Histórias inspiradoras de 9 proprietárias de albergues incríveis
Mulheres incríveis inspiram-nos a dar o nosso melhor todos os dias. Não só as líderes mundiais e as celebridades, mas também as nossas mães, irmãs, tias, avós, amigas… até mesmo aquela rapariga no beliche de baixo que anda a viajar pelo mundo sozinha há dois anos. O simples facto de existirmos neste mundo patriarcal já faz de todas nós heroínas, e isso sem contar com todas as coisas incríveis que conseguimos todos os dias! Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, conversámos com 9 fenomenais proprietárias de hostels de todo o mundo sobre as coisas fantásticas que estão a fazer e as pessoas e os lugares que as inspiraram a tornarem-se as chefes que são hoje.
1. Golnar Zamani e Habibeh Fathi – proprietárias dos HI Tehran Hostels – Teerão, Irão
Golnar e Habibeh são verdadeiras heroínas na sua área, mudando para sempre o panorama tanto para as mulheres como para as viagens no Irão. Como as primeiras proprietárias de albergues do país de sempre, decidiram mudar as perceções sobre o Irão e despertar o interesse de mais viajantes em explorar o seu fascinante país.
«Sabíamos que havia — e ainda há — muitos mal-entendidos sobre o Irão, resultantes da política e dos meios de comunicação social. Como viajantes ávidas, acreditamos que não há nada melhor do que as experiências diretas para corrigir um julgamento errado. No nosso albergue, recebemos muitos hóspedes que vieram ao Irão a pensar que seria a viagem mais perigosa das suas vidas e acabaram por ir a casamentos locais e por regressar com os seus filhos ou pais, pois perceberam que o Irão é sinónimo de amor quando o exploramos por nós próprios.» – Golnar e Habibeh

📷 Golnar
Depois de a abertura do primeiro albergue HI Teerão, em 2016, ter-se revelado um enorme sucesso, a segunda filial foi inaugurada na cidade em 2018, tornando-se a primeira cadeia de albergues do Irão. Mas, como podem imaginar, ser as primeiras mulheres a gerir umalbergue no Irãonem sempre foi fácil.
«Foi muito difícil no início — ninguém nos levava a sério. Conseguir a autorização foi complicado, especialmente porque os hostels eram tão raros — tivemos de apresentar propostas detalhadas ao governo sobre o que se entendia por hostel! Além disso, o simples facto de sermos mulheres foi suficiente para que algumas organizações nos dificultassem ainda mais a vida. Os concorrentes e as pessoas mais experientes neste setor não estavam dispostos a colaborar connosco e ficámos isoladas. Pouco a pouco, ficámos mais fortes e as coisas melhoraram. Mas é justo referir que tivemos muitos colegas, concorrentes e companheiros maravilhosos ao longo da nossa jornada que nos apoiaram.»

📷 Habibeh
Nos últimos anos, têm aberto cada vez mais albergues, à medida que a comunidade de viajantes internacionais descobriu as maravilhas do Irão. Mas o HI Teerão continua a ser um dos favoritos dos mochileiros, graças ao calor humano de Golnar, Habibeh e das suas equipas. Adoramos os seus toques tradicionais e os eventos comunitários, como sessões de artes e ofícios com os locais, passeios a pé pelo bairro e noites de música iraniana. Também se preocupam com a sustentabilidade, cultivando as suas próprias frutas e legumes e implementando medidas de poupança de água e energia.
Golnar e Habibeh afirmam que a sua esperança é capacitar outras mulheres do setor para que possam criar o seu próprio negócio, bem como qualquer jovem no Irão ou fora dele que tenha um sonho que queira perseguir. «Acreditamos firmemente que os nossos objetivos só podem ser alcançados e que só é possível progredir se as pessoas, independentemente do seu género, orientação sexual, raça, crenças e diferenças, se unirem e criarem uma sinergia melhor.»
Sabemos que todos podemos aprender algo com esta dupla pioneira de mulheres líderes.
2. Kim Whitaker – proprietária do Once in Cape Town e do Once in Joburg – África do Sul
Depois de uma viagem de mochila às costas pela América do Sul, Kim apaixonou-se pela vida em albergues e regressou à Cidade do Cabo com uma paixão recém-descoberta, abrindo o seu primeiro albergue na cidade em 2007, com apenas 23 anos. Ela afirma: «Cometi imensos erros! Mas, nesse processo, aprendi várias lições valiosas. Chamo a isto a Universidade da Vida.» Em 2013, abriu as portas do «Once in Cape Town», seguido do «Once in Joburg» em 2016. Kim é uma figura inspiradora no mundo das viagens, tendo cofundado o grupo GET (Gender Equal Travel) com outras três mulheres do setor – Stephanie Taylor-Carrillo, dos albergues Sandeman, Anne Dolan, dos Clink Hostels, e Marie Louise Henny, dos albergues Hans Brinker.
«Estávamos na Sérvia, numa feira de viagens, e ficámos surpreendidas com o facto de todos os oradores serem homens e com a escassa representação feminina em cargos de direção, apesar de o setor das viagens ser predominantemente feminino. Decidimos fazer algo e criámos o GET. Desde então, registámos uma organização sem fins lucrativos na Holanda, organizamos encontros regulares para mulheres do setor das viagens, promovemos programas de mentoria e recomendamos oradoras para conferências.» – Kim

📷 Kim
Os albergues Once são locais de convívio adorados por viajantes a solo, com comodidades modernas e atividades divertidas gratuitas, como churrascos tradicionais «braai», aulas de ioga e as «no power hours», uma festa com bebidas gratuitas para quem não trouxer o telemóvel. Este ambiente aberto e acolhedor é o que mais orgulha a Kim:
«Adoro a sinergia entre pessoas de todo o mundo. Numa época em que o nacionalismo e o racismo parecem estar na ordem do dia, adoro entrar num lugar que incentiva conversas livres e o diálogo entre viajantes. Conectar-se de uma forma autêntica e à moda antiga, expandir a mente, aprender sobre novas culturas e compreender diferentes formas de ver o mundo.»

📷 ONCE em Joanesburgo
Juntamente com a gerente de turno da Once, Asanda Daraza, Kim também cofundou a organização sem fins lucrativos Khwela, que significa «escalar» na língua local isiXhosa. O seu objetivo é combater o desemprego juvenil na África do Sul através da formação e orientação de jovens mulheres de comunidades desfavorecidas, proporcionando-lhes as competências necessárias para trabalhar na indústria do turismo. O programa envolve um estágio remunerado de 6 meses e uma viagem de carro de três semanas pela África do Sul.
O nosso objetivo para 2020? Ser mais como a Kim!
3. Tatjana Pia Benkert – proprietária do The Purpose Hostel – Antigua, Guatemala
Antes da abertura do The Purpose Hostel, na primavera de 2018, Tatjana procurava uma forma de combinar o seu amor por viajar com algo que pudesse ter um impacto positivo na sua cidade, dando um «Propósito» (😉) à comunidade. «Há alguns anos, disse que abrir um hostel seria a última coisa que faria, mas é essa a beleza da vida! Depois de uma verdadeira montanha-russa de emoções, aqui estou eu, a fazer parte de uma equipa diversificada de pessoas apaixonadas que não só trabalham juntas num hostel, mas também se empenham num futuro melhor para nós próprios e para a nossa comunidade.» – Tatjana

📷 A equipa do Purpose Hostel – Tatjana, em cima, no meio
No The Purpose Hostel, a Tatjana e os seus sócios criaram um projeto ecológico e socialmente responsável, com foco no bem-estar e na natureza – está rodeado por três vulcões que os hóspedes podem contemplar enquanto praticam ioga no telhado! O seu trabalho comunitário inclui prestar apoio escolar a mães solteiras que trabalham nos mercados da cidade, cultivar produtos para os idosos na horta do telhado e proporcionar educação e formação profissional aos habitantes locais no seu centro de competências no local. Convidam os hóspedes a fazer voluntariado com eles na região, utilizando um sistema de «corrente de boa vontade» para espalhar as vibrações positivas:
«Por cada 10 horas que um hóspede passa a fazer voluntariado connosco na nossa comunidade, o The Purpose Hostel oferece uma noite gratuita a outro viajante. Todos ganham! Não somos apenas um hostel, mas muito mais do que isso. Somos um grupo diversificado, dedicado e maioritariamente feminino, que se concentra numa abordagem de «retribuir o favor» enquanto aprendemos e crescemos juntos.»
Por exemplo, estamos todas a aprender juntas a língua gestual guatemalteca e convidamos os nossos hóspedes a juntarem-se à diversão com aulas gratuitas de língua gestual. As mães solteiras e as crianças que apoiamos através do nosso programa pós-escolar também participam. Porquê a língua gestual guatemalteca, perguntar-se-ão? Trabalhamos com membros surdos da equipa e uma das minhas sócias é surda.» — Tatjana
A diferença que a Tatjana e a sua equipa estão a fazer na vida das pessoas é impressionante. Se viajar de mochila pela Guatemala faz parte dos teus planos para 2020, fazer voluntariado com elas em Antigua é uma experiência tão gratificante quanto divertida.

📷 The Purpose Hostel
Que conselho daria a Tatjana às jovens líderes?
«Simplesmente não sabes – não sabes do que és capaz e não sabes o que a vida te reserva. Basta empenhar-te por ti própria e pela tua comunidade e coisas incríveis podem acontecer!»
4. Tizia Basener – proprietária do Nyumbani Hostel – Arusha, Tanzânia
Nyumbani significa «em casa» em suaíli, e é o lema pelo qual a Tizia e a sua equipa se regem. Ela abriu o hostel em 2015 sem um grande orçamento, mas munida de uma paixão por hostels que desenvolveu nas suas viagens pela América Latina, Índia e Europa, e de um amor pelo país natal do seu marido, Tini, a Tanzânia. Compraram uma cama nova para a casa da família, que alugavam a viajantes, poupando dinheiro para comprar uma cama extra de cada vez. Hoje em dia, a casa da família tem 22 camas que acolhem viajantes de todo o mundo!

📷 Tizia, Tini e o filho
Tizia diz que acolher hóspedes como parte da família Nyumbani é uma das coisas mais gratificantes de gerir o seu hostel. Mas não é apenas um local acolhedor para passar a noite – Tizia e Tini também realizam um trabalho importante na sua comunidade.
«Na Tanzânia, ainda há muito a fazer para melhorar a vida quotidiana, especialmente para as pessoas vulneráveis. Fundámos a Viva Tanzania para apoiar ONG locais, oferecendo trabalho voluntário e estágios. Apoiamos 14 projetos diferentes em Arusha nas áreas da educação, direitos das mulheres, capacitação dos jovens, cuidados de saúde, apoio a pessoas com deficiência, bem-estar animal e conservação ambiental. A partir de julho, estamos a planear construir uma creche para crianças Maasai desfavorecidas. De momento, estamos a angariar donativos e estamos entusiasmados com o apoio que estamos a receber.» – Tizia
Pode pensar que gerir projetos incríveis como este requer uma rede de apoio bastante notável – e tem razão. Tizia afirma: «Sem os nossos colaboradores, o nosso albergue não seria o mesmo. Temos o nosso gerente, que zela por que tudo corra bem, as nossas duas «Mamas», que são excelentes cozinheiras e também mantêm o albergue limpo e arrumado, e uma equipa adorável que faz tudo o que é necessário, como conduzir, servir de guia ou fazer vigília à noite.»

📷 Nyumbani Hostel
A Tizia retribui este apoio garantindo que a sua equipa se sinta sempre valorizada numa economia que nem sempre é estável. Recebem um salário superior ao salário mínimo e têm acesso a ajuda para construir as suas casas, dispõem de eletricidade e água corrente e recebem apoio para cobrir despesas relacionadas com casamentos e doenças. Os filhos de todos os funcionários frequentam uma escola privada, financiada não só pelo hostel, mas também através de donativos de hóspedes e voluntários!
5. Marina Moretti – proprietária do Ô de Casa Hostel Bar – São Paulo, Brasil
Em 2007, Marina não estava satisfeita com o facto de a sua cidade estar a ser ignorada pela maioria dos mochileiros da América do Sul. «Não havia albergues para viajantes independentes em São Paulo e a edição brasileira do Lonely Planet dedicava apenas 5 das suas 500 páginas à cidade. As pessoas simplesmente não vinham para cá e eu sabia que era uma cidade fantástica!» Na altura, ela vivia com amigos no bairro superdescolado da Vila Madalena, e tiveram a ideia maluca de transformar a sua casa de estudantes num hostel. «Deixámos o local acolhedor, publicámos o anúncio no Hostelworld e as pessoas começaram a chegar!»

📷 Marina
E vieram mesmo. O Ô de Casa tornou-se rapidamente um dos hostels mais populares do continente, arrecadando inúmeros prémios HOSCAR ao longo dos anos, incluindo o de melhor hostel do Brasil. Então, qual foi o segredo do sucesso da Marina?
«O Ô de Casa nunca foi encarado como um negócio, é mais como uma comunidade. Cuidamos das pessoas que aqui trabalham como se fôssemos uma grande família com parentes espalhados por todo o mundo, composta por pessoas que trabalharam aqui em diferentes épocas. Convidamos todos os hóspedes que entram pelas nossas portas a fazer parte desta família e a viver uma experiência divertida enquanto aqui estiverem.» – Esta diversão começa com caipirinhas grátis à chegada e termina com cachaça pong e festas no terraço!
A localização do Ô de Casa na vibrante e boémia Vila Madalena é uma parte fundamental da sua identidade, por isso a Marina está empenhada em retribuir ao bairro tanto quanto possível, contratando pessoal local, disponibilizando produtos locais no bar e promovendo eventos na zona. Ela orgulha-se de não haver disparidade salarial entre os seus colaboradores, independentemente do género.

📷Ô de Casa
Perguntámos à Marina qual era o seu conselho para a próxima geração de mulheres líderes:
«Seja o que for, segue o teu coração e vai em frente. Começar o meu próprio negócio mudou a minha vida — abrir um hostel é como criar o teu próprio mundinho e passamos a fazer parte da história de todos os que vêm ficar connosco. Se conseguires criar uma comunidade, não há nada mais bonito ou gratificante para fazeres na vida. Ao longo do caminho, vais conhecer mulheres maravilhosas que te vão ajudar a crescer – as pessoas gostam de colocar as mulheres em competição umas com as outras, mas, na realidade, não poderíamos ser mais solidárias.»
6. Stephanie Duenker – proprietária do Cloudcroft Mountain Park Hostel – Novo México, EUA
A gestão de albergues está no ADN de Stephanie. Os seus avós geriam e viviam num albergue enquanto ela crescia na Alemanha, e ela passou muito tempo lá e noutros albergues por todo o país com a sua família. As suas primeiras memórias de viagem semearam as sementes que a levaram a acabar por abrir um albergue nas Montanhas de Sacramento – «Sempre adorei albergues rurais em locais invulgares, como castelos antigos na Escócia ou vilas românticas em Itália». A localização do Cloudcroft Hostel é, sem dúvida, invulgar, a uma altitude de 6 700 pés e rodeada por 28 acres de floresta, com infinitas trilhas para caminhadas à sua porta.

📷 Stephanie
Mas o que mais impressiona neste acolhedor e remoto albergue é a forma como chegou a existir — a Stephanie e o seu parceiro na altura construíram tudo do zero!
«Encontrámos o espaço em 2001, depois de procurarmos durante meses o local perfeito para o nosso albergue e para a nossa casa. A propriedade que encontrámos estava abandonada há anos e cheia de tralha, mas, sendo arquiteta, vi o seu potencial. Demolimos e reconstruímos totalmente a casa — todos os 6.000 pés quadrados! Excedemos-nos e ficámos sem dinheiro ao fim de um ano, por isso voltei a trabalhar a tempo inteiro e construía aos fins de semana, razão pela qual demorou cinco anos até que o albergue abrisse finalmente em 2006. Em 2014, comecei a gerir o albergue sozinha e, agora, em 2020, consegui finalmente que o Cloudcroft ficasse exatamente como sempre imaginei!»
O Cloudcroft é um verdadeiro projeto de amor, algo que é óbvio para todos os hóspedes que são recebidos pela Stephanie. «Eu gerencio, faço as reservas e limpo o albergue sozinha. Não tenho funcionários, por isso, muitas vezes deixo os hóspedes fazerem o check-in quando não estou por perto. Gosto de confiar nas pessoas e, até agora, elas não me desapontaram!»

📷 Cloudcroft
Bem, já ficámos exaustos só de ouvir falar da dedicação da Stephanie! Então, o que faz com que todo esse trabalho árduo valha a pena?
«Adoro quando os viajantes ficam no albergue pela primeira vez, se apaixonam por ele, voltam ou pedem recomendações. Fico tão feliz ao ouvir estranhos sentados juntos, a conversar e a rir!»
7. Veronika Karacova – proprietária do Caveland – Santorini, Grécia
Santorini é um dos destinos mais deslumbrantes do mundo – aqueles edifícios caiados de branco, as ruas iluminadas por lanternas e as vistas para o mar são o que alimenta os nossos sonhos de viagem. À medida que a sua popularidade começou a crescer, a Veronika e o marido tiveram a ideia de abrir um hostel na aldeia de Karterados, longe dos locais turísticos típicos. Queriam manter-se fiéis à tradição sem abdicar da beleza e do luxo pelos quais Santorini é famosa. Assim, em 2011, nasceu o Caveland!
«O Caveland está sob proteção do património, pois é um excelente exemplo da arquitetura local típica. Os nossos quartos são cavernas tradicionais de Santorini — cavidades habitáveis escavadas no solo. Temos 10 no total, e a arquitetura, o design e a decoração são únicos em cada uma delas. O nosso espaço tem imenso carácter… a primavera no Caveland é especialmente bonita, porque as flores estão a desabrochar e os nossos recantos tranquilos enchem-se das plantas mais coloridas.» – Veronika

📷 Veronika
Cada recanto do Caveland é especial, desde os recantos de leitura aos terraços com vista para o mar e à zona da piscina em tons pastel. Todo o seu mobiliário peculiar é adquirido de forma sustentável, com a Veronika a vasculhar os mercados de pulgas locais e a reciclar criativamente o máximo possível. Aqui não há nada daqueles móveis genéricos em embalagens planas!
O espírito de comunidade e os eventos sociais são uma parte fundamental da experiência no Caveland, com noites de culinária, saídas em grupo a restaurantes locais, aulas de ioga duas vezes por semana e retiros de ioga fora da época alta. Veronika diz que construir uma família global é uma das coisas de que mais gosta em ser proprietária de um hostel – «Tenho orgulho em conhecer tantas pessoas fantásticas de todo o mundo que consideraram o Caveland a sua casa. A nossa equipa é o coração do hostel, e cada pessoa que trabalhou para nós deixou aqui a sua marca.»

📷 Caveland – @gabriellabezeau
Então, que outras mulheres incríveis inspiraram a Veronika a tornar-se na chefe que é hoje?
«Tenho a sorte de ter mulheres incríveis na minha vida — a minha mãe, a minha tia, muitas amigas. Uma vez por ano, fazemos uma viagem só de mulheres e é um momento muito inspirador para mim. Partilhamos histórias sobre as nossas vidas, discutimos política, trabalho, filosofia, falamos sobre os livros que estamos a ler, partilhamos histórias sobre os nossos filhos e famílias. Os meus filhos são os meus maiores professores; aprendi com eles a ser mais paciente e a viver o momento.»
8. Marina Hamzah – proprietária do Hikers Sleep Port – Cameron Highlands, Malásia
No coração das épicas Cameron Highlands, na Malásia, rodeadas por intermináveis colinas esmeraldas e plantações de chá, o Hikers Sleep Port é orgulhosamente gerido por Marina, que vive no albergue com o marido e os quatro filhos. Com experiência na área da hotelaria, ficou desiludida com a falta de alojamento acessível em Tanah Rata, a parte da região onde o marido trabalhava frequentemente como guia naturalista, dormindo no carro para evitar hotéis caros! Isso inspirou-os a abrir o seu albergue «uma casa longe de casa», um local onde os viajantes podem abraçar o «modo de vida local malaio».
«Reunimos tudo o que amamos na nossa cultura para criar um albergue com conceitos de casa malaia. Servimos um pequeno-almoço local malaio que cozinhamos pessoalmente na nossa cozinha, para que os nossos hóspedes acordem com os aromas de macarrão frito, arroz frito e kaya (compota de coco) caseira, preparados com amor todas as manhãs. Vivemos no albergue onde acolhemos a nossa ‘família’ global, por isso estamos sempre disponíveis para receber os nossos hóspedes a qualquer hora!» – Marina

📷 Marina
Por estar num local tão espetacular (a sério, se ainda não conheces as Cameron Highlands, procura no Google agora mesmo), a Marina considera que é importante apoiar projetos ambientais que ajudem a região e permitam que a sua magnificência seja partilhada com o maior número possível de pessoas.
«Patrocinamos e mantemos um centro de reciclagem nas proximidades desde o ano passado. Trabalhamos em estreita colaboração com o Departamento Florestal de Cameron Highlands, criando um novo trilho de caminhada até ao Monte Brinchang Barat, que é o segundo pico mais alto da região. Em 2018, melhorámos o trilho para o Monte Irau, que é uma das florestas mais antigas e bonitas do mundo, tornando-o mais seguro e mais prático para os caminhantes. Fazemos isto gratuitamente devido ao nosso amor pela natureza.»

📷Cameron Highlands – Marina
A par do seu trabalho de melhoria das Cameron Highlands, o Hikers Sleep Port também apoia as populações indígenas da região através de projetos comunitários, renovando instalações locais como bibliotecas e parques infantis e ajudando a organizar aulas de inglês. «Ao mesmo tempo, aprendemos muito sobre a cultura deles» – Marina.
9. Melissa Oconitrillo – proprietária do Capital Hostel de Ciudad – San José, Costa Rica
Há três anos, a Melissa fartou-se de trabalhar em turnos de 12 horas num hotel e percebeu que a sua paixão por viajar estava a ser desperdiçada no lugar errado. «Comecei a sentir a necessidade de abrir um espaço que retribuísse à nossa cidade — San José tinha uma reputação imerecida de não oferecer nada de especial ou cultural, e achei que isso não era justo. Queria incentivar as pessoas a ficarem mais tempo em San José e a viverem as experiências locais pelas quais me apaixono todos os dias». Os hostels boutique elegantes que se encontram por toda a Costa Rica eram poucos e distantes entre si na capital, e a Melissa achou que era altura de elevar o padrão.
Foi assim que surgiu o Capital Hostel de Ciudad, um hostel com um design marcante, repleto de toques carinhosos e um ambiente mais descontraído do que nunca, que oferece eventos e passeios a pé para mostrar a excelência de San José. E ao lado desta inovadora proprietária de hostel esteve, em cada passo do caminho, outra mulher brilhante – a sua mãe, Mercedes!

📷 Melissa e Mercedes
«Ter a minha mãe a fazer parte desta equipa é tão importante. Ela proporciona a estabilidade e a maturidade que só a experiência de vida pode dar. Damo-nos muito bem, ela é sempre tão descontraída e, apesar de não ter formação na área da hotelaria, o atendimento ao cliente corre-lhe nas veias. Quem a conhece sabe que ela está sempre a sorrir e a rir, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Ela também ADORA viajar, conhecer novas culturas e provar comida de todo o mundo. Tal mãe, tal filha!» – Melissa
Então, que conselho é que a Melissa tem para a próxima geração de mulheres líderes?
«Ignorem todas as dúvidas que tiverem sobre vocês mesmas – se não perderem o foco nos vossos objetivos, tudo acabará por se resolver. Deixem de se preocupar com o que as pessoas pensam! Nunca segui o que a sociedade espera das mulheres. Estou na casa dos 30, não sou casada e não tenho filhos, mas este projeto é o que me preenche. O meu albergue permite-me ter um impacto positivo na vida das pessoas e, para mim, isso é tudo.»

📷 Capital Hostel de Ciudad
Quem mais se sente empoderado depois de ouvir estas incríveis proprietárias de hostels? Vamos seguir os seus passos e ser as melhores líderes, inovadoras e aventureiras que pudermos ser. O patriarcado não se vai destruir sozinho!
Para explorar estes hostels e milhares mais, descarrega a aplicação Hostelworld!

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