Histórias inspiradoras de 9 donas de albergues incríveis

Mulheres incríveis nos inspiram a ser a melhor versão de nós mesmos todos os dias. Não apenas líderes mundiais e celebridades, mas nossas mães, irmãs, tias, avós, amigas… até mesmo aquela garota no beliche de baixo que vem viajando sozinha pelo mundo nos últimos dois anos. O simples fato de existirmos neste mundo patriarcal já faz de todas nós heroínas, e isso sem contar todas as conquistas incríveis que alcançamos todos os dias! Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, conversamos com nove fenomenais proprietárias de albergues de todo o mundo sobre as coisas fantásticas que estão fazendo e as pessoas e lugares que as inspiraram a se tornarem as chefes que são hoje.

1. Golnar Zamani e Habibeh Fathi – proprietárias dos HI Tehran Hostels – Teerã, Irã

Golnar e Habibeh são verdadeiras heroínas em sua área, mudando para sempre o panorama tanto para as mulheres quanto para o turismo no Irã. Como as primeiras proprietárias de albergues do país, elas se propuseram a mudar as percepções sobre o Irã e a despertar o interesse de mais viajantes em explorar seu país fascinante.

“Sabíamos que havia — e ainda há — muitos equívocos sobre o Irã, resultado da política e da mídia. Como viajantes ávidas, acreditamos que não há nada melhor do que experiências diretas para mudar um julgamento errado. Em nosso albergue, já recebemos muitos hóspedes que vieram ao Irã pensando que seria a viagem mais perigosa de suas vidas e acabaram indo a casamentos locais e voltando com seus filhos ou pais, pois puderam ver que o Irã é sinônimo de amor quando você o explora por conta própria.” – Golnar e Habibeh

female hostel owners, girl sitting on the beach in Iran

📷 Golnar

Depois que a inauguração do primeiro albergue HI Teerã, em 2016, se revelou um enorme sucesso, a segunda unidade foi inaugurada na cidade em 2018, tornando-se a primeira rede de albergues do Irã. Mas, como você pode imaginar, ser as primeiras mulheres a administrar umalbergue no Irãnem sempre foi fácil.

“Foi muito difícil no começo — ninguém nos levava a sério. Conseguir a autorização foi complicado, especialmente porque albergues eram muito raros — tivemos que apresentar grandes propostas ao governo explicando o que era um albergue! Além disso, o simples fato de sermos mulheres já era motivo suficiente para que algumas organizações dificultassem as coisas para nós. Concorrentes e pessoas mais experientes nesse setor não estavam dispostos a cooperar conosco, e ficamos isoladas. Pouco a pouco, ficamos mais fortes e as coisas melhoraram. Mas é justo mencionar que tivemos muitos colegas, concorrentes e companheiros maravilhosos ao longo de nossa jornada que nos apoiaram.”

female hostel owners, girl sitting by wall with carved lion in Iran

📷 Habibeh

Nos últimos anos, cada vez mais albergues foram abertos à medida que a comunidade de viajantes internacionais descobriu as maravilhas do Irã. Mas o HI Teerã continua sendo um dos favoritos dos mochileiros graças à cordialidade de Golnar, Habibeh e suas equipes. Adoramos seus toques tradicionais e eventos comunitários, como oficinas de artesanato com moradores locais, passeios a pé pelo bairro e noites de música iraniana. Elas também se preocupam com a sustentabilidade, cultivando suas próprias frutas e verduras e implementando medidas de economia de água e energia.

Golnar e Habibeh dizem que sua esperança é empoderar outras mulheres do setor para que abram seus próprios negócios, assim como qualquer jovem no Irã ou fora dele que tenha um sonho que queira perseguir. “Acreditamos firmemente que nossos objetivos só podem ser alcançados e que só é possível avançar se as pessoas, independentemente de gênero, orientação sexual, raça, crenças e diferenças, se conectarem umas com as outras e criarem uma sinergia melhor.”

Sabemos que todos nós podemos aprender algo com essa dupla pioneira de líderes femininas.

2. Kim Whitaker – proprietária do Once in Cape Town e do Once in Joburg – África do Sul

Depois de uma viagem de mochila pela América do Sul, Kim se apaixonou pela vida em albergues e voltou para a Cidade do Cabo com uma paixão recém-descoberta, abrindo seu primeiro albergue na cidade em 2007, com apenas 23 anos. Ela diz: “Cometi um monte de erros! Mas, nesse processo, aprendi várias lições valiosas. Chamo isso de Universidade da Vida.” Em 2013, ela inaugurou o Once in Cape Town, seguido pelo Once in Joburg em 2016. Kim é uma figura inspiradora no mundo das viagens, tendo cofundado o grupo GET (Gender Equal Travel) com outras três mulheres do setor – Stephanie Taylor-Carrillo, dos albergues Sandeman; Anne Dolan, dos Clink Hostels; e Marie Louise Henny, dos albergues Hans Brinker.

“Estávamos na Sérvia, em uma feira de turismo, e ficamos surpresas com o fato de todos os palestrantes serem homens e com a escassa representação feminina em cargos de liderança, apesar de o setor de viagens ser predominantemente feminino. Decidimos fazer algo a respeito e criamos o GET. Desde então, registramos uma organização sem fins lucrativos na Holanda, organizamos encontros regulares para mulheres do setor de viagens, promovemos programas de mentoria e indicamos palestrantes mulheres para conferências.” – Kim

female hostel owners, Kim Whitaker – owner of Once in Cape Town and Once in Joburg – South Africa

📷 Kim

Os albergues Once são pontos de encontro adorados por viajantes solitários, com comodidades modernas e brindes divertidos, como churrascos tradicionais (braai), aulas de ioga e as “no power hours” – uma festa com bebidas gratuitas para quem não levar o celular. Esse ambiente aberto e acolhedor é o que mais orgulha Kim:

“Adoro a sinergia entre pessoas de todo o mundo. Numa época em que o nacionalismo e o racismo parecem estar na ordem do dia, adoro entrar em um lugar que incentiva conversas livres e o diálogo entre viajantes. Conectar-se de uma maneira autêntica e à moda antiga, expandir a mente, aprender sobre novas culturas e compreender diferentes formas de ver o mundo.”

female hostel owners, people drinking at once hostel in joburg

📷 ONCE em Joanesburgo

Ao lado da gerente de turno do Once, Asanda Daraza, Kim também cofundou a organização sem fins lucrativos Khwela, que significa “escalar” na língua local isiXhosa. Seu objetivo é combater o desemprego juvenil na África do Sul por meio de treinamento e orientação a jovens mulheres de comunidades desfavorecidas, proporcionando-lhes as habilidades necessárias para trabalhar no setor de turismo. O programa envolve um estágio remunerado de seis meses e uma viagem de carro de três semanas pela África do Sul.

Nossa meta para 2020? Ser mais como a Kim!

3. Tatjana Pia Benkert – proprietária do The Purpose Hostel – Antigua, Guatemala

Antes da inauguração do The Purpose Hostel, na primavera de 2018, Tatjana buscava uma maneira de combinar seu amor por viagens com algo que pudesse causar um impacto positivo em sua cidade, dando um “Propósito” (😉) à comunidade. “Eu disse há alguns anos que abrir um albergue seria a última coisa que eu faria, mas essa é a beleza da vida! Depois de uma jornada cheia de altos e baixos, aqui estou eu, fazendo parte de uma equipe diversificada de pessoas apaixonadas que não só trabalham juntas em um albergue, mas também se empenham por um futuro melhor para nós mesmos e para nossa comunidade.” – Tatjana

female hostel owners, The Purpose Hostel team - Tatjana top middle

📷 A equipe do Purpose Hostel – Tatjana, no meio, na fileira de cima

No The Purpose Hostel, Tatjana e seus sócios criaram um projeto ecologicamente correto e socialmente consciente, com foco no bem-estar e na natureza – ele está cercado por três vulcões, que os hóspedes podem admirar enquanto praticam ioga na cobertura! Seu trabalho comunitário inclui oferecer apoio escolar para mães solteiras que trabalham nos mercados da cidade, cultivar hortaliças para idosos na horta da cobertura e proporcionar educação e treinamento profissional para moradores locais no centro de capacitação do local. Eles convidam os hóspedes a fazerem trabalho voluntário com eles na região, usando um sistema de “retribuição” para espalhar vibrações positivas:

“Para cada 10 horas que um hóspede passa fazendo trabalho voluntário conosco em nossa comunidade, o The Purpose Hostel oferece uma noite gratuita a outro viajante. Todos ganham! Não somos apenas um albergue, mas muito mais do que isso. Somos um grupo diversificado, dedicado e composto principalmente por mulheres, que se concentra na abordagem de ‘retribuir o bem recebido’ enquanto aprendemos e crescemos juntas.”

Por exemplo, estamos todas aprendendo juntas a língua de sinais guatemalteca e convidamos nossos hóspedes a participar dessa diversão com aulas gratuitas de língua de sinais. As mães solteiras e as crianças que apoiamos por meio do nosso programa pós-escolar também participam. Por que a língua de sinais guatemalteca, você pode se perguntar? Trabalhamos com membros surdos da equipe e uma das minhas sócias é surda.” – Tatjana

A diferença que Tatjana e sua equipe estão fazendo na vida das pessoas é impressionante. Se viajar de mochila pela Guatemala está nos seus planos para 2020, ser voluntário com eles em Antigua é uma experiência que é, ao mesmo tempo, gratificante e divertida.

female hostel owners, woman doing yoga at The Purpose Hostel with mountain in the background

📷 The Purpose Hostel

Que conselho Tatjana daria às jovens líderes?

“Você simplesmente não sabe — não sabe do que é capaz e não sabe o que a vida reserva para você. Basta se dedicar a si mesma e à sua comunidade, e coisas incríveis podem acontecer!”

4. Tizia Basener – proprietária do Nyumbani Hostel – Arusha, Tanzânia

Nyumbani significa “em casa” em suaíli, e é o lema pelo qual Tizia e sua equipe vivem. Ela abriu o albergue em 2015 sem um grande orçamento, mas munida da paixão por albergues que desenvolveu em suas viagens pela América Latina, Índia e Europa, além do amor pelo país natal de seu marido, Tini: a Tanzânia. Eles compraram uma cama nova para a casa da família, que alugavam para viajantes, economizando dinheiro para comprar uma cama extra a cada vez. Hoje, a casa da família conta com 22 camas que acomodam viajantes de todo o mundo!

female hostel owners, Tizia Basener – owner of Nyumbani Hostel – with her husband and child in Arusha, Tanzania

📷 Tizia, Tini e seu filho

Tizia diz que receber hóspedes como parte da família Nyumbani é uma das coisas mais gratificantes de administrar seu albergue. Mas não se trata apenas de um lugar aconchegante para passar a noite – Tizia e Tini também realizam um trabalho importante em sua comunidade.

“Na Tanzânia, ainda há muita necessidade de melhorar a vida cotidiana, especialmente para as pessoas vulneráveis. Fundamos a Viva Tanzania para apoiar ONGs locais, oferecendo trabalho voluntário e estágios. Apoiamos 14 projetos diferentes em Arusha nas áreas de educação, direitos das mulheres, empoderamento dos jovens, saúde, assistência a pessoas com deficiência, bem-estar animal e conservação ambiental. A partir de julho, planejamos construir uma creche para crianças Maasai em situação de vulnerabilidade. No momento, estamos arrecadando doações e estamos muito animados com o apoio que estamos recebendo.” – Tizia

Você pode pensar que gerenciar projetos incríveis como esse exige uma rede de apoio e tanto – e você estaria certo. Tizia diz: “sem nossos funcionários, nosso albergue não seria o mesmo. Temos nosso gerente, que cuida para que tudo corra bem; nossas duas ‘Mamas’, que são excelentes cozinheiras e também mantêm o albergue limpo e arrumado; e uma equipe adorável que faz tudo o que for necessário, como dirigir, servir de guia ou fazer a guarda noturna.”

female hostel owners, Nyumbani Hostel
📷 Nyumbani Hostel

Tizia retribui esse apoio garantindo que sua equipe sempre se sinta valorizada em uma economia que nem sempre é estável. Eles recebem salários acima do salário mínimo e recebem ajuda para construir suas casas, têm acesso a eletricidade e água encanada e são auxiliados com despesas relacionadas a casamentos e doenças. Os filhos de todos os funcionários estudam em escolas particulares, financiadas não apenas pelo albergue, mas também por meio de doações de hóspedes e voluntários!

5. Marina Moretti – proprietária do Ô de Casa Hostel Bar – São Paulo, Brasil

Em 2007, Marina não estava satisfeita com o fato de sua cidade ser ignorada pela maioria dos mochileiros da América do Sul. “Não havia albergues para viajantes independentes em São Paulo, e a edição brasileira do Lonely Planet dedicou apenas 5 de suas 500 páginas à cidade. As pessoas simplesmente não vinham para cá, e eu sabia que era uma cidade incrível!” Na época, ela morava com amigos no bairro superdescolado da Vila Madalena, e eles tiveram a ideia maluca de transformar a casa de estudantes em um albergue. “Deixamos o lugar bem legal, anunciamos no Hostelworld e as pessoas começaram a chegar!”

female hostel owners, Marina Moretti owner of Ô de Casa Hostel Bar - São Paulo, Brazil

📷 Marina

E vieram mesmo. O Ô de Casa rapidamente se tornou um dos albergues mais populares do continente, conquistando vários prêmios HOSCAR ao longo dos anos, incluindo o de melhor albergue do Brasil. Então, qual foi o segredo do sucesso da Marina?

“O Ô de Casa nunca foi pensado como um negócio, é mais como uma comunidade. Cuidamos das pessoas que trabalham aqui como se fôssemos uma grande família com parentes espalhados pelo mundo, formada por pessoas que trabalharam aqui em diferentes épocas. Convidamos todos os hóspedes que entram por nossas portas a fazer parte dessa família e a viver momentos divertidos enquanto estiverem aqui.” – Essa diversão começa com caipirinhas de graça na chegada e termina com cachaça pong e festas na cobertura!

A localização do Ô de Casa na vibrante e boêmia Vila Madalena é uma parte fundamental de sua identidade, por isso Marina faz questão de retribuir ao bairro o máximo possível, contratando pessoal local, oferecendo produtos locais no bar e promovendo eventos na região. Ela se orgulha de não haver diferença salarial entre homens e mulheres entre seus funcionários.

female hostel owners,  Ô de Casa hostel

📷Ô de Casa

Perguntamos à Marina qual seria seu conselho para a próxima geração de mulheres líderes:

“Seja o que for, siga seu coração e simplesmente faça. Abrir meu próprio negócio mudou minha vida – abrir um albergue é como criar seu próprio mundinho, e a gente passa a fazer parte da história de todos que vêm se hospedar conosco. Se você conseguir criar uma comunidade, não há nada mais legal ou gratificante para se fazer na vida. Você vai conhecer mulheres maravilhosas ao longo do caminho que vão te ajudar a crescer – as pessoas gostam de colocar as mulheres em competição umas com as outras, mas, na realidade, não poderíamos ser mais solidárias.”

6. Stephanie Duenker – proprietária do Cloudcroft Mountain Park Hostel – Novo México, EUA

A vida em albergues está no DNA de Stephanie. Seus avós administravam e moravam em um albergue enquanto ela crescia na Alemanha, e ela passou muito tempo lá e em outros albergues pelo país com sua família. Suas primeiras lembranças de viagem plantaram as sementes que a levaram a, eventualmente, abrir um albergue nas Montanhas de Sacramento – “Sempre adorei albergues no campo em lugares incomuns, como castelos antigos na Escócia ou vilas românticas na Itália”. A localização do Cloudcroft Hostel é certamente incomum, a uma altitude de 6.700 pés e cercada por 28 acres de floresta, com trilhas infinitas para caminhadas bem à sua porta.

female hostel owners, Stephanie Duenker – owner of Cloudcroft Mountain Park Hostel – New Mexico, USA

📷 Stephanie

Mas o que mais impressiona nesse aconchegante albergue remoto é como ele surgiu — Stephanie e seu parceiro na época construíram tudo do zero!

“Encontramos o local em 2001, depois de meses procurando o lugar perfeito para nosso albergue e nossa casa. A propriedade que encontramos estava abandonada há anos e cheia de entulho, mas, como sou arquiteta, vi seu potencial. Demolimos e reconstruímos totalmente a casa – todos os 6.000 pés quadrados dela! Nós exageramos e ficamos sem dinheiro depois de um ano, então voltei a trabalhar em tempo integral e construía nos fins de semana; foi por isso que demorou cinco anos para finalmente inaugurarmos o albergue em 2006. Em 2014, comecei a administrar o albergue sozinha e, agora, em 2020, finalmente consegui que o Cloudcroft ficasse exatamente como sempre imaginei!”

O Cloudcroft é um verdadeiro projeto feito com amor, algo que fica óbvio para todos os hóspedes que são recebidos pela Stephanie. “Eu administro, faço as reservas e cuido da limpeza do albergue sozinha. Não tenho funcionários, então, muitas vezes, deixo os hóspedes fazerem o check-in quando não estou por perto. Gosto de confiar nas pessoas e, até agora, elas não me decepcionaram!”

female hostel owners, Cloudcroft hostel

📷 Cloudcroft

Uau, já ficamos exaustos só de ouvir sobre a dedicação da Stephanie! Então, o que faz todo esse trabalho árduo valer a pena?

“Adoro quando os viajantes se hospedam no albergue pela primeira vez, se apaixonam pelo lugar, voltam ou pedem recomendações. Fico muito feliz ao ouvir estranhos sentados juntos, conversando e rindo!”

7. Veronika Karacova – proprietária do Caveland – Santorini, Grécia

Santorini é um dos destinos mais deslumbrantes do mundo – aqueles prédios caiados de branco, ruas iluminadas por lanternas e vistas para o mar são o que alimenta nossos sonhos de viagem. À medida que sua popularidade começou a crescer, Veronika e seu marido tiveram a ideia de abrir um albergue na vila de Karterados, longe dos pontos turísticos típicos. Eles queriam permanecer fiéis à tradição sem abrir mão de nenhuma das belezas e do luxo pelos quais Santorini é famosa. Assim, em 2011, nasceu o Caveland!

“O Caveland está sob proteção patrimonial, pois é um belo exemplo da arquitetura típica local. Nossos quartos são cavernas tradicionais de Santorini — cavidades habitáveis escavadas no solo. Temos 10 no total, e a arquitetura, o design e a decoração são únicos em cada uma delas. Nosso lugar tem muito charme… a primavera no Caveland é especialmente linda, porque as flores estão desabrochando e nossos recantos tranquilos ficam repletos das plantas mais coloridas.” – Veronika

Veronika Karacova – owner of Caveland – Santorini, Greece

📷 Veronika

Cada canto do Caveland é especial, desde seus recantos de leitura até os terraços com vista para o mar e a área da piscina em tons pastéis. Todos os seus móveis peculiares são adquiridos de forma sustentável, com a Veronika vasculhando feiras de antiguidades locais e reaproveitando o máximo possível. Aqui não há móveis genéricos em embalagens planas!

O clima de comunidade e os eventos sociais são parte essencial da experiência no Caveland, com noites de culinária, passeios em grupo a restaurantes locais, aulas de ioga duas vezes por semana e retiros de ioga fora da alta temporada. Veronika diz que construir uma família global é uma das coisas que ela mais gosta em ser dona de um albergue – “Tenho orgulho de conhecer tantas pessoas incríveis de todo o mundo que consideraram o Caveland seu lar. Nossa equipe é o coração do albergue, e cada pessoa que trabalhou para nós deixou sua marca aqui.”

female hostel owners, Caveland – Santorini, Greece

📷 Caveland – @gabriellabezeau

Então, quais outras mulheres incríveis inspiraram Veronika a se tornar a chefe que ela é hoje?

“Tenho a sorte de ter mulheres incríveis na minha vida – minha mãe, minha tia, muitas amigas. Uma vez por ano, fazemos uma viagem só para mulheres, e esse é um momento muito inspirador para mim. Compartilhamos histórias sobre nossas vidas, discutimos política, trabalho, filosofia, conversamos sobre os livros que estamos lendo, compartilhamos histórias sobre nossos filhos e famílias. Meus filhos são meus maiores professores; aprendi com eles a ser mais paciente e a viver o momento.”

8. Marina Hamzah – proprietária do Hikers Sleep Port – Cameron Highlands, Malásia

No coração das épicas Cameron Highlands, na Malásia, cercado por intermináveis colinas esmeraldas e plantações de chá, o Hikers Sleep Port é orgulhosamente administrado por Marina, que mora no albergue com o marido e os quatro filhos. Com experiência na área de hospitalidade, ela ficou desapontada com a falta de acomodações acessíveis em Tanah Rata, a parte da região onde seu marido costumava trabalhar como guia de natureza, dormindo no carro para evitar hotéis caros! Eles se inspiraram para abrir seu albergue “um lar longe de casa”, um lugar onde os viajantes possam vivenciar o “estilo de vida local da Malásia”.

“Reunimos tudo o que amamos em nossa cultura para criar um albergue com conceitos de casa malaia. Servimos café da manhã típico da Malásia, que preparamos pessoalmente em nossa cozinha, para que nossos hóspedes acordem com o cheiro de macarrão frito, arroz frito e kaya (geléia de coco) caseira, tudo preparado com amor todas as manhãs. Moramos no albergue onde hospedamos nossa ‘família’ global, por isso estamos sempre à disposição para receber nossos hóspedes a qualquer hora!” – Marina

📷 Marina

Por estar em um local tão espetacular (sério, se você não conhece as Cameron Highlands, pesquise no Google agora mesmo), Marina acredita que é importante apoiar projetos ambientais que ajudem a região e permitam que sua magnificência seja compartilhada com o maior número possível de pessoas.

“Patrocinamos e mantemos um centro de reciclagem nas proximidades desde o ano passado. Trabalhamos em estreita colaboração com o Departamento Florestal de Cameron Highlands, criando uma nova trilha de caminhada até o Monte Brinchang Barat, que é o segundo pico mais alto da região. Em 2018, melhoramos a trilha para o Monte Irau, que abriga uma das florestas mais antigas e belas do mundo, tornando-a mais segura e conveniente para os caminhantes. Fazemos isso gratuitamente por causa do nosso amor pela natureza.”

📷Cameron Highlands – Marina

Além do trabalho de melhoria das Cameron Highlands, o Hikers Sleep Port também apoia os povos indígenas da região por meio de projetos comunitários, reformando instalações locais, como bibliotecas e parques infantis, e ajudando a organizar aulas de inglês. “Ao mesmo tempo, aprendemos muito sobre a cultura deles” – Marina.

9. Melissa Oconitrillo – proprietária do Capital Hostel de Ciudad – San José, Costa Rica

Três anos atrás, Melissa se cansou de trabalhar em turnos de 12 horas em um hotel e percebeu que sua paixão por viagens estava sendo desperdiçada no lugar errado. “Comecei a sentir a necessidade de abrir um lugar que retribuísse à nossa cidade — San José tinha uma reputação imerecida de não oferecer nada de especial ou cultural, e achei que isso não era justo. Queria incentivar as pessoas a ficarem mais tempo em San José e a viverem as experiências locais pelas quais me apaixono todos os dias”. Os albergues boutique chiques que se encontram por toda a Costa Rica eram raros na capital, e Melissa achou que era hora de elevar o padrão.

Foi assim que surgiu o Capital Hostel de Ciudad, um albergue com design diferenciado, repleto de toques carinhosos e uma vibe superdescontraída, que oferece eventos e passeios a pé para mostrar a excelência de San José. E ao lado dessa inovadora proprietária de albergue, em cada etapa da jornada, estava outra mulher brilhante – sua mãe, Mercedes!

female hostel owners, Memelissa Oconitrillo – owner of Capital Hostel de Ciudad – with her mum Mercedes in San José, Costa Rica

📷 Melissa e Mercedes

“Ter minha mãe como parte dessa equipe é muito importante. Ela traz a estabilidade e a maturidade que só a experiência de vida pode proporcionar. Nós nos damos muito bem, ela é sempre tão tranquila e, mesmo sem ter formação na área de hospitalidade, o atendimento ao cliente simplesmente corre em suas veias. Quem a conhece sabe que ela está sempre sorrindo e rindo, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Ela também ADORA viajar, conhecer novas culturas e experimentar comidas de todo o mundo. Tal mãe, tal filha!” – Melissa

Então, que conselho Melissa dá para a próxima geração de mulheres líderes?

“Ignorem qualquer dúvida que tenham sobre si mesmas – se não perderem o foco em seus objetivos, tudo vai dar certo no final. Pare de se importar com o que as pessoas pensam! Nunca segui o que a sociedade espera das mulheres. Estou na casa dos 30, não sou casada e não tenho filhos, mas esse projeto é o que me completa. Meu albergue me permite causar um impacto positivo na vida das pessoas e, para mim, isso é tudo.”

female hostel owners, Capital Hostel de Ciudad
📷 Capital Hostel de Ciudad

Quem mais está se sentindo empoderado depois de ouvir essas incríveis proprietárias de albergues? Vamos seguir os passos delas e ser as melhores líderes, inovadoras e aventureiras que pudermos ser. O patriarcado não vai se destruir sozinho!

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