joanesburgo, e apanhe um serviço de transporte para o parque. Alugar um carro num dos aeroportos é a opção mais eficiente, sendo que a viagem até ao parque demora cerca de 4,5 horas. Em alternativa, a Baz Bus oferece pacotes para o Parque Kruger com partida de vários destinos.
  • Melhor altura para visitar: Os meses de verão no Parque Kruger podem atingir temperaturas de até 40 graus, o que pode ser insuportavelmente quente, especialmente se estiver a acampar. O inverno é a melhor altura para avistar animais e desfrutar de temperaturas mais agradáveis. A primavera ou o outono têm temperaturas mais amenas e encaixam-se bem no resto do seu itinerário na África do Sul.
  • Ideal para: Avistar animais selvagens inesquecíveis!

Onde ficar:

Para além dos vários acampamentos que se encontram no parque, existe também a opção de ficar alojado nos arredores e fazer excursões de um dia ao parque. Há muitos albergues por onde escolher, e recomenda-se que o alojamento seja reservado com antecedência, uma vez que se trata de um destino imensamente popular entre viajantes nacionais e estrangeiros.

Kruger Inn BackpackersMarloth Park

Um serviço de transporte diário parte do aeroporto OR Thambo para este albergue para mochileiros. Antílopes e outros animais herbívoros vagueiam livremente pela zona, pelo que terá o safari mesmo à sua porta. Prepare-se para ouvir leões à noite e fique atento aos gnus quando for a pé até às lojas. Está localizado mesmo à saída do parque, pelo que é perfeito para passeios de um dia.

Veja todos os nossos hostels no Parque Kruger

Dias 12 – 14:Joanesburgo

A «Cidade do Ouro» e capital financeira da África do Sul é frequentemente menosprezada, sendo vista como nada mais do que uma paragem a caminho de um safari, mas Joanesburgo merece, pelo menos, dois dias no seu itinerário de viagem pela África do Sul. Enquanto a Cidade do Cabo é a queridinha da África do Sul, «Joburg» é o epicentro da história crua e recente do apartheid. Para compreender verdadeiramente as complexidades da sociedade sul-africana, o funcionamento interno das várias culturas e as relações raciais únicas deste país, é necessário aprender sobre o apartheid, e Joanesburgo é o melhor local para o fazer.

📷@picsbylikesoda

Não é só história macabra e turismo sombrio; Joanesburgo tem uma cultura artística vibrante, uma cena gastronómica africana em crescimento e bairros hipsters com bares e cenas musicais fantásticos. Claro que o «Berço da Humanidade» fica mesmo ali ao virar da esquina, se lhe apetecer recuar na história e visitar os fósseis dos primeiros seres humanos.

A forma mais fácil de visitar os pontos turísticos importantes desta cidade enorme é através do serviço de autocarro «hop-on-hop-off», que oferece diferentes opções de bilhetes, incluindo dois dias consecutivos e um pacote combinado para Soweto. O transporte público na cidade, francamente, é péssimo, e o Uber pode tornar-se caro à medida que se percorrem longas distâncias. Apanha o autocarro no Rosebank Centre e aprecia a «Cidade do Ouro». Desce em Constitution Hill, um antigo complexo prisional que testemunha o passado tumultuoso do país e a sua jornada para a democracia. Atualmente sede do Tribunal Constitucional, é um museu vivo que prendeu alguns dos líderes mais importantes da história da África do Sul, nomeadamente Nelson Mandela, Albertina Sisulu e Mahatma Gandhi. O autocarro pára no Museu do Apartheid, e deve reservar pelo menos duas horas para esta experiência informativa e envolvente. Termine o dia em grande na Cervejaria SAB com uma visita guiada e uma cerveja fresquinha.

 📷 @gregfullard

Para a melhor comida pan-africana da cidade, visite o Yeoville Dinner Club no centro da cidade, uma deliciosa homenagem às cozinhas de todo o continente africano. O Living Room, no animado bairro de Maboneng, é um café e bar com esplanada ajardinado, que apresenta DJs locais nas tardes de domingo. Este é o segredo mais bem guardado dos locais para quem gosta de música house africana.

Se por acaso estiveres em Joanesburgo ao fim de semana, o bairro revitalizado de Braamfontein é o local ideal para saciar a tua sede de cultura. Galerias de arte invulgares, teatros pop-up, o Neighbourgoods Market e discotecas são apenas algumas das joias que irá encontrar em «Braam». É aqui que irá testemunhar a eclética cultura Mod africana.

📷@nerd_kool

  • Como chegar: Joanesburgo tem algo realmente elegante — um diamante em bruto em termos de infraestruturas — o Gautrain. Este moderno sistema ferroviário facilita a deslocação do Aeroporto Internacional OR Thambo para vários centros da cidade. Por isso, voar de ou para Joanesburgo é uma excelente opção. Vindo do Parque Kruger, no entanto, é necessário apanhar um autocarro ou ir de carro (ou apanhar um voo caro). Começar o teu itinerário na África do Sul em Joanesburgo e fazer tudo ao contrário é uma opção, caso os voos sejam mais baratos.
  •  Melhor altura para visitar: A primavera e o outono (março-maio e setembro-novembro) são excelentes alturas para visitar Joanesburgo, uma vez que o clima é agradável e a cidade não está tão movimentada.
  • Ideal para: Mergulhar de cabeça na história da África do Sul.

Onde ficar:

CURIOCITY Backpackers

Este hostel tem um ambiente sociável e uma localização fantástica no bairro animado de Maboneng. A equipa oferece passeios a pé por partes de Joanesburgo que a maioria dos mochileiros não chega a visitar, e há um bar e um terraço no telhado, para que possas desfrutar de uma cerveja com vista para as ruas coloridas lá em baixo.

Lakeside Backpackers

Churrascos tradicionais à beira da piscina turquesa = puro prazer descontraído. O hostel tem vista para o Lago Blaaupan e para um santuário de aves, pelo que parece uma fuga para a natureza, quando na verdade fica apenas a alguns quilómetros do centro da cidade.

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Itinerário pela África do Sul – 3 semanas

Aqui ficam algumas ideias de atividades adicionais que poderá fazer se tiver um pouco mais de tempo no seu itinerário:

  • Se é apreciador de vinho, prolongue a sua viagem ao Cabo Ocidental por mais alguns dias, passando uma ou duas noites a explorar as regiões vinícolas do Cabo, que incluem Stellenbosch, Franschoek e Paarl.
  • Dirijam-se a KwaZulu-Natal a partir da Garden Route ou de Joanesburgo, de carro, avião ou autocarro. A costa leste da África do Sul é exuberante, tropical e húmida. O quente Oceano Índico é ideal para nadar e praticar surf durante todo o ano. Durban e Ballito são destinos populares entre os mochileiros que procuram aquele ambiente descontraído de praia. Não se esqueça de explorar a cultura gastronómica única de Durban, de influência indiana, e de saborear um «bunny chow» picante (aviso: nenhum coelho é ferido ou morto na confeção deste prato).
  • Explore o Drakensberg, o ponto mais a leste da cordilheira da Grande Escarpa, que forma a fronteira entre o Lesoto e a África do Sul.
  • Antes ou depois do Parque Nacional Kruger, explore o Blyde River Canyon, o maior desfiladeiro verde do mundo.
  • Apanhe o comboio da Cidade do Cabo para Joanesburgo ou vice-versa. É uma longa viagem que demora cerca de 26 horas, mas que é uma experiência por si só. Há a opção do luxuoso Blue Train, a um preço exorbitante de 15 000 rands (720 libras), ou do Shozoloza, mais acessível para mochileiros, por cerca de 4 000 rands (190 libras).

Durban📷@kaan2008

Itinerário pela África do Sul – 1 semana

  • Passe alguns dias na Cidade do Cabo e visite uma reserva de caça nas proximidades para fazer um safari. Conheça a Reserva de Caça de Buffelsfontein ou a Reserva de Caça Privada de Aquila.
  • Talvez sejas mais do tipo citadino e a ideia de safaris empoeirados e insetos desconhecidos não seja o teu forte? Visita os centros nevrálgicos da África do Sul: a Cidade do Cabo e Joanesburgo. Percorre estas grandes cidades numa viagem cultural.

Por onde começar um itinerário de duas semanas na África do Sul

Chegar de avião à Cidade do Cabo ou a Joanesburgo e partir da outra cidade é a melhor forma de poupar dinheiro, aproveitar ao máximo o tempo e incluir o máximo possível no teu itinerário pela África do Sul.

Quanto dinheiro é preciso para duas semanas na África do Sul?

Felizmente para os viajantes (mas infelizmente para nós, sul-africanos), o rand está fraco face às moedas estrangeiras, pelo que o teu dinheiro rende bastante. Para o mochileiro que aluga um carro, apanha um ou dois voos internos, mima-se com uma boa refeição mas também não se importa de fazer as suas próprias sanduíches, quer participar em atividades e gosta de beber uma cerveja no final do dia, 1200 libras, no mínimo, é uma aposta segura.

O que levar na mala para duas semanas na África do Sul

  • Calças compridas e camisas de algodão ou de tecido leve para o proteger dos mosquitos sem provocar insolação
  • Repelente de insetos com alto teor de DEET
  • Creme solar. O sol africano é forte e implacável, e muitas pessoas descobrem isso da maneira mais difícil — não sejas uma delas
  • Bons sapatos para caminhar, se pretender fazer uma das muitas caminhadas
  • Uma GoPro ou uma câmara decente para tirar fotos incríveis da vida selvagem

Qual é a melhor forma de viajar pela África do Sul?

A melhor forma de viajar é, sem dúvida, de carro. Muitos tesouros secretos — e outros nem tanto — são verdadeiras missões para se chegar sem um carro próprio. Dito isto, não é impossível chegar aos principais destinos e locais sem um. O Uber está disponível na maioria das grandes cidades e há autocarros para viagens longas, mas estes consomem tempo precioso. O Baz Bus tornou-se uma escolha popular entre os mochileiros, pois tem percursos que vão de Joanesburgo até à Cidade do Cabo e funciona com o sistema «hop-on, hop-off». Faz paragens em mais de 200 albergues, o que elimina o incómodo de ter de chegar às estações rodoviárias.

📷@linaloos

O nosso itinerário pela África do Sul já te preparou para a tua aventura? Se houver mais alguma coisa que queiras saber, diz-nos nos comentários. Tem uma viagem épica!

Para encontrar os melhores hostels na África do Sul, descarrega a aplicação Hostelworld!

Sobre a autora:

Sou a Leah Alves, uma nómada sul-africana com um coração de viajante e, infelizmente, uma conta bancária que nunca está cheia o suficiente para acompanhar esse espírito. Encontro a felicidade na natureza. Tenho sempre os pés cheios de poeira, a minha forma preferida de me sentir nas nuvens é escalar montanhas e a minha melhor cura para a ressaca é um mergulho em rios gelados. Falo demais, mas quando abrando o ritmo por um segundo, faço questão de recolher histórias de todas as pessoas que conheço e dos lugares por onde passo. Segue-me no meu Instagram, por vezes movimentado, mas na maior parte das vezes tranquilo: @_leah_savannah.

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