Histórias de sustentabilidade: “Isso mudou a maneira como viajo” – viajando sozinha pela Colômbia

Se você já olhou com desconfiança para a ideia de viajar sozinha pela Colômbia, conheça Amy Phung. Londrina. Mulher asiática. Mochileira. “Fala-se tanto sobre a Colômbia”, ela me disse. “Mas eu queria ver com meus próprios olhos, não através da perspectiva de outra pessoa.”
Como vencedora do concurso anual de viagens para funcionários da Hostelworld, Amy passou várias semanas viajando pela Colômbia, indo de albergue em albergue e descobrindo um país que a surpreendeu a cada momento.
Primeiras impressões

Ao chegar em Bogotá, Amy se preparou para aquele estado de hipervigilância que as mulheres que viajam sozinhas são ensinadas a ter. Em vez disso, encontrou acolhimento. “Os colombianos têm esse jeito de fazer você se sentir em casa, mesmo quando claramente não está”, ela riu.
“Eu não falava espanhol e, no começo, isso me deixou nervosa. Mas aprendi a me comunicar com gestos, sorrisos e paciência. Isso me ensinou que a conexão nem sempre precisa de palavras.”
Na capital, em vilarejos rurais e até mesmo em lugares onde os turistas eram raros, os moradores locais a tratavam como uma vizinha. “Alguém correu atrás de mim para me avisar que minha bolsa estava aberta. As pessoas se esforçavam ao máximo para garantir que eu me sentisse segura.”
Dica: converse com a equipe do albergue. “Eles são os verdadeiros especialistas e podem te dar as melhores dicas sobre a região e recomendações de segurança, como quais áreas evitar à noite ou quando chamar um Uber.”
Das grandes cidades aos recantos mais tranquilos
A rota de Amy ziguezagueava entre cidades famosas e recantos mais tranquilos: Bogotá – Santa Marta – San Agustín – Salento – Medellín.
Como se locomover? “Voe com a Avianca entre as cidades. Para ônibus, a Coomotor foi incrível com seus assentos reclináveis, etiquetas para bagagem e, para viagens curtas, Uber ou mototáxis reservados pelo albergue.” Embora os ônibus partissem no horário, raramente chegavam a tempo. Lembre-se de levar em conta os atrasos no trânsito, já que a infraestrutura rodoviária da Colômbia ainda está em desenvolvimento.
Dica: Não deixe de visitar os lugares desconhecidos. “Gosto de ir a lugares sobre os quais não há muita informação online”, diz ela.“O parque arqueológico de San Agustín me deixou de queixo caído! Estátuas com milhares de anos, com guias que dedicaram suas vidas a preservá-las.”
Seja na capital ou em vilarejos escondidos, os albergues em que ela se hospedou eram pontos de encontro, conselhos e comunidade:
Costeño Beach Hostel – Santa Marta

Outrora uma fazenda de cocos, hoje um refúgio entre a selva e a praia perto do Parque Nacional Tayrona, o Costeño Beach Hostel foi onde Amy sentiu pela primeira vez a magia da vida em albergues na Colômbia. “Estávamos conversando nas redes quando alguém nos ouviu falando sobre Salento e entrou na conversa. Você nunca está realmente sozinho.”
A noite de karaokê selou o acordo. “Cantamos Destiny’s Child, as pessoas aplaudiram e, de repente, estávamos trocando dicas de viagem e nomes de usuário do Instagram.”
Dica:Participe dos eventos do albergue, como karaokê ou coquetéis de boas-vindas; eles são feitos para ajudar você a conhecer gente. “Mesmo que você seja tímido, basta aparecer. Você vai sair de lá com novos amigos.”
Recomendações da Amy:
- Faça uma trilha no Parque Nacional Tayrona
- Aprenda a surfar com a Fundação Social Costeno
- Não perca a noite de karaokê no Costeno Beach Hostel – é um ritual de passagem
Botánico Hostel – Bogotá

No bairro La Candelaria, em Bogotá, o Botánico Hostel parecia um oásis urbano. “Oscar, o proprietário, me contou que o prédio costumava ser um esconderijo de Policarpa Salavarrieta, uma revolucionária de 22 anos. Isso me deixou impressionada. Todo mundo fala do Pablo, mas há tantas outras histórias que valem a pena ser contadas.”
Com pátios arborizados e recantos tranquilos a poucos passos de museus e arte de rua, era a base perfeita para explorar a capital da Colômbia — e suas histórias ocultas.
Ela também participou de um passeio conduzido por um ex-membro de gangue que mudou de vida e agora mostra às pessoas a riqueza de sua comunidade. Isso incluiu a preservação de tradições culturais, como a fabricação da chicha. Cada um de nós provou um copinho da bebida fermentada de milho enquanto ouvia histórias sobre como ela foi proibida.
Dica:pergunte à equipe do albergue sobre a história local. Você vai ouvir histórias que nunca aparecem nos guias turísticos.
Recomendações da Amy:
- Passeio pela cidade com a BePelican Tours
- Passeie por La Candelaria
- Aprecie a vista panorâmica de Monserrate
Los Patios Hostel – Medellín

Em Medellín, Amy se hospedou no Los Patios Hostel, eleitoo Melhor Hostel de Grande Porte do Mundo em 2020 no HOSCARs. “É Medellín em plena floração”, disse ela. Dois prédios repletos de bares na cobertura, aulas de salsa, espaços de coworking e projetos comunitários.
“Em Medellín, fiz um passeio de frutas com a Capture Colombia Tours e experimentei quatro ou cinco tipos diferentes de maracujá que eu nem sabia que existiam. A variedade de frutas da Colômbia é incrível — doces, azedas, suculentas e totalmente desconhecidas. Isso me fez perceber o quanto ainda não provei dos sabores do mundo.”
O albergue a colocou em contato com um passeio pela Comuna 13 conduzido por Laura, uma moradora local que cresceu no bairro. “Ela foi honesta sobre o passado, a política e o impacto do turismo. Sem embelezamentos, sem glorificações. Esse é o tipo de guia que você quer: alguém contando sua própria história.”
Dica:ao reservar passeios, pergunte quem os conduz e se são da região. “Se eles se esquivarem de perguntas sobre para onde vai o dinheiro, isso é um sinal de alerta.”
Recomendações da Amy:
- Explore a Comuna 13
- Experimente as delícias do passeio pelo mercado de frutas
- Divirta-se no ônibus da festa
Hacienda Venecia – Manizales

Situada na região cafeeira da Colômbia, a Hacienda Venecia é uma fazenda em pleno funcionamento com um albergue descontraído em seu coração. “Uma barista de 16 anos chamada Karol conduziu nossa oficina de café. Ela agora está competindo em nível nacional porque o albergue investiu em seu treinamento. Esse é o tipo de apoio comunitário que eu quero ver.”
Amy também se tornou uma entusiasta da observação de pássaros em Manizales. “Gostaria de ter tido mais tempo em Manizales, foi incrível! Fiz um passeio do café e aulas de culinária, além de um passeio de observação de pássaros. Eles nos deram binóculos e um aplicativo para reconhecer os cantos dos pássaros. Agora estou prestando atenção aos cantos dos pássaros aqui na Inglaterra.”
Dica:a Hacienda Venecia é um caso de sucesso em sustentabilidade. “Eles fazem compostagem, reciclam e cultivam grande parte de seus próprios alimentos. Dá para sentir a diferença no sabor do iogurte e do café. É um ótimo exemplo de como o turismo pode apoiar os ecossistemas locais.”
Coffee Tree Hostel – Salento

A uma altitude de 1.900 metros, no meio da floresta tropical, Amy passou alguns dias na vila montanhosa de Salento. É a base perfeita para visitar o famoso vale das palmeiras de cera e fica localizada na região cafeeira do país. Há muitas fazendas de café para escolher.
Dica: Leve calçados adequados. A Colômbia se estende por três cadeias de montanhas e você vai acabar subindo colinas íngremes com frequência.
Recomendações da Amy:
- Faça uma caminhada pelo icônico Vale de Cocora com a 5to Elemento Tours
- Faça um passeio por uma fazenda de café local
- Relaxe nas fontes termais de Santa Rosa de Cabal
Finca El Maco – San Agustín

Sua base em San Agustín era a Finca El Maco, um eco-alojamento totalmente sustentável. “Eles cultivam sua própria comida, aquecem a água com painéis solares e até constroem telhados com folhas secas de cana-de-açúcar.”
O albergue a colocou em contato com uma guia incrível, Martha Gil, para explorar o parque arqueológico tombado pela UNESCO. “Ela queria que as pessoas conhecessem a história da Colômbia, não apenas Pablo Escobar.” Entre em contato com ela para agendar seu passeio pelo e-mail martica228@gmail.com ou pelo telefone (57) 310-216-4462.
Dica:Hospede-se em lugares que estimulem a reflexão. “A Finca El Maco me ajudou a recarregar as energias. Não é só ecologia, é algo que toca a alma.”
Recomendações da Amy:
- Conheça a Cordilheira dos Andes
- Use o aplicativo Hostelworld para encontrar pessoas com quem dividir caronas
- Muitos albergues oferecem água potável filtrada gratuitamente
El Rio Hostel Buritaca — Voluntariado que fez a diferença

Uma das partes mais transformadoras da viagem de Amy foi o voluntariado no El Rio Hostel, em Buritaca, uma zona pós-conflito onde o albergue funciona também como centro comunitário. O albergue é uma iniciativa conjunta com uma fundação, que apoia 600 crianças locais.
Ela ensinou inglês e esportes para as crianças locais, muitas das quais não têm acesso à educação física. “Uma menina me abraçou assim que cheguei. Não falávamos a mesma língua, mas nos conectamos por meio de brincadeiras e risadas.”
Mesmo que você não seja voluntário, ainda pode contribuir. “Compre um rum com Coca-Cola nas quartas-feiras da Fundação e você financia 45 minutos de educação. Em média, eles vendem mais de 200 por semana!”, diz Amy. O lugar prova que é possível dar uma festa épica e causar um impacto ao mesmo tempo.
Dica:Ser voluntário aqui tem tanto a ver com dar quanto com aprender. “Eles te treinam, te envolvem em oficinas e garantem que você entenda as necessidades da comunidade. Não é algo apenas para aparentar, é uma parceria de verdade, impulsionada por uma equipe completa de funcionários experientes e voluntários de longa data.”
O panorama geral

A viagem de Amy teve como objetivo entender a Colômbia. “Viajar causa impacto, sem dúvida. Mas se você pesquisar, fizer perguntas e apoiar iniciativas locais, isso pode ser uma força para o bem.”
Converse com os moradores locais, ela recomenda. Não apenas com guias ou funcionários de albergues, mas com qualquer pessoa disposta a compartilhar. “Alguns dos meus momentos mais significativos surgiram de conversas espontâneas. Certa vez, um homem me parou apenas para avisar que minha bolsa estava aberta. Outro passou uma hora falando sobre observação de pássaros, mesmo que eu não estivesse reservando um passeio. Esse tipo de generosidade e orgulho pelo próprio país mudou a maneira como eu viajo.”
O tempo que passou em El Rio a inspirou a fazer seu próprio trabalho voluntário com comunidades locais em Londres. “Isso me lembrou que a comunidade começa em casa.”
Seu conselho final? “Não fique em cima do muro e reserve seu voo. A Colômbia tem algo para todos: praias, biodiversidade, história, gastronomia, vida noturna. Mas, acima de tudo, tem pessoas que querem que você conheça o país delas. E, quando você conhecer, nunca mais vai vê-lo da mesma forma.”