Milongas, Malbec e Messi: o guia definitivo para viajar de mochila pela Argentina
A Argentina é o oitavo maior país do mundo e concentra uma enorme variedade de paisagens dentro das suas vastas fronteiras. Cidades, zonas húmidas, desertos, montanhas, selvas, praias, glaciares, vinhas, estâncias de esqui… A Argentina é tão diversificada quanto enorme, e é precisamente isso que torna esta parte da América do Sul um destino tão atraente. A enorme extensão do país torna o planeamento de uma viagem um pouco intimidante, por isso reunimos tudo o que precisas de saber sobre viajar de mochila pela Argentina.

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Melhor altura para visitar a Argentina
A Argentina ocupa cerca de 2,8 milhões de quilómetros quadrados — aproximadamente o tamanho da França, da Turquia, do Japão e da Nigéria, todos juntos — e todo esse território é um pesadelo para os meteorologistas. Quando uma extremidade da Argentina está a arder de calor, a outra está a tremer de frio; ou um local está a secar, enquanto noutro chove a potes. Embora o clima na Argentina seja tão diversificado quanto o próprio país, a primavera (setembro a novembro) e o outono (março a maio) são geralmente as épocas mais agradáveis do ano para visitar, situando-se entre a hibernação do inverno e as multidões que se aglomeram no verão quente e abafado.
Norte da Argentina
As imponentes Cataratas do Iguaçu, na fronteira com o Brasil e o Paraguai, são quentes e húmidas durante todo o ano, com tempestades violentas e temperaturas acima dos 30 no verão (janeiro e fevereiro), antes de chegarem condições mais secas e frescas a meio do ano (maio a julho). As imponentes cascatas ruge com mais intensidade com toda aquela chuva por volta do Natal, se conseguir aguentar o calor. O mesmo se aplica aos vastos pântanos de Iberá, nas proximidades.
O outro lado da Argentina apresenta um cenário semelhante, com verões escaldantes e encharcados de chuva a darem lugar a invernos confortáveis e completamente secos. Situadas no sopé dos Andes, não muito longe da fronteira com o Chile e a Bolívia, províncias remotas como Salta e Jujuy estão no seu melhor em junho e julho, quando as paisagens áridas e vermelhas se assemelham a algo saído do Velho Oeste, e as noites geladas dão lugar a máximas diurnas de 20 graus.
Argentina Central
O clima de Buenos Aires não sofre as oscilações drásticas que outras partes da Argentina experimentam, apresentando quatro estações amenas, convencionais e decididamente agradáveis. Imagine Sydney, ou uma San Diego ligeiramente mais húmida.
Os verões podem ser abafados na cidade — é por isso que tantos porteños (habitantes de Buenos Aires) fogem para as praias de Mar del Plata, a cinco horas de carro para sul, ou para Punta del Este, do outro lado do Rio da Plata, no Uruguai — mas a primavera e o outono são perfeitos, especialmente quando as jacarandás dão um toque de lilás à Avenida Nueve de Julio, à medida que o tempo aquece em novembro. Mesmo no auge do inverno (junho e julho), as temperaturas máximas nunca descem abaixo dos 15 graus — tempo perfeito para se aconchegar numa das famosas churrascarias (parrillas), discotecas (boliches) ou salões de tango (milongas) da capital argentina.
O clima é semelhante em Córdoba e Rosário — a segunda e a terceira maiores cidades da Argentina, situadas no centro do país —, enquanto Mendoza é um pouco mais quente na época do Natal, atingindo os 30 na maioria dos dias. A meca vinícola da América do Sul ganha vida durante a época das vindimas, todos os outonos, quando as vinhas de Mendoza brilham em tons de dourado, laranja e vermelho à sombra dos Andes.

Sul da Argentina
O clima mais frio faz da Patagónia o destino mais sensível à época do ano na Argentina — se aparecer no pico do verão, poderá deparar-se com um cartaz de «sem vagas» pendurado na janela do albergue; se voltar alguns meses mais tarde, esse cartaz terá sido substituído por «fechado para o inverno». Mas se estiver a planear uma longa viagem de mochila às costas pela América do Sul, a ponta coberta de neve do continente é uma boa alternativa a suar na cidade durante o verão.
O tempo nesta parte do mundo, brutalmente fria, é mais imprevisível do que um casamento em «Game of Thrones», mas planear a tua viagem entre novembro e março dará-te a melhor hipótese de encontrar boas condições para explorar a Terra do Fogo. Os dias são quentes (mais ou menos), as noites são amenas e o sol permanece até bem tarde. Entre a Páscoa e outubro, porém, é de esperar que muitos hostels, bares e restaurantes fechem por esta época do ano.
Para além das praias varridas pelo vento da costa atlântica, encontra-se a Península Valdés, um local que ganha vida durante os meses mais frios. Um grupo de baleias francas austrais entra na baía todos os meses de junho para acasalar, permanecendo por lá até dezembro, juntamente com todas as focas-elefante, golfinhos, leões-marinhos, pinguins e outras aves marinhas que aqui se reúnem.
Situada na extremidade oriental dos Andes, a Região dos Lagos da Argentina é outro destino de eleição no inverno. Embora os lagos glaciares e os picos vulcânicos dos parques nacionais Nahuel Huapi e Lanín sejam mais bem explorados durante o verão, a época das estâncias de esqui andinas começa em junho, quando a neve se instala nos arredores de Bariloche. Já é tarde demais? Não se preocupe. Ainda pode desfrutar das flores silvestres que cobrem a Região dos Lagos a cada primavera, sob o sol.
Férias na Argentina
O clima na Argentina pode ser instável. Os eventos na Argentina, por outro lado, decorrem com a precisão de um relógio. Para além da Páscoa, do Natal e do Ano Novo, o país tem um calendário repleto de feriados nacionais, incluindo o Dia da Independência, a9 de julho, quando multidões enormes inundam a Plaza de Mayo com um mar de azul-celeste e branco em frente à Casa Rosada.
Fora da capital, a febre do Carnaval toma conta do país todos os meses de fevereiro. O maior — e mais brasileiro — Carnaval tem lugar em Gualeguaychú, a três horas a norte de Buenos Aires. Em Mendoza, todos os meses de março, a Fiesta Nacional de la Vendimia marca a época da vindima na região vinícola e, mais a sul, em Bariloche, a Fiesta de la Nieve leva a festa para a neve.

Córdoba fica a mais de 11 000 quilómetros das cervejarias de Munique, mas a pequena vila de Villa General Belgrano organiza uma Oktoberfest grandiosa de que a própria Baviera se orgulharia. E de volta a Buenos Aires, a capital celebra a dança nacional da Argentina com o Festival de Tango todos os anos em agosto, antes de encher a cidade de cores do arco-íris para a parada do Orgulho em novembro.
Desporto na Argentina
As festas mais coloridas de todas realizam-se nas «canchas» argentinas — ou estádios de futebol —, que ficam lotadas até aos telhados com «hinchas» (adeptos) a gritar entre o início de agosto e o final de maio, com uma pausa a meio da época em dezembro e janeiro. Assistir a um jogo na «La Bombonera», do Boca, ou no «El Monumental», do River, é uma experiência imperdível para qualquer fã de futebol que se preze, por isso não apareças em junho ou julho e te perguntes por que razão estas veneradas catedrais do desporto estão tão silenciosas.
O pólo é outra curiosidade desportiva argentina que vive o seu momento de glória a cada primavera, quando os melhores jogadores de pólo do mundo se reúnem em Buenos Aires para competir no Abierto Argentino e noutros torneios importantes entre outubro e dezembro. A seleção nacional de râguebi — os «Los Pumas» — enfrenta a Austrália, a Nova Zelândia e a África do Sul em casa entre agosto e outubro, enquanto o Open da Argentina traz o ténis a Buenos Aires todos os anos em fevereiro.
Visto para a Argentina
Requisitos de visto para a Argentina
Os requisitos de visto da Argentina são simples para a maioria dos viajantes… ufa! Os titulares de passaportes de mais de 80 países não precisam de visto para estadias turísticas de até 90 dias. Isso significa que os cidadãos da União Europeia (e sim, isso inclui o Reino Unido — não vamos abrir a caixa de Pandora do Brexit por enquanto), Austrália, Canadá, Japão, Nova Zelândia, Rússia, África do Sul, Coreia do Sul, Estados Unidos, além de praticamente todos os países da América Latina e das Caraíbas, podem simplesmente chegar com um passaporte válido por seis meses e obter um carimbo de 90 dias.
Há apenas uma ressalva: se chegar de avião, poderá ter de apresentar comprovativo de viagem de continuação. As autoridades argentinas raramente pedem, mas a sua companhia aérea pode fazê-lo — elas não querem mandá-lo diretamente de volta para casa se a Argentina o recusar, por isso, prepare-se bem. As fronteiras terrestres e marítimas devem ser simples, mesmo que as verificações alfandegárias possam ser um pouco mais minuciosas do que aquelas a que está habituado noutros locais.
Ótimas notícias para australianos, americanos e canadianos — a Argentina eliminou as taxas de reciprocidade que costumavam ser como uma bofetada na cara assim que saíam do avião. Para os cidadãos dos EUA, esta taxa de chegada chegava a 160 dólares americanos, o que dá para comprar imensas garrafas de Quilmes em pesos argentinos.

Se o seu país não constar da lista de isenção de visto, mas figurar nesta, pode solicitar uma Autorização Eletrónica de Viagem (AVE) por 50 dólares americanos, desde que tenha um visto de turista B2 emitido pelos EUA ou um visto da categoria C emitido pelo Espaço Schengen da UE com validade de três meses.
E se te apaixonaste tanto pela Argentina que não consegues ir embora ao fim de três meses, há duas formas de prolongar a tua estadia. Uma delas é sair do país por um ou dois dias — sendo a opção mais simples a viagem de ferry de 75 minutos de Buenos Aires até Colônia, no Uruguai, um país que também oferece entrada sem visto a praticamente todos os titulares de passaportes a quem a Argentina concede o mesmo benefício — e, ao regressar, obter um novo carimbo de 90 dias.
A outra é aperfeiçoar o seu espanhol ao navegar pelo site labiríntico da Dirección Nacional de Migraciones, onde pode solicitar a prorrogação da sua estadia por 90 dias mediante o pagamento de uma pequena taxa. Burocracia entediante ou uma viagem rápida a um novo país emocionante… a escolha é sua.
Uma visita ao site da Migraciones também está prevista para os visitantes que planeiam trabalhar, estudar ou viver na Argentina, que têm de estar preparados para meses de burocracia tediosa com uma agência governamental notoriamente complicada. ¡Buena suerte!
Visto para a Argentina a partir do Reino Unido
Desde as Ilhas Falkland (ou Ilhas Malvinas) até ao cartão vermelho de David Beckham no Campeonato do Mundo de 1998, a Argentina e a Inglaterra têm mantido uma relação tensa no passado recente. Mas se estiveres a pesquisar freneticamente no Google «visto para a Argentina no Reino Unido», a tentar descobrir se o teu passaporte britânico será bem-vindo quando aterres em Buenos Aires, não te preocupes — os titulares de passaportes do Reino Unido podem entrar na Argentina sem visto por um período de até 90 dias.
Onde ir na Argentina
Ao elaborar uma lista dos pontos altos da Argentina, tens de te perguntar o que te interessa. Vinho ou vida selvagem? Glaciares ou gaúchos? Sair a cambalear de uma discoteca em Buenos Aires às 6 da manhã ou pôr o despertador a tocar a essa hora para escalar o Monte Fitz Roy? A Argentina é um país enorme, com experiências que se adequam a todo o tipo de mochileiro, e estas são as principais paragens onde deves reservar um albergue.
Buenos Aires
Buenos Aires é a paragem maior, mais animada e mais brilhante desta lista de destaques da Argentina. Capital do país e uma das metrópoles mais vibrantes das Américas, esta cidade imperdível é um cocktail inebriante de cultura, caos, cor e loucura que todo o mochileiro precisa de experimentar por si próprio.
Parques banhados pelo sol em todos os bairros. Cafés cosmopolitas que se espalham por todas as esquinas. Milongas noturnas a tocar música de tango sensual e discotecas de classe mundial a animar até altas horas da madrugada. Arquitetura parisiense e uma cena artística e teatral sofisticada a condizer. Algumas das lojas mais chiques da América do Sul, bem como os estádios de futebol mais animados do continente. As atrações não param, e não param, e não param.

Não sabe onde ir em Buenos Aires? A capital argentina é um verdadeiro formigueiro de diferentes bairros. O imponente Obelisco marca o centro do Microcentro, no coração da cidade, delimitado pelas ruas estreitas e de calçada do rústico San Telmo, a sul, e pelas antigas docas revitalizadas de Puerto Madero, a leste. O moderno Palermo e a sofisticada Recoleta são os locais a visitar na zona norte da cidade, e não deixe de visitar as casas coloridas de La Boca, na zona sul da cidade.
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Rosário
Rosário é outra das maiores cidades da Argentina, conhecida pelo seu estilo e pela sofisticada influência italiana. Situada às margens do rio Paraná, a três horas de carro a noroeste da capital, esta cidade de um milhão de habitantes não atrai tantos mochileiros como outros pontos de destaque da Argentina. Mas Rosário vale bem a pena uma visita para os apaixonados por história — há o imponente monumento à bandeira argentina, que foi hasteada pela primeira vez aqui em 1812, o fascinante Museu Histórico Provincial e o local de nascimento do venerado revolucionário Ernesto «Che» Guevara (sim, aquele tipo que aparece em todas aquelas t-shirts).
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Córdoba
A arquitetura espanhola da época colonial do histórico Bloco Jesuíta faz-nos sentir como se estivéssemos na Europa, mas Córdoba é, na verdade, a segunda maior cidade da Argentina. E embora os edifícios possam ter 400 anos, centenas de milhares de estudantes universitários criam um ambiente jovem e festivo que os mochileiros adoram.
Nomeada Capital Cultural das Américas em 2006, Córdoba orgulha-se de uma indústria cinematográfica e artística dinâmica, de inúmeros designers de vanguarda e mercados inovadores, e de uma vida noturna pulsante que rivaliza com a de Buenos Aires… quase. E o local ganha vida todos os anos em setembro, quando Villa General Belgrano acolhe a Fiesta Nacional de la Cerveza — o Festival Nacional da Cerveja, ou a resposta argentina à Oktoberfest. Um brinde a isso.

Situada no centro geográfico da Argentina, entre as montanhas das Sierras Chicas, Córdoba está também rodeada por ribeiros murmurantes e colinas suaves, como a serena Água de Ouro, a planície da Pampa Húmida e as pinturas indígenas do Cerro Colorado.
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Mendoza
Encontrará outra das maiores cidades da Argentina situada bem no meio da região vinícola. Mendoza — não muito longe da fronteira com o Chile, à sombra dos Andes cobertos de neve — é a maior região produtora de vinho da América do Sul, onde se engarrafam alguns dos melhores (e mais baratos) Malbec que alguma vez terás o prazer de beber num copo de plástico na sala comum do albergue.
Se a tua ressaca não for muito forte, apanha uma bicicleta para explorar as dezenas de bodegas (adegas) espalhadas por Mendoza e pela vizinha Maipú, ou reserva uma excursão de autocarro se pretenderes ficar tão bêbado que andar de bicicleta esteja fora de questão. E a própria cidade é um local encantador para beber umas taças da especialidade local, especialmente nos bares e restaurantes que surgem nas amplas avenidas que conduzem à Praça da Independência.

Mendoza é também uma excelente base para conquistar os Andes, incluindo o Monte Aconcágua, o pico mais alto das Américas — dirija-se ao acampamento base de Confluencia para desfrutar de vistas de tirar o fôlego, mas não tente enfiar demasiadas garrafas de vinho na sua mochila. A pitoresca cidade de Luján de Cuyo e o Vale do Uco, região vitícola, são outros pontos altos da Argentina.
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Mar del Plata
À procura de praias na Argentina? Não procures mais. Esta cidade na costa atlântica, a sul de Buenos Aires, é o local de surf mais badalado do país e o sítio preferido dos porteños para passar umas férias relaxantes na praia. As praias da Argentina não te vão deixar de boca aberta se estiveres habituado às faixas de areia cintilantes da Austrália, da Califórnia ou do Mediterrâneo, mas milhões de pessoas acorrem a Mar del Plata todos os verões em busca de sol, areia e cerveja. A cidade fica extremamente movimentada em dezembro e janeiro, mas as multidões criam um ambiente que rivaliza com a vida noturna a que te habituas na capital.
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Cataratas do Iguaçu
Não há nada mais impressionante na Argentina do que as Cataratas do Iguaçu… literalmente. Com 2,7 quilómetros de comprimento e mais de 60 metros de altura, estas 275 cataratas estrondosas constituem o maior sistema de cataratas do mundo, formando a fronteira natural entre a Argentina, o Brasil e o Paraguai. A água que cai ruge mais alto do que qualquer estádio de futebol na Argentina — e isso é dizer muito. Não é por acaso que o rio se chama Garganta del Diablo (Garganta do Diabo).

Desvie-se dos quatis (guaxinins sul-americanos) nos trilhos que serpenteiam entre os miradouros espetaculares de Iguazú e, em seguida, faça um passeio de barco para ser salpicado pelas cascatas. Puerto Iguazú é a cidade onde se fica no lado argentino do desfiladeiro; depois, há a Foz do Iguaçu, no Brasil — vale a pena dar um salto até ao outro lado da fronteira, se não precisar de um visto brasileiro.
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Pântanos de Iberá
A caminho de Iguazú encontra-se um enorme reservatório de água doce ligado às cataratas, repleto de vida selvagem, selva e cultura gaúcha. Cobrindo um território quase tão extenso quanto a Eslovénia ou as Ilhas Fiji, estes pântanos gigantescos abrigam a mais rica variedade de vida selvagem da Argentina — crocodilos, jaguares, veados, anacondas, tamanduás, macacos, capivaras, entre outros. E, ao contrário dos campos repletos de animais, os Pântanos de Iberá ainda não estão invadidos por mochileiros, pelo que vai sentir que tem o local todo só para si.
Bariloche
Bem-vindo a um pedacinho da Suíça situado na Patagónia. Com as suas cabanas de madeira, lagos de um azul profundo e picos salpicados de neve, San Carlos de Bariloche — normalmente chamada apenas de Bariloche — é um encantador ponto de partida para as maravilhas alpinas que a rodeiam, com vista para as águas tranquilas do Lago Nahuel Huapi, na pacífica Região dos Lagos da Argentina.
Calça as tuas botas de caminhada no verão para explorar as florestas imaculadas de Bariloche; depois, enquanto grande parte da Patagónia entra em hibernação durante o inverno, as estâncias de esqui da região, como o imponente Cerro Catedral, abrem as portas. A descontraída cidade de El Bolsón também merece uma paragem, graças a caminhadas espetaculares como a que leva à formação rochosa Cabeza del Indio.
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Puerto Madryn
Situada no extremo leste do norte da Patagónia, Puerto Madryn é um paraíso para a observação da vida selvagem que todos os aspirantes a David Attenborough têm de visitar. Esta pequena cidade balnear é a porta de entrada para a Península de Valdés, uma reserva natural que protege milhares de leões-marinhos, elefantes-marinhos, guanacos, emas, pinguins-de-Magalhães e outras aves marinhas ao longo de 400 quilómetros da costa atlântica. Pode estar um pouco frio para dar um mergulho, mas o inverno continua a ser a melhor altura para visitar, quando grupos de baleias francas austrais utilizam as águas abrigadas de Puerto Madryn para acasalar e dar à luz as suas crias.

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El Calafate
A Geleira Perito Moreno atrai um fluxo constante de mochileiros que seguem para sul, onde há muitos albergues de qualidade em El Calafate. Esta pequena cidade turística às margens do Lago Argentino foi transformada pelos visitantes que acorrem ao Parque Nacional Los Glaciares, lar de um dos pontos turísticos mais emblemáticos da Argentina.
Com trinta quilómetros de comprimento, cinco quilómetros de largura e 60 metros de altura, o Moreno é um rio de gelo de dimensões vertiginosas. Mas o ponto alto é quando enormes pedaços de gelo se separam da geleira e caem na água, produzindo um estrondo estrondoso que parece os efeitos especiais de um sucesso de bilheteira de Hollywood a desenrolar-se diante dos seus olhos e ouvidos.

Rodeado por todos os lados por paisagens geladas e hipnotizantes, há mais para ver nos arredores de El Calafate do que apenas estes blocos de gelo impressionantes. Faça caiaque no Canal Upsala, admire mais glaciares num cruzeiro pelo Lago Viedma ou dirija-se à meca do senderismo, El Chaltén, uma aldeia hippie que fica repleta de alpinistas todos os verões, a prepararem-se para enfrentar o deslumbrante Monte Fitz Roy, bem como inúmeras caminhadas nas proximidades.
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Ushuaia
Ushuaia — situada na costa sul da Isla Grande de Tierra del Fuego — costumava ser uma colónia penal devido ao seu isolamento, mas agora merece o seu lugar em qualquer lista dos pontos altos da Argentina devido ao seu estatuto de cidade mais meridional do mundo. A cidade em si não é propriamente agradável à vista, mas tudo à sua volta é de uma beleza impressionante — a sensação de estar no fim do mundo é o que torna Ushuaia tão especial.
Encravada entre a cordilheira Martial, a norte, e o Canal de Beagle, a sul, esta cidade é o ponto de partida dos cruzeiros para a Antártida. Mas mesmo que não vá embarcar nessa aventura épica até à Antártida, o arquipélago da Terra do Fogo oferece uma pequena amostra. Faça caminhadas no Glaciar Martial e no Cerro Castor, passeie pelas florestas geladas do Parque Nacional da Terra do Fogo, visite as ruínas arqueológicas do povo indígena Yaghan, com milénios de história, e viva a sua própria sequela de «Happy Feet» na Ilha Martillo, repleta de pinguins.
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Salta e Jujuy
É fácil esquecer o recanto acidentado do noroeste da Argentina quando se está a planear uma viagem de mochila às costas. Mas se estiver a planear uma visita às salinas de Uyuni, na Bolívia — tão presentes no Instagram —, ou ao desértico e sobrenatural Deserto de Atacama, no Chile, seria uma loucura deixar de lado as províncias argentinas de Salta e Jujuy pelo caminho.
Este recanto remoto da Argentina é um banquete de paisagens que parecem ter sido tiradas de outro planeta. Os Valles Calchaquíes, completamente secos, as corredeiras impetuosas do Rio Juramento, os picos escarpados da Serrania de Hornocal no vale da Quebrada de Humahuaca, as salinas áridas de Salinas Grandes, o deslumbrante Cerro de los Siete Colores (Morro das Sete Cores), e as cidades empoeiradas de Cafayate, Humahuaca, Purmamarca e Tilcara.

A cidade de Salta — um caldeirão de influências indígenas, toques gaúchos e grandiosos edifícios da era colonial — é um excelente ponto de partida para passeios de um dia pela região circundante, enquanto San Salvador de Jujuy é a capital da província vizinha, outra cidade agradável para dar início à sua aventura pelo noroeste.
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Argentina a preços acessíveis
Moeda da Argentina
O peso argentino é tão estável quanto uma cadeira de três pernas. Um dólar americano valia cerca de três pesos — representados pelo símbolo $ — há 10 anos, cerca de 6 $ há cinco anos e cerca de 45 $ no momento em que este artigo foi escrito, embora esse valor possa ter mudado completamente quando estiver a ler isto.
O peso perdeu metade do seu valor só no ano passado — um dólar americano valia $20 em janeiro, mas $40 no Natal — e o governo emitiu uma série de novas notas para acompanhar a inflação, adicionando notas de $200, $500 e $1000 às já existentes de $100, 50, 20, 10 e 5.
Os caixas automáticos (cajeros automáticos) estão por todo o lado, mas utilizá-los é uma provação frustrante. Nem todos os cartões internacionais funcionam, por isso leve um ou dois cartões de reserva, por via das dúvidas. Muitos caixas automáticos ficam sem dinheiro, especialmente em zonas turísticas ou em cidades pequenas durante a época alta. E os limites de levantamento podem ser desconcertantemente baixos — cerca de US$ 100 — com comissões exorbitantes a acrescentar. As máquinas da Banelco oferecem montantes maiores — procure o logótipo B em cor de vinho.
Os cartões de crédito são amplamente aceites e alguns locais até aceitam dólares americanos ou cheques de viagem, mas vai precisar de dinheiro para quiosques e compras mais pequenas. Leve notas em bom estado se quiser trocar dinheiro numa casa de câmbio e examine a marca de água nas notas de maior valor para detectar eventuais falsificações. Por esta razão, as lojas podem mostrar-se um pouco relutantes em trocar notas de valor elevado.
É costume dar uma gorjeta de 10 a 15% nos restaurantes — lembre-se apenas de que «gracias» significa «fique com isso», enquanto que «cambio, por favor» significa «dá-me o troco, obrigado, amigo».
Custos de viagem na Argentina
A inflação galopante significa que a Argentina não é tão barata como se poderia esperar, especialmente porque regatear não faz parte da cultura como noutras partes da América Latina, mas continua a ser um destino acessível para mochileiros. Qual é a regra geral para o teu orçamento diário na Argentina? Cerca de 50 dólares americanos ou 2250 pesos argentinos por dia, dependendo de onde te situas na escala entre mochileiro e «flashpacker» e se estás a viajar durante a época alta de verão.
Um lugar num dormitório de um hostel bem avaliado custa cerca de 10 dólares americanos (450 pesos argentinos) — por vezes um pouco mais em Buenos Aires ou em áreas remotas como a Patagónia durante a época alta. Uma boa refeição num restaurante decente custa um valor semelhante, o que parece uma pechincha — pode devorar um bife e um copo de vinho e ainda receber troco de uma nota de 500 pesos, o que é certamente melhor do que mais um prato de macarrão instantâneo na cozinha do hostel.

O vinho é outra compra com boa relação qualidade-preço — pode comprar uma garrafa de Malbec de Mendoza de qualidade no supermercado por US$ 5 (AR$ 225) ou um pouco mais num bar, enquanto as cervejas custam cerca de US$ 1 (AR$ 45) no supermercado e US$ 2-3 (90-130 AR$) num bar. Uma nota de 50 pesos também dá para um petisco de rua, como um choripan ou uma empanada.
A entrada em museus como o MALBA (170 AR$/4 US$) e o Museu Nacional de Belas Artes (200 AR$/5 US$) tem um preço razoável, tal como os transportes em Buenos Aires, em comparação com outras grandes cidades. Uma viagem de Subte (metro) custa entre 11,40 e 19 pesos argentinos (menos de 0,50 dólares americanos), dependendo do número de viagens que fizer com o seu cartão SUBE durante o mês, enquanto uma viagem de táxi de Palermo até ao centro da cidade custa cerca de 200 a 250 pesos argentinos (5 a 6 dólares americanos).
O custo do transporte entre cidades, no entanto, faz um rombo no seu orçamento diário. Os voos domésticos costumam ter preços exorbitantes, mas os autocarros também não são propriamente baratos — um bilhete de Buenos Aires para Rosário (4,5 horas) custa AR$ 600 (US$ 13), para Mendoza (18 horas) custa 1 250 AR$ (28 US$), ou para Iguazú (18 horas) custa 2 600 AR$ (58 US$).
Portanto, se estiver a planear passar a noite num hostel, dar um salto a um museu e comer umas empanadas ao almoço, guardar algum espaço para um bife e um copo de vinho ao jantar e, depois, apanhar um táxi de volta para o teu dormitório, estás a falar de US$40 ou AR$1800 por dia. Reserve mais alguns dólares para um passeio especial ou para o seu próximo autocarro e US$ 50 é um valor razoável para o seu orçamento diário na Argentina.
Mercado azul
Talvez já tenhas ouvido falar do «mercado azul» de dólares americanos por parte de pessoas que visitaram a Argentina no passado, mas hoje em dia já não serve praticamente para nada. As restrições à negociação de moeda estrangeira significavam que, há alguns anos, podias obter quase o dobro de pesos pelo teu dólar junto de cambistas ilegais chamados «arbolitos» (pequenas árvores) na Calle Florida, em Buenos Aires — o que, aos olhos de muitos viajantes, valia o risco de duplicar o teu dinheiro. Mas, após recentes alterações legislativas, a taxa do mercado azul já quase não é melhor do que a que obtém num multibanco ou numa casa de câmbio oficial hoje em dia, por isso não deve sentir qualquer tentação de se envolver com estas figuras duvidosas.
Onde ficar na Argentina
Podes esticar um pouco mais as tuas poupanças ficando alojado em alguns dos muitos hostels fantásticos da Argentina. O preço médio de um lugar num dormitório é de cerca de 10 dólares americanos (45 pesos argentinos) — talvez um pouco mais nos albergues de Buenos Aires —, o que é mais uma razão pela qual a Argentina é um destino tão fantástico para mochileiros. Do calor de Iguazú ao frio da Patagónia, estes são os melhores albergues da Argentina.
Albergues em Buenos Aires
Não se pode começar a falar de albergues em Buenos Aires sem mencionar o Milhouse, um par de albergues festivos cuja reputação se estende por todo o mundo. Escolha entre o Milhouse Hostel Hipo, na Hipólito Yrigoyen, e o Milhouse Hostel Avenue, na Avenida de Mayo — ambos bem no coração do centro da cidade e ambos com animados bares para mochileiros que ficam abertos até de madrugada.
Outros hostels com as melhores avaliações em Buenos Aires incluem o América del Sur, uma propriedade boutique vencedora do prémio HOSCAR, e o ultramoderno Circus Hostel, no encantador bairro de San Telmo; o acolhedor Benita Hostel, na Recoleta; e o Selina Palermo, um ponto de encontro boémio para nómadas digitais.

📷 Selina Palermo
Se procura hostels mais intimistas em Buenos Aires, reserve um quarto privado no ChillHouse, de estilo rústico-chique, ou no Telmotango Hostel Suite, um alojamento com pequeno-almoço com 140 anos, que oferecem ambos uma seleção de quartos privados individuais, duplos, twin e triplos com uma boa relação qualidade/preço.
Albergues em Mendoza
O Hostel Lagares é uma pequena propriedade situada no centro histórico de Mendoza, e o seu terraço no último piso está equipado com uma churrasqueira para que os mochileiros possam desfrutar de um tradicional asado argentino acompanhado por uma garrafa (ou três) do famoso Malbec de Mendoza.
O Hostel Internacional Campo Base, na Plaza Independencia, a descontraída pousada Hostel Lao e a piscina no pátio sombreado do Hostel Alamo são outras opções de qualidade para quem quer explorar a região vinícola da Argentina.
Albergues em Bariloche
Os hostels em Bariloche podem ser um pouco caros, mas alguns valem cada peso. O Hospedaje Penthouse 1004 e o Green House Hosteltêm ambos vista para o lago, o Hostel Alchalay está repleto de novos amigos, o La Justina é uma cabana acolhedora e o Periko’s Youth Hostel é uma escolha fiável no centro da cidade.
Albergues em Puerto Iguazú
O Tangoinn Club Iguazu-Party Luxury Hostel oferece uma piscina lendária e um ambiente de festa, enquanto o Tucan Hostel, de gestão familiar, pode proporcionar uma noite de sono mais tranquila antes de explorar as impressionantes cataratas de Iguazú. O «Ambay Suites & Dorms» e o «Casa Yaguarete B&B» são outras opções descontraídas.
Albergues em El Calafate
Sede do Glaciar Perito Moreno, no Parque Nacional Los Glaciares, El Calafate é o seu ponto de partida para algumas das paisagens mais hipnotizantes da Patagónia. E há uma seleção de excelentes hostels à escolha, incluindo mais um estabelecimento da América del Sur, o Schilling Patagonia Travellers, o Folk Hostel e o Patagonia Republic Hostel — todos com uma classificação de, pelo menos, nove em 10 pelos hóspedes do Hostelworld.

Os hostels em El Calafate são mais caros nos meses de verão, janeiro e fevereiro, por isso tenta reservar o teu lugar com antecedência.
Albergues em Rio Gallegos
Do outro lado da Patagónia, Rio Gallegos é uma paragem popular entre El Calafate e Ushuaia. As opções de albergues em Rio Gallegos são limitadas, embora o Hysteria La Posada receba críticas positivas pelas suas instalações impecavelmente limpas.
Há muito mais opções mais a sul, em Ushuaia, onde o confortável «La Posta Hostel and Apart», o acolhedor «Galeazzi – Basily B&B» e o animado «Torre al Sur» são as melhores opções da cidade.
Albergues em Córdoba
A segunda maior cidade da Argentina tem uma série de alojamentos interessantes por onde escolher. O Alvear Hostel, o 531 Hostel e o Aldea Hostel são três dos locais mais animados para mochileiros, enquanto o Onas Hostel & Suites parece mais um hotel de luxo do que um alojamento económico.

📷Onas Hostel & Suites
Albergues em Mar del Plata
O Che Lagarto e o Hostel Casa Grande são locais confortáveis onde te sentirás em casa durante a tua escapadela à praia nesta cidade de verão banhada pelo sol.
Albergues em Rosário
A cidade de Rosário é conhecida pelo seu estilo, e os hostels não são exceção. O hostal boutique Bon Voyage Hostel e o acolhedor Be King apresentam, ambos, classificações da Hostelworld de nove ou mais.
Albergues em Salta
O noroeste da Argentina deve constar no itinerário de qualquer mochileiro que visite o país, e o animado albergue Prisamata, bem como o acolhedor All Norte, são boas opções de alojamento se pretender aventurar-se por estas paisagens de outro mundo a caminho da Bolívia.
Para além destes principais destinos para mochileiros, a Hostelworld também oferece alojamentos que cobrem todos os recantos deste vasto país. Descubra todos os nossos hostels na Argentina!
Viajar pela Argentina
Os transportes públicos da Argentina são outra razão pela qual esta parte da América do Sul é um destino tão fantástico para mochileiros. Aviões, comboios, autocarros, ferries e uma pequena frota de táxis formam uma extensa rede de transportes públicos por toda a Argentina, ajudando-o a explorar cada pedaço do país.
Avião
Se vier de avião do estrangeiro, é quase certo que chegará ao Aeroporto Internacional Ministro Pistarini, em Buenos Aires, conhecido simplesmente como Ezeiza. Os autocarros locais para a cidade demoram uma eternidade — a sério, duas horas, e ninguém tem tempo para isso —, mas os autocarros de ligação Manuel Tienda León (400 AR$/9 US$) ou os táxis privados chamados «remises» (1200 AR$/27 US$) são muito mais rápidos.
Voar de e para a Argentina pode ser a única ocasião em que visitará Ezeiza — a maioria dos voos domésticos utiliza o Aeroparque Internacional Jorge Newbery, mais próximo do centro da capital. A Aerolíneas Argentinas, a LATAM, a Andes e a LADE operam voos domésticos, mas com tão poucos aeroportos e preços mínimos fixados pelo governo, a maioria dos bilhetes fica fora do orçamento de um mochileiro, especialmente durante a época alta de verão.
Autocarro
Os autocarros (micros), por outro lado, são os melhores amigos dos mochileiros. São superconfortáveis, circulam com grande frequência e são relativamente acessíveis. Os autocarros de longa distância costumam ter apenas três lugares por fila, em vez dos habituais quatro, o que é um verdadeiro luxo. As classes «ejecutivo» e «coche cama» são as mais luxuosas, com enormes assentos reclináveis semelhantes aos da classe executiva num avião, seguidas pelas classes «semi-cama» e «comum», ambas também de boa qualidade.
A segurança é boa, as malas são etiquetadas e guardadas em segurança no porão, e as refeições estão frequentemente incluídas, com snacks e bebidas à venda a bordo. A única desvantagem é o ar condicionado brutal — não te esqueças de levar uma camisola (ou um casaco de esqui). As condições confortáveis tornam o autocarro noturno uma opção atraente para poupar alguns pesos em alojamento, embora os albergues na Argentina sejam excelentes e baratos.
Existem dezenas de operadores de confiança, e o preço depende do nível de luxo que lhe apetecer desfrutar. Para a viagem de 18 horas de Buenos Aires a Mendoza, por exemplo, pagas 1250 AR$ (28 US$) pela classe «semi-cama», 2700 AR$ (60 US$) pela «cama» e 3000 AR$ (67 US$) pela «executivo».
O coração pulsante do sistema de autocarros é a estação do Retiro, em Buenos Aires — este local é a «Disneyland» dos transportes públicos na Argentina. Mas, em vez de se perder no labirinto de diferentes empresas que cobrem uma infinidade de percursos, utilize um site de comparação como o Omnilineas para reservar a sua viagem.
Apesar da extensa rede de autocarros, alguns locais — particularmente na Patagónia — só são acessíveis através de veículos particulares, especialmente fora da época alta (janeiro e fevereiro). É necessário ter pelo menos 21 anos e possuir uma carta de condução válida para alugar um carro, mas atenção: a qualidade das estradas é irregular e o nível dos condutores pode ser ainda pior.

Comboio
A Argentina costumava orgulhar-se de uma rede ferroviária capaz de rivalizar com qualquer outra da Europa… mas chegámos cerca de 70 anos tarde demais para a desfrutar. As três principais rotas que restam são Buenos Aires (estação de Constitución) para Mar del Plata (6,5 horas, 660 AR$/15 US$ ou 795 AR$/18 US$ em primeira classe), de Buenos Aires (Retiro) a Córdoba (19 horas durante a noite, 500 AR$/11 US$ ou 1 750 AR$/39 US$ por uma cama) e de Buenos Aires (Retiro) a Rosário (6,5 horas, 300 AR$/7 US$). Consulte aqui todas as rotas.
As rotas do Tren Patagónico, de Bariloche a Viedma, e do Tren a las Nubes, que serpenteia por Salta a uma altitude superior a 4 000 m, são espetaculares, mas muito turísticas, com preços a condizer. Além disso, a Grande Buenos Aires dispõe de uma rede ferroviária que liga a capital ao resto da província, da qual provavelmente só precisará se estiver a planear uma viagem de um dia a Tigre a partir de Retiro.
Ferry
Não há muitas viagens de barco dentro da Argentina, mas há muitas de entrada e saída do país. O ferry do terminal Buquebus de Buenos Aires, perto de Retiro, envia barcos regulares para Colônia do Sacramento (75 minutos) e Montevidéu (três horas), uma forma tranquila de visitar mais um grande país sul-americano. As balsas também partem para o Chile a partir da Região dos Lagos, bem como para a Antártida a partir de Ushuaia, caso estejas a planear essa aventura épica.
Táxis
Uma frota de 40 000 táxis pretos e amarelos circula por Buenos Aires como um enxame de abelhas — uma forma barata e prática de se deslocar pela capital. Estes táxis com rádio registados têm todos taxímetros digitais — uma viagem de 10 km, com duração de 30 minutos, custa cerca de 250 AR$ (6 US$) em Buenos Aires, e a situação é semelhante noutras grandes cidades como Córdoba, Mendoza e Rosário.
Também estão disponíveis «remises» (táxis privados), com preços fixos para trajetos específicos, como a viagem do aeroporto de Ezeiza até ao centro da cidade. No entanto, provavelmente não se enquadram no orçamento habitual de um mochileiro.
Transportes públicos de Buenos Aires
A capital é a única cidade da Argentina com uma rede de metro, conhecida como Subte. É a forma mais rápida de se deslocar em Buenos Aires — a viagem de Palermo até Nueve de Julio, mesmo no centro da cidade, demora 13 minutos —, mas é necessário um cartão SUBE para validar a viagem, disponível em qualquer «quiosco» (loja de esquina) com uma bandeira roxa do SUBE. O custo de uma viagem depende do número de viagens que se fizer no mês, variando entre 11,40 e 19 pesos argentinos (menos de 0,50 dólares americanos). Os serviços funcionam a cada dois minutos, entre as 5h30 e as 23h30 de segunda a sábado, ou das 8h00 às 22h30 ao domingo.

Na superfície, não dá para não reparar na frota de autocarros locais simples (colectivos) a rugir pelas ruas, nem nas modernas linhas de Metrobus a percorrer as cinco artérias principais, como a Avenida Juan B. Justo, a Avenida Nueve de Julio e a via rápida 25 de Mayo. As linhas de colectivos circulam por toda a cidade, 365 dias por ano, com intervalos notoriamente esporádicos. Mais uma vez, carregue o seu cartão SUBE num quiosque e, em seguida, passe-o no leitor.
Uma ferramenta útil para adicionar aos favoritos é o «Cómo llego?» («Como chego lá?»), que traça o seu percurso do ponto A ao ponto B em toda a cidade de Buenos Aires.
A capital também introduziu o sistema de partilha de bicicletas EcoBici para tirar o máximo partido dos 200 km de ciclovias dedicadas. Estas bicicletas amarelas brilhantes são totalmente gratuitas — boas para o seu orçamento e ainda melhores para o ambiente.
Existe também um sistema semelhante de cartão de contacto chamado «Red Bus» em Córdoba, Mendoza e Salta, enquanto o de Rosário se chama «Tarjeta sin contacto». Os autocarros e os tróleis são a melhor forma de se deslocar nestas cidades mais pequenas.
Itinerário de mochileiro pela Argentina
Itinerário de 1 semana pela Argentina
A menos que tenha o seu próprio jato privado — e, se tiver, tem um lugar livre na sua próxima aventura à volta do mundo? —, simplesmente não é possível conhecer toda a Argentina numa semana. E se só tiver sete dias no país, seria uma loucura não começar por Buenos Aires.
Além de ser uma das cidades mais emocionantes das Américas, a capital dá-lhe um vislumbre de tudo o que a Argentina tem para oferecer — tango, bife, futebol, cultura e vida noturna ininterrupta. Podias facilmente passar uma semana inteira só em Buenos Aires — é um daqueles lugares onde precisas de te mergulhar no estilo de vida, em vez de andares a correr de um lado para o outro a visitar pontos turísticos — mas se só tiveres três dias, passa um no centro, um no norte e um no sul.
O centro da cidade, o Microcentro, alberga a maioria das atrações famosas de Buenos Aires: o Obelisco, a Plaza de Mayo, a Casa Rosada, o Teatro Colón e a livraria El Ateneo Grand Splendid, bem como as docas revitalizadas de Puerto Madero, mesmo ao virar da esquina. Não faltam bares e cafés encantadores, mas o centro da cidade também ostenta as milongas (clubes de tango) mais icónicas de Buenos Aires — experimente o «Maldita» e a sua orquestra ao vivo «El Atronfe», o intimista «El Beso» e o «La Catedral», na vizinha Almagro.
Palermo — uma elegante variedade de cafés e restaurantes — e Recoleta — onde se encontra o lendário cemitério — são os bairros a visitar na zona norte. É nesta parte da capital que encontrará os dois principais museus da Argentina — o vanguardista MALBA e o histórico Museu Nacional de Belas Artes —, além do estádio El Monumental do River Plate, um pouco mais a norte, se for um fã de futebol que também se interessa por belas-artes. Palermo também se orgulha das discotecas mais animadas de Buenos Aires, como o Niceto e o Kika, que só começam a aquecer bem depois da meia-noite.
Desça um pouco para sul para ver as ruelas de calçada de San Telmo e as casas coloridas de La Boca, empilhadas umas sobre as outras, bem como o estádio do outro gigantesco clube de futebol da Argentina, o Boca Juniors, que agita a Bombonera a cada dois sábados. El Caminito é a principal rua turística do Boca, onde churrascarias que oferecem espetáculos de tango se espalham pela calçada — um pouco piroso, claro, mas um excelente ponto único para conhecer a cultura porteña, caso tenha de se afastar da cidade após apenas três dias.

Então, qual o próximo destino no teu itinerário de uma semana pela Argentina? Não vais ter oportunidade de ver todas as paisagens hipnotizantes do país com tão pouco tempo e, embora Iguazú e Perito Moreno sejam os pontos turísticos mais impressionantes da Argentina, faz mais sentido seguir para o nordeste.
Porquê? Porque o terreno é muito diversificado. Poderá ver vilas empoeiradas, vinhas exuberantes, picos espetaculares, florestas tropicais enevoadas e salinas áridas, tudo numa simples viagem de um dia a partir da cidade de Salta, que por si só é uma fusão inebriante de influências indígenas e cultura colonial espanhola, com alguns dos melhores bifes da Argentina para completar.
O voo a partir de Buenos Aires demora pouco mais de duas horas e o autocarro noturno demora 20, mas a conveniência tem o seu preço. Passe o seu primeiro dia a visitar a pitoresca praça da cidade de Salta e a escalar o Cerro San Bernardo antes de alugar um carro ou reservar uma excursão para três passeios de um dia — não faltam operadores turísticos económicos que atendem a mochileiros.
O primeiro dia leva-o à província vizinha de Jujuy, com aldeias de outro tempo como Purmamarca e Tilcara, bem como o vale da Quebrada de Humahuaca, esculpido pelo tempo, e o colorido Cerro de los Siete Colores. Rodeada por bodegas, a cidade de Cafayate merece um dia inteiro para descobrir a paisagem rochosa e avermelhada e os vinhos locais Torrontés, com notas frutadas. No terceiro dia, explore outros pontos altos do nordeste — as Salinas Grandes, as estradas sinuosas que atravessam a nebulosa floresta tropical de Yungas e os cactos do «Oeste selvagem» que cobrem os Valles Calchaquíes — para encerrar o seu itinerário de uma semana na Argentina.
Itinerário de 10 dias na Argentina
Este itinerário de 10 dias pela Argentina começa da mesma forma que a versão de sete dias, mas acrescenta três dias nas Cataratas do Iguaçu, a maravilha natural mais impressionante do país. Existem voos diretos de duas horas tanto a partir de Buenos Aires como de Salta, e é um investimento inteligente para evitar uma eternidade no autocarro e ter tempo extra para explorar o húmido canto noroeste do país.
Iguazú constitui a fronteira natural entre a Argentina, o Brasil e o Paraguai e, se não houver problemas com o visto, deve passar um dia no lado argentino e outro a aventurar-se no Brasil. Os dois países oferecem duas perspetivas diferentes sobre esta maravilha classificada como Património Mundial pela UNESCO — poderá ver as cascatas de perto na Argentina, onde poderá até fazer um passeio de barco até à zona de salpicos, enquanto o Brasil oferece uma melhor vista panorâmica sobre as 275 cascatas, pelo que é aí que tirará as suas melhores fotografias para o Instagram.

Um itinerário de 10 dias na Argentina deixa margem para um dia nos pântanos de Iberá, nas proximidades, ou para uma paragem nas ruínas das missões jesuítas a caminho de Iguazú, mas isso faz-se melhor com o seu próprio carro ou numa excursão organizada — os transportes públicos seriam um pouco apertados. Se isso não for possível, aproveite o dia extra para desfrutar um pouco mais de Buenos Aires.
Itinerário de 2 semanas na Argentina
Duas semanas dão-lhe um pouco mais de tempo para explorar, mantendo todas as paragens mencionadas acima, mas reorganizando-as um pouco. Comece em Buenos Aires antes de seguir para Iguazú, depois voe até Salta e siga ao longo dos Andes até Mendoza e Bariloche, ficando duas noites em cada uma. Ambas as viagens adicionais — de Salta a Mendoza e de Mendoza a Bariloche — demoram mais de 18 horas de autocarro, mas menos de duas horas de avião. Por isso, se os voos não couberem no teu orçamento de mochileiro, lembra-te de reservar a classe «cama executivo» para tornar essas viagens maratonianas de autocarro um pouco mais confortáveis.
No teu primeiro dia em Mendoza, recupera da viagem de autocarro noturno. No teu segundo dia em Mendoza, recupera da ressaca. Com os Andes como pano de fundo, esta região vitícola produz mais garrafas de vinho do que qualquer outro lugar da América do Sul, por isso faz todo o sentido que desfrutes de um copo — ou seis — de Malbec de classe mundial. Podias facilmente passar dois dias a pedalar entre as muitas adegas nas encostas de Mendoza, mas os amantes da aventura talvez queiram pousar momentaneamente os copos para escalar o Cerro Aconcágua, o pico mais alto das Américas.
Não é possível mergulhar nas profundezas da Patagónia numa estadia relâmpago de duas semanas na Argentina, mas Bariloche é uma porta de entrada acessível para esta região coberta de neve. A pitoresca Região dos Lagos oferece trilhos para caminhadas de tirar o fôlego suficientes para semanas, por isso escolha alguns para preencher os últimos dois dias deste plano de duas semanas. Se tiver meios para viajar de avião, poderá incluir Ushuaia, na Antártida, ou a glacial El Calafate em vez de Bariloche neste itinerário de duas semanas pela Argentina.
Itinerário de 1 mês pela Argentina
Se tiveres condições para passar um mês a explorar a Argentina, então poderás realmente conhecer o país inteiro… embora possas acabar a cambalear como um figurante de «The Walking Dead» se tentares dormir em demasiados autocarros noturnos em vez de te hospedar nos muitos e excelentes hostels da Argentina.
Estes «micros» são muito mais confortáveis do que os autocarros de outras partes do mundo, mas as distâncias entre os destinos na Argentina são tão vastas que até o mais luxuoso «cama executivo» começa a parecer apertado ao fim de algum tempo. Os bilhetes de avião costumam ser demasiado caros, mas mesmo um ou dois voos — especialmente para locais remotos como Iguazú ou Salta, no norte, ou El Calafate e Ushuaia, no sul — podem reduzir drasticamente o tempo que passa a olhar para a estrada. Naturalmente, porém, os mochileiros vão ficar extremamente familiarizados com o sistema de autocarros argentino neste itinerário intenso de 30 dias.
Comece com cinco dias em Buenos Aires, aproveitando uma das noites extra para uma viagem de um dia até Tigre, à beira do rio, ou até mesmo de ferry para o Uruguai, e a outra para descansar os olhos depois de passar a noite até tarde (e a madrugada) na discoteca. Depois, interrompa a longa viagem até Iguazú com duas noites em Rosário, uma cidade elegante e repleta de história na região central da Argentina.
Após três dias no nordeste, voe para Salta para passar mais quatro no noroeste antes de ficar duas noites em Córdoba — cujo clássico centro colonial é animado por um ambiente estudantil descontraído — a caminho de Mendoza para Malbec, Malbec e mais Malbec. Se tiveres dinheiro para um voo para a Patagónia, ótimo. Mas se fores um mochileiro a viver de macarrão instantâneo e dos ingredientes aleatórios que encontrares na prateleira partilhada da cozinha do albergue, então terás de apanhar autocarros.

Começa com dois dias em Bariloche e depois mais dois em El Calafate, a porta de entrada para o Parque Nacional Los Glaciares e o icónico Perito Moreno. Este é um grande objetivo na lista de desejos de muitos viajantes e El Calafate fica a 3,5 horas de voo de Buenos Aires; por isso, se estiveres ansioso por ouvir o estalido e o barulho deste imponente glaciar, mas tiveres tempo limitado no país, é possível encaixar esta visita num itinerário mais curto.
Um pouco mais a norte, a idílica El Chaltén oferece mais caminhadas à volta do Monte Fitz Roy do que as tuas pernas aguentam, e se tiveres alguma margem de manobra no teu horário, atravessa a fronteira para conhecer também o Parque Nacional Torres del Paine, no Chile.
A viagem de autocarro de El Calafate até Ushuaia demora cerca de 16 horas, passando por Rio Gallegos e pelo Chile, mas esta estrada longa e sinuosa só contribui para a sensação de que estás a viajar até ao fim do mundo — e é exatamente por isso que deves fazer o esforço de percorrê-la até esta cidade ultra-isolada para passar três noites. A menos que ganhe na lotaria, um cruzeiro completo até à Antártida não vai caber no seu orçamento, mas um cruzeiro pelo Canal de Beagle oferece uma pequena amostra do continente menos visitado do mundo. Aproveite os outros dois dias para passear pelo imaculado Parque Nacional da Terra do Fogo e participe num passeio para ver pinguins na Ilha Martillo.
Há ainda mais oportunidades para observar a vida selvagem em Puerto Madryn, se tiveres coragem para mais uma viagem exaustiva de 20 horas num micro-autocarro, com transbordo em Rio Gallegos. Reserve dois dias para avistar baleias e outros animais na Reserva Faunística da Península Valdés, uma reserva natural marítima intocada na costa atlântica da Argentina.
E no final desta viagem relâmpago de 30 dias, já mereces mesmo uns dias de descanso, por isso reserva duas noites para desfrutar das areias de Mar del Plata — mais 16 horas para norte — antes da viagem relativamente curta de cinco horas de regresso a Buenos Aires para o teu voo de saída da Argentina. Caramba, é um mês bem agitado.
Gastronomia argentina
Tal como uma tigela fumegante de locro com um pouco de tudo misturado, a cozinha argentina é um caldeirão de sabores de todos os cantos do mundo. A civilização indígena e milhões de imigrantes mediterrânicos combinaram-se para criar um menu único de pratos que abrange tudo, desde marisco e doces a guisados e enchidos.
A carne de vaca está no centro da gastronomia tradicional argentina, claro, e a parrilla (churrasco) reúne famílias e amigos (e mochileiros!). Mas quem não come carne também não ficará com fome, com as requintadas empanadas, os saborosos tamales e as sobremesas deliciosas à disposição. Desde restaurantes de luxo a petiscos de rua muito apreciados, deliciem-se com o melhor da gastronomia tradicional que a Argentina tem para oferecer.

Asado
Um legado dos lendários gaúchos que percorriam o campo nos séculos XVIII e XIX, nenhuma refeição significa mais para a Argentina do que os churrascos de carne conhecidos como asados. As «parrillas» — as grelhas a fogo aberto que são comuns nas casas e blocos de apartamentos argentinos, bem como a palavra utilizada para descrever um restaurante especializado em churrasco — são o elemento central do «asado», que se refere à própria reunião social, onde os participantes devoram metade do seu peso corporal em carne de vaca e a outra metade em garrafas de Malbec.
Uma variedade de carnes compõe o prato nacional da Argentina. Espere encontrar chouriço (salsicha), ojo de bife (costela), tira de asado (costeletas), bife de chouriço (lombo), morcilla (linguiça de sangue), chinchulines ou chinchus (intestinos), mollejas (moelas) e até bife de lhama a chispor lentamente na grelha, levemente temperados com sal e depois regados com chimichurri quando estiverem prontos. A Patagónia leva a parrilla a um novo nível impressionante com o seu «asado à estaca», onde cordeiros, cabras ou porcos inteiros são abertos ao meio e assados sobre as chamas.
Não vai ter muitas opções vegetarianas numa parrilla, mas a provoleta é um acompanhamento raro sem carne. Estes discos de queijo provolone são colocados numa frigideira com flocos de malagueta, orégãos e tomate, deixados a derreter na grelha antes de serem temperados com chimichurri e azeite. Caramelizados por fora, cremosos por dentro e deliciosamente fumados por todo o lado.
Chimichurri
Nenhum asado está completo sem um ingrediente essencial: o chimichurri, o molho verde servido por cima
de toda aquela carne grelhada. Com o nome inspirado num inglês chamado Jimmy McCurry, que veio lutar pela independência argentina naquela época (se acreditarmos na lenda local), o chimichurri é uma mistura picante de alho, salsa, orégãos, cebola, azeite e vinagre de vinho tinto que, por vezes, é usada como marinada, mas que, mais frequentemente, é adicionada ao bufete de carne grelhada na parrilla. E sim, usar ketchup em vez disso é quase uma traição.
Dulce de leite
Na cozinha argentina, as vacas servem para mais do que apenas a sua carne, sendo o leite a outra grande obsessão culinária do país. O doce de leite é leite condensado caramelizado — uma pasta espessa e pegajosa que se barram na torrada ao pequeno-almoço, se regam sobre bolos e panquecas para a merienda (chá da tarde) ou se saboreia diretamente da colher numa visita furtiva à despensa. E se já teve a sorte de provar esta sobremesa extremamente doce, sabe que não há qualquer vergonha em mergulhar diretamente no frasco. Chimbote e Havanna são duas das principais marcas que se encontram em todas as lojas.
Alfajores
A substância mais viciante da Argentina também aparece no seu petisco favorito: os alfajores, uma camada de doce de leite entre duas pequenas bolachas de manteiga. Encontrará estas sobremesas em todo o lado, desde quiosques de esquina a restaurantes sofisticados, muitas vezes revestidas de chocolate negro, chocolate branco ou coco ralado.
El Capitán del Espacio — com o seu pequeno capitão espacial a sorrir na embalagem dourada e brilhante — é uma marca icónica que conta com um público fiel, oferecendo uma alternativa frutada de doce de membrillo (pasta de marmelo), bem como um «triplo» de tamanho gigante com três bolachas e duas camadas de doce de leite, uma espécie de pequeno Big Mac de caramelo. Não há melhor petisco argentino do que este.
Mate
Há anos que os adeptos de futebol vêem Lionel Messi e Sergio Agüero a sair do autocarro da equipa segurando uma garrafa térmica numa mão e uma chávena fumegante na outra. Não, não se trata de nenhum elixir mágico que confira habilidades futebolísticas transcendentais. É o mate, a bebida nacional da Argentina.
O mate — pronunciado «mah-tay», e não «mayt» — provém da planta indígena yerba mate, cujas folhas e ramos são secos e picados para formar este chá muito amargo. As folhas são colocadas numa cabaça oca e regadas com água quase a ferver, sugadas através da bombilla (palhinha) com um coador na parte inferior que impede que se encha a boca de ervas, sendo depois reabastecida a partir da garrafa térmica à medida que vai passando de mão em mão no círculo.
Tal como o asado, o mate tem tanto a ver com o ritual social como com o que se leva à boca. O cebador é responsável por preparar o mate antes de o passar no sentido horário pelo círculo, como se fosse um bongo, só que a única sensação é a da cafeína. E esqueça as boas maneiras — a palavra «gracias» não significa «obrigado» neste contexto, significa «já tive o suficiente, por favor, parem de me passar esta chávena de lama quente».
Se o sabor for demasiado amargo, pode adicionar açúcar ou mel à cabaça para adoçar. Ou experimente o mate cocido, em que as folhas são infundidas como uma chávena de chá normal antes de se adicionar leite e açúcar.
Empanadas
Todos os dias, toda a nação argentina petisca estas pequenas empanadas em forma de meia-lua recheadas com carne, legumes, frutas e tudo o que se possa enfiar dentro da massa e levar ao forno. Tal como um pequeno calzone ou um Cornish pasty com um toque latino, as empanadas podem ser salgadas — recheadas com frango, carne de vaca, legumes, queijo, azeitonas, o que quiser — ou doces — recheadas com passas, compota, batata-doce, canela ou, claro, doce de leite.
Quase tudo pode ser colocado dentro de uma empanada, mas cada região tem as suas especialidades. A norte, as empanadas salteñas, de Salta, são recheadas com batata, ovo, cebolinha e carne de lhama, se estiver com espírito aventureiro. A banha e uma única azeitona são as marcas distintivas das empanadas sanjuaninas, cozidas em forno a lenha, em San Juan. E Córdoba adiciona açúcar e passas à sua carne de vaca picada para dar um toque doce às empanadas cordobesas.

Milanesas
Conhecida como «escalope» no resto do mundo ou «schnitty» no rico léxico australiano, uma milanesa é um filete fino de carne de vaca, frango, vitela ou porco, panado com pão ralado e frito em óleo — sempre acompanhado de puré de batata e, frequentemente, servido com um ovo estrelado ou molho de tomate e queijo derretido (à la napolitana) por cima.
Com o nome inspirado na cidade italiana de Milão, a milanesa é um dos muitos pratos que a Argentina importou do Mediterrâneo. Aqui encontrará pizza de massa grossa, pratos de fettuccine, tagliatelle, canelones e nhoques (ou ñoquis, para usar a versão hispanizada), e uma sobremesa italiana muito apreciada.
Gelado
O «helado» é outro clássico italiano que a Argentina adotou e passou a regar com doce de leite. Não se consegue dar um passeio por Buenos Aires sem se deparar com uma «heladaría» (gelataria) durante o verão, especialmente a gigantesca cadeia Freddo, que conta com 150 estabelecimentos em todo o país.
A Freddo é a rainha do mundo dos gelados argentinos, e o seu serviço de entregas 24 horas por dia é uma salvação. O sabor mais popular é o doce de leite (claro), mas não perca o sambayón, o favorito local, feito de gemas de ovo, leite, natas, açúcar, vinho Marsala e uísque.
Merienda
Quando só se janta às 22h, é preciso um pequeno lanche à tarde para dar energia. É por isso que os argentinos se deliciam com a merienda (chá da tarde) por volta das 17h, saboreando um mate ou um café con leche (café com leite) acompanhado de uma factura (pastelaria) para petiscar. As medialunas — croissants extra-amanteigados recheados com doce de leite ou marmelada — e os submarinos con churros — um chocolate quente alto com donuts fritos — são sempre uma delícia.
Choripan
Chouriço mais pão é igual a choripan. Essa é a equação simples por trás da comida de rua mais apreciada da Argentina. Outra especialidade gaúcha que chegou à capital: vais ver barracas à beira da estrada por toda a cidade de Buenos Aires a grelhar chouriços cortados ao meio antes de os enfiar num pãozinho branco estaladiço com uma colherada de chimichurri.
Os taxistas fazem fila à volta do quarteirão para comer um choripan à hora do almoço, e esta sanduíche de salsicha sul-americana é o seu combustível para todas as idas à «cancha», com dezenas de «parrillas» improvisadas a alimentar adeptos de futebol famintos.
Locro
Todos os dias 25 de maio, os argentinos celebram o aniversário da lendária revolução de 1810 com uma tigela fumegante de locro. Este guisado de carne, feijão e legumes começou por ser um prato camponês andino, feito com as sobras que se encontravam na cozinha, mas agora faz parte de qualquer lista de comida tradicional argentina.
A carbonada é outra caçarola do norte do país, perfeita para as noites geladas de inverno, que combina carne, batatas, cenouras, pimentos, milho, alperces e passas numa abóbora oca, assada na parrilla.
Tamales
Os tamales quentes são mais do que apenas um doce horrível com sabor a canela — são um prato argentino legítimo. Esta especialidade de Salta é feita de carne desfiada e farinha de milho enrolada numa folha de milho e depois cozida, enquanto a receita de Jujuy mistura carne picada, milho e pimentos vermelhos. Os tamales são quase idênticos a outro prato típico do noroeste da Argentina, as humitas — uma mistura doce e salgada de milho, cebola e queijo de cabra, atada como um cracker de Natal.

Vinho
O Malbec pode muito bem ser o produto de exportação mais famoso da Argentina desde Maradona. Esta casta francesa foi plantada pela primeira vez no século XIX e levou a Argentina a tornar-se o quinto maior produtor de vinho do mundo, com dois terços do vinho do país a sair de Mendoza.
Situada no sopé da Cordilheira dos Andes, as diferenças de altitude na província proporcionam os microclimas necessários para o cultivo de uvas de excelência. O mesmo se aplica a Salta, Córdoba e San Juan, que produzem tintos do tipo Bordeaux, como o cabernet sauvignon e o merlot, bem como brancos como o chardonnay e o sauvignon blanc, para não falar do Malbec pelo qual Mendoza é famosa.
Fernet
Este licor amargo à base de ervas não é uma bebida tradicional argentina — foi importado da Itália no século XIX e só se tornou extremamente popular após uma campanha publicitária na televisão local na década de 1980 — mas, atualmente, a Argentina consome mais de três vezes mais fernet do que o país que o inventou.
A Fernet-Branca é uma marca gigantesca, que construiu uma destilaria nos arredores de Buenos Aires — a única fora de Milão. E o seu produto raramente é bebido em shots, sendo, em vez disso, quase exclusivamente misturado com Coca-Cola — vai sentir-se à vontade entre os locais quando pedir um «fernet con coca» ao barman no «boliche».
Cultura argentina
A gastronomia argentina reflete a cultura do país — uma combinação colorida de influências europeias e sul-americanas que dá origem a um sabor único que não encontrará em mais nenhum lugar do mundo.
Essas sociedades indígenas milenares — particularmente os quechuas no noroeste, os guarani no nordeste e os mapuche nos Pampas — continuam a prosperar, mas as áreas urbanas da Argentina têm um ambiente distintamente europeu. Buenos Aires orgulha-se da sua reputação de ser a «Paris da América do Sul», enquanto a superelegante Rosário parece uma cidade transportada diretamente da Itália.
O povo argentino
Os 44 milhões de habitantes da Argentina consideram-se um «crisol de raças» — um caldeirão de raças — composto principalmente por imigrantes europeus (italianos, espanhóis, franceses e alemães), bem como por pessoas provenientes de regiões mais diversas do globo nas últimas décadas.
A colonização espanhola significa que a maior parte do país é católica romana — o atual Papa é argentino, embora talvez a prova mais evidente do catolicismo argentino seja o facto de a maioria das pessoas viver em casa com os pais até se casar, razão pela qual existem tantos «telos» («hotéis do amor»). Mas também encontrará igrejas ortodoxas, mesquitas muçulmanas e sinagogas judaicas por toda a cidade de Buenos Aires. Na verdade, eis um facto curioso sobre a Argentina: o centro comercial Abasto, na capital, alberga o único McDonald’s kosher fora de Israel.
Uma coisa que todos os argentinos têm em comum, no entanto, é uma atitude descontraída em relação ao tempo, mas muito mais intensidade quando se trata de se expressarem — espere que os locais cheguem com 20 minutos de atraso e, assim que chegarem, gesticulem freneticamente. Demonstrações públicas de afeto também fazem parte do quotidiano. É justo dizer que o gelado e o fernet não são as únicas coisas que herdaram dos italianos.

Os portenhos têm a reputação de serem um pouco arrogantes — Nova Iorque, Londres, Paris, Buenos Aires… nomeie uma grande cidade cujos residentes não tenham a mesma fama — e os argentinos podem ser diretos, mas não há nada que não se possa resolver com um copo de Malbec num churrasco. Prepare-se para cumprimentar um local — homem ou mulher — com um único beijo na bochecha direita, e boa sorte se for muito exigente com o seu espaço pessoal.
História da Argentina
A história da Argentina é longa, trágica e suscetível de desencadear discussões, por isso vamos ser breves. A brutal colonização espanhola começou no século XVI e terminou com a Revolução de Maio de 1810, a declaração de independência em 1816 e a eventual federação da república nas décadas de 1850 e 1860.
O controverso populista Juan Perón e a sua segunda esposa, Eva Duarte — a famosa «Evita», que faleceu em 1952 —, lideraram o país nas décadas de 1940 e 1950, mas o malfadado segundo mandato presidencial de Juan, na década de 1970, precedeu a ditadura sangrenta entre 1976 e 1983, quando o governo travou a «Guerra Sucia» (Guerra Suja) contra a sua própria população, levando à captura de pelo menos 30 000 «desaparecidos».
As «Las Madres de la Plaza» (as Mães da Praça) exigiram corajosamente justiça para os seus familiares raptados, protestando na Praça de Maio, e ainda hoje é possível ver as suas faixas e os grafitos com os seus icónicos lenços brancos no exterior do palácio presidencial da Casa Rosada, bem como as marchas semanais às quintas-feiras. Também é possível visitar a ESMA — a escola naval onde os prisioneiros eram secretamente torturados pela ditadura —, no norte da capital.
A ditadura também provocou uma guerra com a Grã-Bretanha pelas Ilhas Malvinas (Ilhas Falkland) em 1982, um assunto delicado até aos dias de hoje. E esse é apenas um dos temas a evitar com os locais — é melhor evitar completamente a política argentina contemporânea.
O tango argentino
Fundindo as influências espanholas, eslavas e latinas dos bares e bordéis decadentes onde teve origem, o tango é um emblema da identidade nacional heterogénea da Argentina. O tango surgiu nos portos e subúrbios degradados de Buenos Aires no século XIX e explodiu na década de 1930 graças a cantores superestrelas como Carlos Gardel, que morreu tragicamente num acidente de avião com apenas 44 anos, em 1935.
As melodias são hipnóticas, os movimentos de dança são sensuais e as letras são melancólicas — geralmente cantadas em lunfardo, a gíria da classe trabalhadora argentina. Nenhum mochileiro pode deixar o país sem visitar uma milonga — as discotecas mal iluminadas onde os dançarinos de tango exibem as suas habilidades —, bem como os lendários boliches (discotecas) pelos quais Buenos Aires é famosa, onde músicas de cumbia de inspiração colombiana ressoam a todo o volume.
Futebol argentino
Facto n.º 1 sobre a Argentina: Lionel Messi não é, de longe, tão idolatrado aqui como na Europa. Na verdade, o pequeno n.º 10 é considerado por muitos um «pecho frio», um insulto mordaz que põe em causa a sua paixão pela venerada camisola azul e branca da Argentina. Diego Maradona, por outro lado, mantém um estatuto quase divino.
Em vez de Messi, a paixão desportiva dos argentinos reside nos seus clubes. O Boca Juniors e o River Plate são os dois gigantes de Buenos Aires, enquanto os rivais da cidade — San Lorenzo, Independiente e Racing — completam os «los cinco grandes» (os cinco grandes). A atmosfera em qualquer jogo dá-lhe arrepios, especialmente na animada «Bombonera» do Boca.
Facto n.º 2 sobre a Argentina: o desporto nacional não é, na verdade, o futebol, é o «pato». Chamado assim devido à palavra espanhola para «pato» — porque antigamente se usava uma pobre ave como bola —, o pato é um desporto híbrido entre o basquetebol e o pólo, praticado a cavalo, que os gaúchos inventaram no século XVII e que continua a representar a cultura dos Pampas até hoje.

A língua da Argentina
O espanhol é a língua falada na Argentina, mas não tal como provavelmente a conhece. Os argentinos utilizam uma série de dialetos espanhóis, incluindo o rioplatense na região de Buenos Aires, que é temperado com um toque de francês e italiano.
Uma grande diferença é que os argentinos usam «vos» em vez de «tú» para o pronome «tu». Outra é a acentuação nos sons «ll» e «y» — o que transforma «calle» (rua) em «ca-she» e «mayor» (maior) em «ma-shor» —, bem como a ausência de sibilância nas «Z» e nos «C» suaves, ao contrário do que acontece em Espanha, onde uma cerveja (cerveza) se pronuncia «ther-ve-tha».
Muitas palavras são diferentes — um carro é um «auto», não um «coche»; um telemóvel é um «celular», não um «móvil»; os abacates são «paltas», não «aguacates», o que é crucial para nós, millennials — mas se só conseguires lembrar-te de uma, que seja o verbo «coger». Em Espanha, isto significa «pegar» ou «apanhar» — «Eu apanho o autocarro» é «cojo el bus». Na Argentina, «coger» tem um significado um pouco mais vulgar — uma palavra de quatro letras que começa por «F», em inglês — por isso, usa «tomar» (que também significa «pegar») a menos que tenhas intenção de ter uma conversa para adultos com o motorista do autocarro.
Há imensa gíria animada a que os falantes não nativos também precisam de se habituar. A palavra mais querida na língua argentina é «boludo», que significa literalmente «idiota», mas é mais frequentemente usada entre amigos. Depois, há «pibe» (rapaz), «mina» (mulher), «pelotudo» (idiota), «cheto» (chique), «quilombo» (que significa literalmente «bordel», mas, figurativamente, «confusão»), «mala leche» (literalmente «leite estragado», figurativamente «azar») e «che» — a expressão que deu ao revolucionário marxista Ernesto Guevara, nascido em Rosário, a sua alcunha inesquecível.
Por falar no Che, ele é a estrela de «Diários de Motocicleta», um filme de produção local que o vai deixar com vontade de partir para a sua aventura pela América do Sul. A era dourada do cinema argentino terminou em meados do século XX, mas os clássicos policiais «Nueve Reinas» (Nove Rainhas) e «El Secreto De Sus Ojos» (O Segredo dos Seus Olhos), bem como o aclamado drama da era da ditadura *La Historia Oficial* (A História Oficial), são vislumbres imperdíveis da cultura argentina.

Conselhos de viagem para a Argentina
A Argentina é segura?
A Argentina é um dos locais mais seguros para visitar na América Latina, mas ainda assim faz sentido perguntar: «A Argentina é segura?» Os viajantes devem usar o bom senso para se protegerem de pequenos furtos. Fica atento a todos aqueles velhos esquemas que tentam em todo o mundo — ser salpicado com ketchup, locais suspeitamente simpáticos, petições falsas para caridade, blá, blá, blá.
Não perca de vista a sua mochila quando estiver na estação rodoviária e segure bem as suas malas se estiver sentado num restaurante de rua ou a passear por uma feira movimentada. As restrições à importação fazem com que aparelhos eletrónicos estrangeiros caros, como iPhones e portáteis da Apple, tenham um valor ainda maior na Argentina, por isso não os exiba em público.
Os transportes públicos são, em geral, seguros, mas opta sempre por táxis oficiais — os táxis não identificados podem convencer-te a entrar com promessas de uma tarifa barata antes de te roubarem no destino. Os assaltos representam algum risco nas grandes cidades, tal como os sequestros em caixas multibanco — se tiveres a infelicidade de te veres envolvido num, limita-te a obedecer e, em seguida, comunica o incidente à polícia.
Os desastres naturais podem afetar algumas regiões do país, particularmente as inundações durante o verão chuvoso no norte, bem como os vulcões ao longo dos Andes, como o Copahue, que está ativo na fronteira com o Chile. As temperaturas gélidas do inverno também podem criar condições perigosas nas estradas, e, de qualquer forma, não é muito divertido conduzir — os condutores argentinos tendem a tratar as marcações nas faixas de rodagem, os semáforos e as regras de trânsito como meras sugestões. Como peão, não espere que os veículos parem quando o semáforo para peões estiver verde.
O sistema de saúde da Argentina é sólido — os hospitais, as farmácias e os dentistas são bons, os padrões de higiene são elevados e a água da torneira é potável praticamente em todo o lado. Considere a possibilidade de tomar vacinas se estiver preocupado com a dengue no nordeste do país. Existem serviços de saúde gratuitos, mas a qualidade é variável, pelo que vale a pena investir num seguro de viagem que cubra um hospital privado, bem como os seus objetos de valor, caso algo seja roubado.
Buenos Aires é segura?
Resposta curta: sim. Resposta longa: deve tomar as mesmas precauções que tomaria ao visitar qualquer grande cidade, mas sim. A tua mãe vai sempre preocupar-se antes de partires para a América do Sul, mas não tem nada de grave com que se preocupar.
Roubos de malas, furtos de carteiras e assaltos na rua acontecem — o Subte (metro) e a estação rodoviária de Retiro são locais particularmente propícios para os «chorros» (ladrões), por isso não tires o teu iPhone ou a tua câmara SLR de 5 000 dólares no meio de uma multidão. Opta pelos táxis radiotaxis amarelos e pretos e não te afastes demasiado dos locais mais frequentados em La Boca, onde as ruas podem tornar-se muito perigosas num instante.
Buenos Aires não passa uma semana sem uma greve em grande escala ou alguma outra «manifestación» (protesto) a paralisar a Avenida de Mayo, mas mantenha-se afastado da polícia e dos manifestantes e não se metará em sarilhos.
O mesmo conselho aplica-se a uma ida ao estádio. Houve quase 100 mortes relacionadas com o futebol na última década na Argentina, razão pela qual o governo proibiu a presença de adeptos visitantes durante cinco anos e continua a impedir a entrada de adeptos visitantes em jogos que envolvam os «cinco grandes», incluindo o Boca e o River. Os hinchas não têm qualquer problema com os turistas — estão mais interessados em lutar contra a polícia e entre si do que com um mochileiro curioso — por isso, basta manter a cabeça fria.
Moeda argentina
A moeda argentina pode ser um problema devido à economia instável. Há notas falsas de 100 pesos por todo o lado, é fácil cometer fraudes com trocos incorretos com notas tão grandes e os caixas automáticos ficam frequentemente sem dinheiro em zonas movimentadas. Os estabelecimentos comerciais das principais cidades, como o teu hostel em Buenos Aires, devem aceitar cartões de crédito, mas isso torna-se mais difícil fora da capital.
Tal como mencionado anteriormente na secção sobre orçamento na Argentina, as recentes alterações à regulamentação do câmbio significam que o mercado paralelo — que costumava oferecer quase o dobro de pesos por dólar do que a taxa oficial num multibanco ou numa casa de câmbio — já não é tão vantajoso como era, e não vale a pena correr o risco para os mochileiros.

¡Buen viaje!
Este guia mal arranha a superfície de todas as aventuras que te esperam na Argentina, desde o cume do Monte Fitz Roy até ao fundo de uma daquelas garrafas de vinho tinto de Mendoza. Agora é hora de fazer a mochila, reservar os teus hostels na Argentina e mergulhar em tudo o que esta joia sul-americana tem para oferecer.
Sobre o autor:
Tom Smith é um escritor australiano que vive em Manchester. Apaixonado por desporto e viagens, Tom já assistiu a jogos de críquete em Cardiff, futebol em Fortaleza e basebol na Bay Area, e ainda há muito mais para riscar da sua lista de desejos. Lê mais sobre o seu trabalhoaqui.
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